Dodô, Robinho e volante de ofício Cruzeiro usa estratégias distintas em busca de encaixe ideal no meio

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Na estreia, Rogério Ceni surpreendeu ao escalar Dodô como segundo volante

Costumeiramente, o início do trabalho de um treinador reserva mudanças no time, seja pelas preferências táticas e técnicas ou mesmo pelo conhecimento que vai tendo sobre os jogadores do elenco. No Cruzeiro de Rogério Ceni não tem sido diferente, e o meio-campo é um dos setores que ele mais tem mexido.

A busca do treinador no setor parece estar focada no companheiro ideal para Henrique, único volante a atuar em todos os seis jogos dele à frente do Cruzeiro. Ceni fez duas improvisações e utilizou um atleta da posição ao lado do capitão, mas a disputa ainda parece muito aberta.

Na estreia, Rogério Ceni surpreendeu ao escalar Dodô como segundo volante. Mas a formação durou pouco, já que aos 24 minutos da primeira etapa o treinador colocou Fred no lugar de Egídio, deslocando Dodô para a posição de ofício dele.

Depois dessa partida, Robinho ganhou uma sequência nessa posição. Atuou como segundo volante diante de CSA, Vasco, Inter (Copa do Brasil) e Grêmio. Mesmo com ele sendo meia de ofício, Ceni já havia dito, na primeira semana de trabalho, que pretendia usá-lo mais recuado.

A goleada sofrida diante do Grêmio, no entanto, fez o treinador mudar mais uma vez o companheiro de Henrique. Éderson foi o escolhido de Ceni para jogar contra o Palmeiras. Apesar da derrota por 1 a 0 fora de casa, o time foi mais consistente, e a tendência é de o jovem de 20 anos seja mantido.

Os outros volantes do elenco cruzeirense são Ariel Cabral, Jadson e Adriano. O primeiro, no entanto, é visto por Rogério Ceni como concorrente de Henrique e não como companheiro. Jadson, por sua vez, só teve chance como titular na lateral direita, e Adriano, formado na base celeste, ainda não estreou entre os profissionais.

Referência

É assim que o jovem volante Éderson vê o capitão da equipe, Henrique, que atua na mesma posição. Contratado por empréstimo junto ao Desportivo Brasil-SP, Éderson teve parte dos direitos adquiridos recentemente pelo Cruzeiro, e assinou contrato por quatro temporadas. Titular da equipe na última partida, contra o Palmeiras, o volante revelou conversas e conselhos com Henrique, e disse que o experiente jogador é um dos que mais sentem a situação delicada que a Raposa atravessa no Campeonato Brasileiro.

– E ele vem passando conselhos, como fez no último jogo. Então, acho que para mim, que sou mais novo, é só mesmo absorver a experiência que ele passa e tentar fechar aquele meio, tentar colocar mais qualidade e me adaptar à função que o Rogério está passando.

Éderson também contou sobre as conversas com o técnico Rogério Ceni, que tem passado confiança para ele e outros jovens jogadores que têm tido oportunidades – Cacá, Fabricio Bruno, Rafael Santos e Mauricio, para citar alguns – na equipe profissional, além de toques relacionados ao posicionamento em campo, sempre com discrição.

– Mais taticamente (as conversas do Rogério). Mas também tenta passar confiança para a gente. Sabe que a gente que não vem jogando tanto precisa de um pouco mais de ritmo, então ele tenta passar essa tranquilidade para a gente poder fazer o melhor dentro de campo. Ele fala que não gosta de chamar na frente do grupo todo, que talvez seja uma questão individual, que ele possa ajudar cada jogador. Em grande parte das vezes é taticamente mesmo, para ajudar na situação de poder ajustar o time.

Por fim, Éderson também comentou sobre quando ficou sabendo que seria titular contra o Palmeiras. A primeira oportunidade de iniciar jogando, desde que Ceni assumiu a equipe.

– Ele (Rogério Ceni) falou que ia começar jogando comigo. Disse para eu me manter tranquilo, para fazer o que eu vinha fazendo nos treinos, para dar meu máximo, para gastar minha energia que tivesse que gastar, porque teria gente para colocar no meu lugar se fosse preciso. Só me pediu para dar meu máximo, o meu melhor dentro de campo.