BELO HORIZONTE – O turismo de Minas Gerais apresentou uma recuperação pontual em julho. O volume de atividades turísticas no estado cresceu 2,8% em relação a junho, ligeiramente acima do avanço de 2,7% registrado no Brasil. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados pelo Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio MG.
O resultado interrompe a trajetória negativa observada no mês anterior e ocorreu durante um período tradicionalmente favorável ao turismo, marcado pelas férias escolares e pelo aumento da circulação de pessoas. Na comparação com julho de 2025, o desempenho de Minas também ficou acima da média nacional. O estado registrou crescimento de 1,8%, enquanto o volume de atividades turísticas no país recuou 1,6%. A diferença de 3,4 pontos percentuais indica que, no período de um ano, a atividade turística mineira conseguiu ampliar o volume de serviços, apesar do cenário nacional de retração.
Segundo a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, o resultado representa uma melhora no curto prazo, mas ainda não é suficiente para indicar uma recuperação consolidada do setor. “Julho mostra que existe capacidade de reação quando fatores sazonais favorecem a movimentação de pessoas e o consumo relacionado às viagens. Minas Gerais cresceu acima da média brasileira tanto no mês quanto na comparação com julho do ano passado. O ponto de atenção é que esse movimento ainda não foi suficiente para compensar as perdas acumuladas ao longo do ano”, avalia.
Queda acumulada
Apesar do avanço em julho, o cenário do turismo mineiro permanece negativo no acumulado de 2026. Entre janeiro e julho, o volume de atividades turísticas caiu 4% em Minas Gerais, enquanto a retração no Brasil foi de 1%. O desempenho coloca Minas entre os estados com resultado abaixo da média nacional no período. Na direção oposta, alguns dos principais destinos turísticos do país registraram crescimento, como Bahia (5,9%), Rio de Janeiro (5%) e Espírito Santo (2,3%).
O desempenho negativo também aparece quando considerado um período mais longo. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, Minas Gerais acumulou queda de 5,3%, o pior resultado entre os estados pesquisados pelo IBGE. No Brasil, houve crescimento de 0,6%. No mesmo intervalo, Rio de Janeiro, Bahia e Rio Grande do Sul registraram altas de 6%, 5,6% e 5%, respectivamente. “O acumulado em 12 meses é importante porque reduz o efeito de movimentos pontuais. E esse indicador mostra que Minas ainda precisa recuperar uma parcela relevante da atividade perdida. O crescimento de julho é positivo, mas precisa ganhar continuidade para alterar de forma mais consistente o desempenho do setor”, explica Fernanda.
Transporte influencia circulação de turistas
A análise da Fecomércio MG também aponta o comportamento de outros segmentos de serviços que ajudam a explicar o desempenho do turismo. Um deles é o de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, que representa 39,67% da estrutura de serviços de Minas Gerais. O segmento acumulou queda de 3,1% de janeiro a julho e de 2,7% nos últimos 12 meses. Como o transporte de passageiros está diretamente relacionado à circulação de turistas, um ritmo menor nessa atividade pode afetar o fluxo de viajantes e, consequentemente, o consumo de outros serviços ligados às viagens.
Outro indicador está relacionado aos serviços prestados às famílias, que incluem atividades de lazer, alimentação, entretenimento e outros serviços consumidos durante viagens. Em Minas Gerais, esse segmento recuou 0,6% no acumulado do ano e 0,9% nos últimos 12 meses. No Brasil, por outro lado, houve crescimento de 2,2% e 1,6%, respectivamente. “O turismo não depende apenas da chegada do visitante ao destino. Ele movimenta uma cadeia que passa pelo transporte, alimentação, lazer, hospedagem e entretenimento. Quando esses serviços apresentam menor dinamismo, o efeito acaba aparecendo também no indicador de atividade turística. Por isso, a recuperação precisa ser observada para além de um único mês”, afirma Fernanda.








