Caseiro e companheira são condenados a até 40 anos por assassinato de médico em Inhapim

FOTO: Ilustrativa/Freepik

INHAPIM – O Tribunal do Júri de Inhapim condenou um caseiro e sua companheira pelo assassinato do médico oftalmologista Paulo Francisco Correa de Bastos, de 71 anos. O julgamento ocorreu nesta segunda-feira (22), e resultou em penas que chegam a 40 anos de reclusão.

De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), responsável pela acusação, o crime ocorreu em 27 de outubro de 2024, em um sítio localizado no Córrego Boa Sorte, zona rural do município. A vítima foi morta após ser atingida por disparos de arma de fogo e sofrer sucessivas agressões físicas, incluindo golpes de facão. Segundo a denúncia, o casal agiu de forma conjunta para cometer o homicídio. As investigações apontaram ainda que, após o crime, os réus tentaram dificultar a elucidação dos fatos ao alterar a cena e subtrair a arma de fogo pertencente à vítima.

O caso foi sustentado por um conjunto de provas periciais, depoimentos de testemunhas e imagens de monitoramento da propriedade rural, que registraram momentos considerados relevantes da ação criminosa. Durante o julgamento, o Conselho de Sentença acolheu, em grande parte, as teses apresentadas pelo MPMG.

Um dos réus foi condenado por homicídio triplamente qualificado — por motivo torpe, meio cruel e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima — com agravante pelo fato de a vítima ser idosa. Ele também recebeu condenação por fraude processual majorada, furto qualificado e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, totalizando 40 anos de reclusão.

A segunda ré foi condenada por homicídio triplamente qualificado, com a mesma agravante relacionada à idade da vítima, além de fraude processual majorada. A pena fixada foi de 21 anos de reclusão. Diante da gravidade dos fatos e da decisão do Tribunal do Júri, foi determinado o cumprimento imediato das penas.

Entenda o caso

O corpo de Paulo Francisco foi encontrado na manhã de 28 de outubro de 2024, no sítio “Pica-Pau”, onde ele residia. A perícia da Polícia Civil confirmou que o médico foi atingido por dois disparos — um no tórax e outro na coxa direita — além de apresentar ferimentos graves na cabeça.

A secretária da vítima informou à Polícia Militar que, no dia anterior, recebeu uma mensagem do afilhado do oftalmologista relatando um pedido de socorro. Após isso, as tentativas de contato com o médico foram sem sucesso, o que motivou a busca pelo local. Ao chegarem ao sítio, militares encontraram o corpo da vítima com sinais de violência.

De acordo com a Polícia Militar, o médico havia demonstrado insatisfação com o trabalho do novo caseiro contratado recentemente, e uma discussão teria ocorrido entre ambos. Durante o conflito, o suspeito teria se apossado de uma arma de fogo pertencente ao oftalmologista, dando início à sequência de agressões que resultou na morte.

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