GOVERNADOR VALADARES – A diferença entre o valor pago diariamente pelos consumidores e o preço de um produto sem a incidência de tributos foi demonstrada na prática nesta quinta-feira (28), durante a 20ª edição do Dia Livre de Impostos (DLI), realizada em Governador Valadares pela CDL-GV e CDL Jovem. A iniciativa, considerada a maior campanha nacional de conscientização tributária do varejo brasileiro, ofereceu gasolina sem impostos a R$ 3,64 o litro em um posto no bairro São Pedro.
A ação integra um movimento realizado simultaneamente em diversas cidades brasileiras e tem como principal objetivo chamar a atenção da população para o peso da carga tributária no orçamento das famílias e para os reflexos dos impostos nos preços de produtos e serviços. Os vouchers começaram a ser distribuídos às 6h, e os primeiros abastecimentos ocorreram às 7h. Ao todo, foram disponibilizados 2.359,9 litros de combustível, com pagamento exclusivamente em dinheiro ou Pix.
A técnica de informática Ângela Guasth foi a primeira motorista a abastecer. Para garantir a posição na fila, ela chegou ao local às 4h30. Segundo ela, o valor praticado durante a campanha evidencia o quanto os impostos influenciam no preço final pago pelos consumidores. “Eu acho muito importante o que estão fazendo, lutando para que a gasolina fique sem imposto, porque na realidade está muito pesado para todo mundo”, afirmou. Ela também acredita que a elevada carga tributária afeta outros produtos e impacta significativamente o orçamento familiar. “Afeta bastante”, resumiu.



A aposentada Geralda Batista também aproveitou a oportunidade. Moradora da região, ela contou que decidiu participar após ver a divulgação da campanha. “A gente gasta muito, o combustível está muito alto e nós não podemos perder essas oportunidades de aproveitar um dia sem imposto”, disse. Para ela, a redução do preço representa um alívio para os motoristas que dependem do veículo no dia a dia.
Conscientização sobre a carga tributária
De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), o brasileiro trabalha, em média, cinco meses por ano apenas para pagar impostos. A proposta do DLI é justamente transformar números e percentuais em algo visível para a população.
A proprietária do posto participante da ação, Agatha Perim, explicou que a iniciativa busca mostrar que uma parcela significativa do valor pago pelos consumidores corresponde aos tributos incidentes sobre o combustível. “O DLI é um protesto da alta carga tributária. A CDL-GV uniu junto com a Minaspetro para mostrar para a população que o vilão do preço não é o posto, e sim o imposto. Hoje nós estamos com a gasolina a R$ 3,64 justamente como forma de protesto, para mostrar para a população o que é que encarece”, afirmou.
Segundo ela, a redução dos impostos beneficiaria tanto consumidores quanto empresas do setor. Agatha destacou ainda que muitas pessoas costumam atribuir os altos preços aos postos de combustíveis, sem considerar o impacto da tributação. “Hoje a gente mostra que não é verdade. A verdade está refletida aí na bomba agora, com o valor muito mais baixo sem esses impostos”, ressaltou.
Impacto no bolso dos brasileiros
Para o diretor da CDL Jovem, Décio Pessoa, a escolha do combustível para a campanha ocorre justamente por ser um produto consumido diariamente por grande parte da população. “O combustível é para mostrar para a população o quanto impacta no bolso dela todos os dias. O nosso impacto hoje aqui é mais de 30% do valor do imposto. Então é um dia de protesto. A gente está aqui mostrando para a população o quão caro é imposto e, por isso, os preços cada dia estão ficando mais caros”, explicou.
Na avaliação da CDL Jovem, a elevada carga tributária reduz o poder de compra da população e afeta diretamente o comércio. Segundo Décio, cerca de um terço de toda a riqueza gerada no país é destinada ao pagamento de impostos. “É claro que o imposto deve existir. A gente não discorda disso. A gente discorda da alíquota, que é muito alta. A gente tem que brigar para reduzir o imposto, para a população ter mais dinheiro e consumir mais, o que vai gerar mais dinheiro também para o governo, porque vai ter um consumo maior”, argumentou o diretor.
Questionado sobre a reforma tributária aprovada recentemente, Décio avaliou que as mudanças são necessárias para simplificar o sistema brasileiro de arrecadação. Segundo ele, a atual estrutura é complexa e gera dificuldades até mesmo para profissionais da área contábil. Apesar disso, ele pondera que os efeitos concretos da reforma ainda dependerão da implementação gradual das novas regras. “Nós só vamos sentir na prática a partir de 2027 e 2028, quando as mudanças começarem a entrar em vigor. O processo de adaptação vai até 2032. A expectativa é que o sistema fique mais simples e mais fácil de entender”, afirmou.










