
Casos ocorreram ao longo de 16 anos nas cidades de Jaguaraçu e Timóteo; investigações apontam que vítimas recebiam veneno e remédios controlados.
TIMÓTEO – A Justiça mineira determinou que Gissele Rosângela de Oliveira vá a julgamento popular, acusada de provocar a morte de cinco de seus filhos e de tentar matar um sexto. A decisão foi emitida pela Vara Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Timóteo.

A sentença que encaminha o caso ao Tribunal do Júri foi assinada no dia 22 de outubro pela juíza Marina Souza Lopes Ventura Aricodemes, que acolheu os argumentos apresentados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
Como o caso foi investigado
De acordo com o inquérito, os crimes aconteceram de forma continuada entre 2007 e 2023, nos municípios de Jaguaraçu e Timóteo. Os relatos apontam que a ré administrava substâncias tóxicas, veneno e remédios controlados às crianças de forma rotineira, recorrendo também à asfixia em alguns momentos. Todas as vítimas eram menores de idade.
Para os promotores, a acusada via os filhos como “um fardo” e agia movida por sentimentos de egoísmo e ódio. Além das acusações de homicídio e tentativa de homicídio, a mulher também responderá por coação no curso do processo, já que teria ameaçado e constrangido testemunhas e informantes entre abril e setembro de 2025 para tentar desviar o foco das investigações policiais.

A decisão da Justiça e a defesa
Os advogados de defesa tentaram afastar as acusações sob a alegação de falta de provas materiais e indícios de autoria, além de pontuar que um pedido de avaliação de sanidade mental da ré havia sido negado. Eles solicitaram a impronúncia e a exclusão das qualificadoras.
No entanto, a magistrada entendeu que os exames toxicológicos e o conjunto probatório apontam elementos suficientes de que as substâncias encontradas nos corpos das crianças foram dadas justamente quando elas estavam sob os cuidados exclusivos da mãe. A juíza reforçou que a palavra final sobre a dinâmica dos fatos e a condenação caberá aos jurados.
Devido à gravidade e à repercussão do caso, Gissele responderá por homicídio qualificado — com as qualificadoras de motivo torpe, emprego de veneno ou meio cruel, asfixia e recurso que dificultou a defesa das vítimas. Ela teve a prisão preventiva mantida e continuará presa, sem o direito de aguardar o julgamento em liberdade.
















