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Diego Costa tem ligação com chefe de esquema de apostas, aponta inquérito

SÃO PAULO, SP, E MACEIÓ, AL (FOLHAPRESS) – O elo entre Diego Costa, jogador do Atlético-MG, e o suposto esquema ilegal envolvendo uma empresa de apostas esportivas se dá pelo cunhado do jogador e a irmã de um empresário apontado como chefe da operação, segundo inquérito da Polícia Federal. Na última quinta-feira (30), a PF de Sergipe deflagrou a segunda fase da Operação Distração. O foco é na empresa Esportenet, com sede em Aracaju.

O inquérito investiga a prática de “exploração de jogos de azar, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e organização criminosa”. A ação cumpriu mandados de busca e apreensão em diversos endereços, inclusive uma casa do atleta em Lagarto (SE), sua cidade natal. A polícia ainda busca entender exatamente qual é o papel de Diego Costa no esquema, mas o inquérito já aponta indícios concretos de ligação do jogador com a empresa.

Segundo os registros da Fazenda, a Esportenet é composta por três sócios. Um deles é Reinan Nascimento, cunhado de Diego Costa, que foi alvo da primeira fase da operação, em março deste ano. Procurado pela Folha, Reinan se mostrou indignado com os questionamentos e afirmou que não queria falar sobre o tema. “Os advogados estão no processo”, disse. Quando questionado se o seu representante seria o mesmo do atleta, desligou.

A Esportenet seria uma empresa de fachada para as operações do empresário José Aparecido, conhecido como Cidão. Ele também foi alvo da Polícia Federal, que realizou mandados em uma chácara na cidade de Itabaiana (SE). A Folha teve acesso às fotos feitas pela polícia em sua residência. Além de ser uma casa de grandes dimensões, foram encontrados carros de luxo, mais de R$ 12 milhões em dinheiro vivo e geladeiras adesivadas com logo da empresa – nada registrado em seu nome, mas sempre de funcionários ou familiares.

De acordo com os registros oficiais, a função da Esportenet seria de “portais, provedores de conteúdo e outros serviços de informação na internet”. No entanto, seu site opera jogos de apostas e, em Sergipe, as atividades têm ligação também com o jogo do bicho. Diego Costa também aparece como sócio da irmã de Cidão, Jusilene, em uma ótica com sede justamente em Itabaiana.

A polícia ainda não ouviu o jogador para saber a sua versão, mas, segundo informações do inquérito, obtidas pela Folha, há indícios de movimentação financeira entre ele e Cidão. Procurado, o advogado de Diego Costa não retornou os contatos feitos pela reportagem. A Folha também não conseguiu falar com Cidão ou Jusilene. Questionado sobre o tema, o Atlético-MG, clube do jogador, disse que não vai comentar.

A PF também descobriu que Cidão e os sócios oficiais da Esportenet viajavam juntos para lugares como Londres, Montevidéu ou Hong Kong – cidades famosas pelos jogos de azar. Também foram para Curaçao, uma ilha no Caribe, reconhecida como uma espécie de paraíso fiscal para empresas de apostas esportivas e que consta como endereço do grupo Esportenet.

Segundo pessoas desse mercado ouvidas pela reportagem, o local é um dos mais fáceis do mundo para se obter uma licença para operar na atividade, mas guarda reputação de abrigar empresas menos confiáveis. É comum que grupos do ramo tenham sede lá para poder operar em países que ainda não regulamentaram as apostas esportivas, como o Brasil.

Em fóruns sobre o tema, a Esportenet e seus sites relacionados (como o BetsBola) são tidos como pouco confiáveis. A empresa já foi a patrocinadora master do time do Fortaleza, em 2020.

A ligação de Diego Costa com o caso foi revelada inicialmente pelo site ge.com, após a PF deflagrar a segunda fase da Operação Distração, na última quinta-feira (30).

Na atual fase da operação, foram cumpridos sete mandados de busca em cinco cidades: Itabaiana (SE), Lagarto (SE) e Simão Dias (SE), Salvador (BA) e São Paulo (SP). Lagarto é a cidade onde nasceu o centroavante, que se naturalizou e disputou duas edições da Copa do Mundo pela Espanha, em 2014 e 2018.

Agora, segundo o comunicado a respeito das apreensões de quinta, os policiais federais estão concentrados “no processo de evasão de divisas, com foco nos doleiros e no financiador do site de apostas”, que, segundo o inquérito, seria Diego Costa.

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