Dia Nacional do Combate ao Fumo: fumantes relatam dificuldades em abandonar o tabagismo

Uma das principais consequências do tabaco, o câncer de pulmão, é o segundo tipo mais frequente no país, atrás apenas do câncer de pele e melanoma

Neste sábado (29) é celebrado o Dia Nacional do Combate ao Fumo. De acordo com o Inca – Instituto Nacional de Câncer –, a data tem como objetivo reforçar as ações nacionais de sensibilização e mobilização da população para os danos sociais, políticos, econômicos e ambientais causados pelo tabaco. Criado em 1986 pela Lei Federal 7.488, a data inaugura a normatização voltada para o controle do tabagismo como problema de saúde coletiva.

Segundo dados do Ministério da Saúde, o câncer de pulmão, uma das principais consequências do tabaco, é o segundo mais comum no Brasil, atrás apenas do câncer de pele e melanoma. Além disso, fumantes estão mais propícios a internações no hospital, quando associado a outras doenças.

Sendo assim, a equipe do DRD conversou com fumantes e ex-fumantes, para saber como o cigarro foi apresentado na vida deles. A maioria relatou que começou fumando em rodas de amigos, apenas para se enturmarem com os demais. Entretanto, com o passar dos anos, o que era apenas hábito acabou se tornando vício. Inclusive, até para evitar o constrangimento, todos os entrevistados, apesar de aceitarem falar, preferiram não relevar a identidade.

“Comecei a fumar através de um primo, aos 15 anos de idade. Também tive influência de terceiros e de grupo de amigos. Até então, era só para entrosar com alguns amigos mais velhos. Mas, com o tempo, fui começando a gostar de fumar, utilizando mais vezes durante o dia. Fiquei alguns anos fumando. Hoje, eu não sinto mais essa vontade, só fumo quando vou em festas ou estou bebendo [cerveja]”.

Autor de 30 anos

“Eu fumei dos 16 aos 20 anos. Ainda fumo cigarro de palha quando saio para festas com amigos. Sei os malefícios que trazem, as mais de 4.700 substâncias tóxicas que aquele palito [de cigarro] carrega. É claro que a roda de amigos influencia, mas eu sempre tive contato com isso na família. Quase todos da minha família paterna são fumantes e eu cresci em um lar assim. Eu decidi parar porque ficava muito ofegante ao fazer algum tipo de atividade física. Não foi fácil parar, tanto que ainda não parei. Mas, hoje, eu só fumo quando estou bebendo.”

Autor de 21 anos

“Sou fumante há pouco mais de 8 anos. Isso começou por eu ir na pilha dos outros. Não fumo todos os dias, mas sei que aumentei a intensidade de cigarros que consumo, desde quando comecei. O resultado eu vejo quando vou jogar futebol com os amigos. Sempre fico mais ofegante que os outros e não aguento jogar os 60 minutos sem parar. Apesar disso, eu não me considero um viciado. Sei que posso me tornar, mas, por enquanto, é apenas um hábito.”

Autor 26 anos

“Na juventude, eu fumava com alguns amigos que tinha, mas não comprava, só serrava o fumo deles. Era isso no começo, fumava só aos finais de semana e com amigos. Os anos foram se passando, eu me mudei para os Estados Unidos e lá, era gerente de uma loja. Praticamente todos os funcionários fumavam lá e, para me agradar, sempre chegava um ou outro me oferecendo o cigarro já aceso.Sendo assim, eu voltei a fumar e fiquei por alguns bons anos fumando todos os dias. Lá para os meus 45 anos, após conhecer minha atual esposa, que, finalmente, consegui largar o tabaco, mas não foi fácil. Tive muitos malefícios enquanto usei [o tabaco]. Agora, se terei outros problemas, só o futuro me dirá.

Autor 56 anos

“Eu ainda sou fumante, mas tento diminuir. A minha história não deve ser muito diferente das outras pessoas. Comecei [a fumar] no Ensino Médio, apenas para chamar atenção ou tentar ser mais descolado. Ao passar a fase da escola, percebi que já fumava para controlar minha ansiedade e isso foi se tornando um hábito cada vez mais presente na minha vida. Com o passar dos anos, eu sentia que o efeito do tabaco no meu corpo não era mais tão intenso quanto antes, por isso, passei a fumar mais e mais. Hoje, eu tenho problemas respiratórios, que foram provocados pelo tanto que fumei. Consigo parar? Não. Entretanto, há alguns meses tenho diminuído a quantidade, até que um dia eu pare de vez. Se for parar e pensar bem, são cerca de 5 mil substâncias tóxicas entrando no seu corpo diariamente. Isso não pode ser algo bom.”

Autor de 51 anos

Para ajudar na conscientização da data, o DRD separou algumas dicas, também disponíveis no site do Inca, para ajudar as pessoas que desejam se livrar do cigarro. Então, o fumante já deve ficar ciente de algo: tabagismo é uma doença. Por isso, a pessoa pode apresentar sintomas desagradáveis quando ficar sem fumar por algum tempo.

Parada gradual

A parada gradual é a mais indicada aos que querem largar o tabaco. Ela consiste na pessoa reduzir a quantidade de cigarros que fuma ao dia. Entretanto, o processo deve ser feito em no máximo duas semanas. Dentro deste método, também é aconselhado que o fumante adie a hora em que vai fumar o primeiro cigarro diário. Vale ressaltar que os benefícios da parada são imediatos, visto que, após 12 a 24 horas sem fazer uso do tabaco, os pulmões já funcionam melhor.

Evite o tabagismo passivo

O tabagismo passivo é a inalação da fumaça de derivados do tabaco por pessoas não fumantes que convivem com fumante. A poluição decorrente dessa fumaça em ambientes fechados é denominada de Poluição Tabagística Ambiental (PTA) e, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é a maior responsável pela poluição em ambientes fechados, e a terceira maior causa de morte evitável no mundo.

O que causa o vício?

A maioria dos fumantes torna-se dependente antes dos 19 anos de idade. O componente químico com mais chances de provocar esse vício é a nicotina. Por isso, se deseja parar de fumar, procure por cigarros que não contenham a substância. Atualmente, é possível encontrar diversos tipos de cigarros: sem nicotina, sem alcatrão e, até mesmo, sem o próprio tabaco.

Fumantes devem ficar atentos com a Covid-19

Fumar aumenta o risco de contrair infecções bacterianas e virais, como a Covid-19. Este é o alerta feito pelo Inca, que, em março deste ano, divulgou uma nota técnica alertando a população sobre os riscos do tabagismo e do uso e compartilhamento do narguilé para a infecção pelo coronavírus. De acordo com o Instituto, as chances de agravamento da doença em pacientes chineses foram 14 vezes maiores entre as pessoas com histórico de tabagismo, quando em comparação com aquelas que não fumavam.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

LEIA TAMBÉM