José Altino Machado lança “Os Bundas Doidas” em Valadares e retrata vivências na Amazônia

José Altino Machado lança “Os Bundas Doidas” em Valadares e retrata vivências na Amazônia
FOTO: Fábio Velame/DRD

GOVERNADOR VALADARES – O jornalista e escritor José Altino Machado lança nesta quarta-feira (27), às 19h, o livro “Os Bundas Doidas”, na Galeria Monhangara, no Teatro Atiaia, em Governador Valadares. A obra reúne crônicas que retratam a Amazônia em meio a um período de intensos conflitos sociais, econômicos e territoriais.

Escritas entre 1997 e 1998, as crônicas registram um cenário marcado por disputas entre garimpeiros, mineradoras e o Estado, além do avanço do tráfico de drogas na região da Amazônia. Nesse contexto, o autor constrói uma narrativa que expõe a complexidade amazônica sem idealizações e aproxima o leitor de situações vividas no cotidiano da floresta.

Ao longo de 378 páginas, José Altino apresenta personagens reais, como garimpeiros, migrantes, empresários, agentes públicos e populações tradicionais. Dessa forma, ele compõe um retrato plural da região e evidencia contradições que ainda ecoam no presente.

Além disso, a obra propõe uma reflexão sobre a permanência dessas tensões. O autor reforça a ideia de que, na Amazônia, o passado não se encerra: ele continua influenciando disputas, interesses econômicos e decisões políticas que moldam o território.

De acordo com José Altino Machado, ele apresenta uma obra baseada na experiência direta e na observação da realidade amazônica ao longo de décadas. Seu relato tem caráter documental, valorizando o vivido.

““O livro não é um romance, drama e nem uma história de amor, é uma história contada, é uma história de vida, é diferente. No livro eu narro o que vi e principalmente o que aprendi nessa terra que é a Amazônia. São 24 horas de voo e praticamente 47 anos que estou aqui. Eu conto o que vi e vivi, não é nada inventado e nem sonhado.”

Curiosidade sobre o título do livro

O título do livro “Os Bundas Doidas” tem origem em um episódio curioso vivido na Amazônia, marcado pelo contato entre os indígenas Yanomami e garimpeiros. Segundo o autor, a expressão surgiu de uma situação inusitada que acabou se tornando apelido e referência.

“A curiosidade do título se deve ao fato de que os indígenas eram muito curiosos sobre os afazeres da gente, então observavam bastante tudo o que fazíamos. Um indígena acabou flagrando um garimpeiro transando e, ao ver as nádegas, saiu gritando: ‘bunda doida, bunda doida’, apelido que persiste até os dias de hoje.”

Paixão pela Amazônia e amor por Governador Valadares

José Altino Machado destaca, ao falar sobre o lançamento de seu livro, a ligação entre suas vivências na Amazônia e suas raízes em Governador Valadares. Ele reforça tanto o valor de suas experiências na floresta quanto o vínculo afetivo com sua cidade natal, e deixa o convite para todos participarem do lançamento do livro.

“Valadares é minha terra natal. Queira ou não queira, eu tenho paixão pela Amazônia, mas o meu amor é por Governador Valadares. Sou filho daqui, vivi aqui. Se lá eu vivi no meio de uma floresta natural, aqui eu fiz uma floresta, um pouco da minha responsabilidade, que é a segunda maior floresta urbana proporcionalmente falando. Estão todos convidados para o lançamento. Antes do lançamento terá a participação do doutor Mauro Bonfim, que também vai estar lá. Vou falar um pouco das minhas experiências sobre a Amazônia e o que isso significa.”

SOBRE O AUTOR

José Altino Machado tem 84 anos e atua como jornalista e escritor. Como aviador civil, acumula mais de 24 mil horas de voo, sendo mais de 12 mil delas sobre a Amazônia. Participou diretamente da aviação no garimpo de Serra Pelada e acompanhou de perto um dos períodos mais marcantes da história recente do país.

Ao longo da carreira, Machado exerceu liderança social e política na Amazônia Legal. Ele fundou a União dos Sindicatos de Garimpeiros da Amazônia Legal (USAGAL) e participou de debates nacionais e internacionais sobre mineração, migração, desenvolvimento e meio ambiente. Também integrou o Conselho Superior de Minas do Ministério de Minas e Energia e colaborou com a Assembleia Nacional Constituinte de 1988.

Como liderança sindical, concedeu entrevistas a diversos veículos como Veja, IstoÉ, Carta Capital, Manchete e Playboy, além de emissoras como TV Globo, SBT e Bandeirantes, e participou do programa “Cara a Cara”, com Marília Gabriela.

Atualmente, Machado preside a Fundação Instituto Meio Ambiente e Migração da Amazônia (FINAMA).

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