Museu de Valadares completa 36 anos no mesmo dia do aniversário de Valadares

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Além da cópia do trabalho de mestrado que passa a integrar o acervo bibliográfico do Museu da Cidade, os visitantes podem encontrar o livro de recenseamento de Figueira do Rio Doce, datado de 1930, e ainda as famosas igaçabas, urnas funerárias encontradas em uma fazenda em Pontal nas décadas de 40 e 70.FOTO: Silvana Soares
FOTO: Silvana Soares

Não é só Valadares que faz aniversário hoje. O Museu da Cidade, que foi fundado na mesma data, em 1983, pelo então prefeito José Fernandes, completa 36 anos guardando a história de Valadares. Quem visita o Museu da Cidade se encanta ao fazer uma viagem pelo tempo. São documentos, quadros, fotografias, moedas, selos, artesanato indígena (Aimoré e Krenak), peças diversas em cerâmica, objetos litúrgicos, aparelhos como TVs e rádios, máquinas de datilografia, instrumentos cirúrgicos e profissionais, livros, LPs, peças de vestuário, entre outros. A lista é enorme.

Os visitantes podem encontrar no Museu o livro de recenseamento de Figueira do Rio Doce, datado de 1930, que registrou uma população de 2.103 habitantes; originais do jornal “O Lábaro” (1930) e cópias de “A Voz do Rio Doce” (1948); foto do nosso primeiro prefeito, Moacyr Paletta, durante o discurso de emancipação política da cidade; uma cópia da planta de Valadares datada de 1930; entre outros documentos e peças. No museu existe também um abaixo-assinado feito pelas mulheres de Figueira solicitando a emancipação de Valadares, o que demonstra que já naquela época elas mostravam sua força perante a sociedade.

Entre os itens que chamam muito a atenção dos visitantes estão as igaçabas, conhecida como urnas funerárias. “As igaçabas atraem muito o interesse dos visitantes, porque muitos não conhecem a cultura dos índios que habitavam a nossa região. Os índios utilizavam as igaçabas para fazer enterros; eram urnas funerárias. Segundo estudos, elas têm aproximadamente mais de 300 anos de existência e muito provavelmente elas antecedem até a presença dos índios botocudos aqui na região. Estudos feitos apontam que as igaçabas foram encontradas em uma fazenda na região de Pontal nas décadas de 40 e 70”, conta Josmar.

“Todo esse material, entre outros existentes no Museu da Cidade, remetem aos 81 anos de história da emancipação política de Governador Valadares e se encontram preservados em nosso museu, que tem o compromisso em preservar, divulgar, buscar, conservar, estudar e expor objetos de interesse duradouro ou de valor artístico, histórico e cultural”, comentou o gerente do museu.

Ele conta que o Museu da Cidade teve um número recorde de visitantes. Ele acredita que esses números se devem ao fato de as pessoas não mais verem o museu somente como amontoado de coisas velhas e sim um lugar de discussão. “Pelas ações que desenvolvemos em 2018, como rodas de conversa, onde fizemos homenagem aos esportistas da cidade e sobre a imprensa valadarense, foi interessante porque trouxemos o público para reflexão, discussão. Trouxe o público também para conhecer um pouco da história. Outra ação que deu muito certo foi o projeto ‘Bom Passeio’, por meio do qual as escolas trouxeram alunos para conhecerem o museu e os bens tombados e alguns outros locais turísticos da cidade. Essas ações permitiram que tivéssemos público recorde no museu. Foram quase quatro mil pessoas visitando o nosso museu.

“Estamos à disposição de todos aqueles que desejam conhecer um pouco mais dessa história, relembrar o passado, realizar pesquisa ou, simplesmente, fazer uma viagem no tempo por meio de fotos, documentos e objetos que registram a criação, o crescimento e o progresso de nossa cidade”, convida Josmar.

O Museu da Cidade fica na rua Prudente de Morais, 711, Centro. Funciona de segunda a sexta, das 8h às 18h, e aos sábados, das 8h às 13h. É aberto a todos e recebe visitas guiadas (grupos de estudantes, instituições, entidades etc.) com agendamento prévio pelo telefone 3271.8560. Doações podem ser feitas desde que o objeto/peça tenha uma história para contar.

Museu da cidade deve ganhar novo espaço

O museu de Valadares vai ter que encontrar um novo espaço para guardar com segurança a história da cidade. A medida foi tomada depois do incêndio de grandes proporções que atingiu o Museu Nacional, instalado na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, Zona Norte do Rio de Janeiro, no dia 2 de setembro de 2018, ano em que completou 200 anos. A instituição, que tinha um acervo de 20 milhões de itens, sofria com falta de reformas e enfrentava problemas de orçamento.

Segundo o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), o incêndio que destruiu o Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é a maior tragédia museológica do país, considerada uma perda incalculável para o patrimônio científico, histórico e cultural. Para o Ibram, o maior desafio dos museus é consolidar e implementar uma política pública que garanta, de forma efetiva, a manutenção e a conservação de edifícios e acervos do patrimônio cultural brasileiro.

Em relação à estrutura do museu em Valadares, Josmar ressalta que na época do incêndio do Museu Nacional, o local passou por vistorias do Corpo de Bombeiros, ocasião em que ficou constatado que não é seguro para guardar todo o acervo histórico da cidade e região. “Estamos nesse local há 16 anos e existe uma preocupação muito grande com a segurança do nosso acervo, principalmente depois que aconteceu aquela tragédia no Museu Nacional. Foi criado no Estado, através do Sistema Estadual de Museus, uma força-tarefa justamente para analisar atuações dos museus, aí os bombeiros vieram, fizeram uma avaliação e detectaram que realmente, devido ao tempo desse imóvel, ele não está devidamente adequado. Essa situação já foi passada para a administração e para o Secretário de Cultura. A ideia agora é localizar um outro imóvel, para fazermos a mudança do local dentro das normas que a lei determina”, conclui Josmar Coelho.