Projeto Conscientizar amplia atuação e chega a Virginópolis para prevenir a violência doméstica

Projeto Conscientizar amplia atuação e chega a Virginópolis para prevenir a violência doméstica
FOTO: Divulgação/TJMG

VIRGINÓPOLIS – A Comarca de Virginópolis, no Vale do Rio Doce, recebeu o projeto “Conscientizar”, que promove grupos reflexivos com homens autores de violência doméstica e familiar contra a mulher. A iniciativa surgiu em 2024, na Comarca de Mantena, e busca reduzir a reincidência de agressões por meio da responsabilização e da mudança de comportamento dos participantes. A cerimônia de lançamento em Virginópolis ocorreu em 22 de outubro, no município de Sardoá.

A Associação dos Municípios da Microrregião do Leste de Minas (Assoleste) idealizou o projeto em parceria com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), as Polícias Civil (PCMG) e Militar (PMMG), além de municípios e outras instituições que atuam no enfrentamento à violência contra a mulher.

O “Conscientizar” atende aos sete municípios da Comarca de Mantena. Agora, com a expansão para Virginópolis, a iniciativa chegará a outras cinco cidades. O objetivo é incentivar os participantes a reconhecer a gravidade de suas atitudes, assumir a responsabilidade pelos atos praticados e romper com padrões de comportamento violento.

Para o juiz diretor do Foro da Comarca de Virginópolis, David Miranda Barroso, a articulação entre as instituições é essencial para fortalecer a rede de proteção às mulheres.


“Muitas vezes, a violência doméstica vai ser descoberta por quem tem o primeiro contato com a vítima. São os integrantes da rede, atendendo em casa ou em alguma outra questão paralela. Até o juiz receber o expediente, já houve a atuação do Corpo de Bombeiros ou das Polícias Civil e Militar, por exemplo. A Justiça, ao identificar a situação, defere a medida protetiva.”

O magistrado também destacou que os grupos reflexivos podem ajudar a prevenir novas agressões, especialmente quando os participantes reconhecem os próprios erros e passam a questionar atitudes que antes consideravam aceitáveis.

“Essa é mais uma possibilidade de atuação, prevenindo a reincidência e cessando o ciclo de violência. Durante audiências sobre casos de violência doméstica, o que mais vemos é o réu tendo convicção de que está certo. O que a gente percebe é que não há consciência do erro. Com o grupo reflexivo, nosso intuito é que esses homens consigam reconhecer o erro, desconstruindo as condutas agressivas e a masculinidade tóxica. Queremos interromper o ciclo da violência, acabar com o círculo vicioso.”

Experiência de Mantena orienta expansão

A juíza da 2ª Vara Cível, Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Mantena, Samira da Cunha Ribeiro Morais, explicou que a experiência no município mostrou a necessidade de trabalhar diretamente com os autores das agressões. Segundo ela, os casos acompanhados pela Justiça revelam como ameaças e outras formas de violência podem se agravar e se repetir ao longo do tempo.

“Na Comarca de Mantena, a característica das agressões é a forma velada, com ameaças que evoluem para lesões corporais até chegar ao feminicídio. E, por meio das audiências, percebemos a repetição das agressões. Um agressor, em uma semana, era acusado de violentar a mãe; na semana seguinte, respondia por uma lesão à companheira. O grupo reflexivo nasceu a partir do olhar para esses homens. Fazemos reuniões semanais com grupos de até 20 homens, que são acompanhados por psicólogo e assistente social e recebem orientações de atitudes práticas a partir de cada caso. Nosso objetivo é que, quando ele retornar ao convívio familiar, volte com uma visão diferente da que tinha anteriormente.”

Possibilidade de expansão

Durante a cerimônia em Sardoá, a prefeita do município e presidente da Assoleste, Ivania Maia, mencionou a possibilidade de expandir o “Conscientizar” para a Comarca de Itambacuri. Ela também ressaltou a importância de aproximar a Justiça da população e ampliar a compreensão sobre as diferentes formas de violência contra a mulher.

“Falo como mulher. A violência não é apenas física. Humilhação, ameaças, controle, agressão verbal e violência psicológica também provocam feridas profundas. Não podemos aceitar nenhuma dessas formas de violência. É por isso que acredito no projeto ‘Conscientizar’. Quando um homem conhece a violência que praticou, compreende sua responsabilidade e reflete sobre suas atitudes, abrimos uma possibilidade de mudança.”

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