Parceria entre Samarco e UFV amplia conservação de espécies ameaçadas na Bacia do Rio Doce

FOTO: Divulgação/Samarco

VIÇOSA – Uma parceria entre a Samarco e a Universidade Federal de Viçosa (UFV) resultou na produção de conhecimento inédito sobre 22 espécies ameaçadas de extinção na Bacia do Rio Doce e contribuiu para a criação de quatro leis municipais de proteção à biodiversidade em Minas Gerais. O projeto, concluído em maio deste ano, integra as ações de reparação ambiental previstas no Novo Acordo do Rio Doce e fortaleceu iniciativas voltadas à conservação da fauna nativa.

Os resultados foram apresentados durante a reunião de encerramento da iniciativa, intitulada “Conservação e manejo de espécies da fauna ameaçadas de extinção na bacia do rio Doce”. O trabalho reuniu pesquisadores, estudantes e especialistas em conservação para ampliar o conhecimento sobre aves e mamíferos terrestres classificados em diferentes níveis de ameaça de extinção. Coordenado pelo Centro de Conservação dos Saguis-da-Serra (CCSS), da UFV, o projeto foi estruturado em três eixos estratégicos. O primeiro concentrou esforços na pesquisa e conservação da fauna do Alto e Médio Rio Doce, abrangendo o Parque Estadual Sete Salões e áreas vizinhas.

A segunda frente foi dedicada à conservação dos saguis-da-serra (Callithrix aurita) e dos saguis-da-serra-escuros (Callithrix flaviceps), com ações realizadas tanto em ambiente natural quanto em estruturas especializadas de manejo. O trabalho também incluiu estratégias para o controle de híbridos dessas espécies, uma das ameaças à sua preservação. Já o terceiro eixo promoveu atividades de ciência cidadã, educação ambiental e ecoturismo, aproximando as comunidades locais das ações de conservação e incentivando a participação da população na proteção da biodiversidade regional.

Entre os principais resultados alcançados está a geração de informações inéditas sobre a distribuição geográfica das espécies estudadas. Segundo os responsáveis pelo projeto, os dados formam uma base técnica que poderá subsidiar futuras ações de monitoramento, manejo, resgate e conservação da fauna na Bacia do Rio Doce. A iniciativa também reforçou a infraestrutura do criadouro do Centro de Conservação dos Saguis-da-Serra, ampliando sua capacidade para receber e manejar primatas ameaçados de extinção. Além disso, contribuiu para a formação de profissionais especializados, com a capacitação de pesquisadores e estudantes de pós-graduação envolvidos nas atividades.

Para a especialista do projeto pela Samarco, Andressa Gatti, a parceria evidencia o papel da pesquisa científica na preservação da biodiversidade. “Os resultados alcançados mostram como o conhecimento científico pode contribuir diretamente para a proteção de espécies ameaçadas e para o planejamento de ações de conservação de longo prazo. Ao apoiar pesquisas como esta, fortalecemos a geração de conhecimento e deixamos um legado de construção de conhecimento para a Bacia do Rio Doce”, afirma.

Impacto além da pesquisa

Os resultados do estudo também tiveram reflexos práticos fora do ambiente acadêmico. As informações produzidas pela UFV ajudaram a mobilizar comunidades e subsidiaram a aprovação de quatro leis municipais que reconheceram os saguis-da-serra como patrimônio da biodiversidade nos municípios de Itueta, Santa Rita do Itueto, Resplendor e Conselheiro Pena. Além disso, parte dos dados gerados passou a integrar oficialmente o Programa de Manejo Populacional dos Saguis, coordenado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

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