Ex-governador afirmou que decisão foi motivada pela situação do estado e pela intenção de fortalecer o PSDB no cenário nacional; candidatura integra chapa liderada por Alexandre Kalil
BELO HORIZONTE – O ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves anunciou nesta sexta-feira (28), em Belo Horizonte, que disputará uma das duas vagas de Minas Gerais no Senado Federal nas eleições de 2026.
O anúncio foi feito durante um encontro que reuniu dezenas de lideranças do PSDB e do PDT. Aécio estava acompanhado, entre outros dirigentes, pelos presidentes estaduais das duas siglas: o deputado federal Paulo Abi-Ackel, do PSDB-MG, e o deputado federal Mário Heringer, do PDT-MG.
Segundo Aécio, a decisão representa uma mudança nos planos que havia anunciado anteriormente. O ex-governador afirmou que pretendia se dedicar à reconstrução nacional do PSDB, partido que preside, mas decidiu retornar à disputa eleitoral após receber apelos de lideranças políticas e diante do que classificou como a gravidade da situação enfrentada por Minas Gerais.
“Mudei de rota com um sentimento muito profundo de responsabilidade com Minas Gerais. Volto ao jogo, volto à disputa eleitoral, por responsabilidade para com Minas Gerais e por ter a consciência de que eu posso, sim, ajudar Minas a enfrentar e superar suas gravíssimas dificuldades. Que o povo diga o que acha dessa decisão”, declarou.
Aécio Neves afirmou que sua candidatura terá como uma das prioridades a retomada da estabilidade econômica e do protagonismo político de Minas Gerais. Outro objetivo, segundo ele, será fortalecer o PSDB e ampliar o espaço político do centro no cenário nacional.
“A primeira razão e a maior de todas sempre será Minas Gerais. Chegamos numa situação quase que inadministrável no nosso Estado. Mas existe uma segunda razão, não menos importante. Acredito que no Senado, e presidindo o PSDB, eu terei melhores condições de articular, sim, um projeto para 2030 ao centro, realista, um projeto que olhe o Brasil para o futuro, sem extremismos, sem essa radicalização pueril, essa radicalização penosa que tomou conta da política brasileira”, afirmou.
Chapa liderada por Alexandre Kalil
Senador por Minas Gerais entre 2011 e 2018, Aécio Neves também foi eleito governador do estado por duas vezes e exerceu seis mandatos como deputado federal.
A nova candidatura ao Senado integra a chapa liderada pelo ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, candidato ao Governo de Minas Gerais.
Em sua fala, Aécio afirmou que havia tomado a decisão de se concentrar na reorganização e no fortalecimento do PSDB, mas que mudou de posição diante dos pedidos recebidos de diferentes regiões do estado.
“Quero ser muito direto e claro com cada um dos mineiros e das mineiras. Eu havia tomado uma decisão, uma decisão serena, refletida, de me dedicar, nos próximos anos, à recuperação do espaço político do centro do Brasil, através da presidência do PSDB, que exerço hoje. A partir dessa decisão, que eu, inclusive, comuniquei a toda Minas Gerais, passei a receber todo tipo de apelo, todo tipo de pedido à reflexão para que, nesse momento tão difícil, tão duro, porque passa Minas Gerais, eu, de alguma forma, me dispusesse a cooperar mais ou a participar mais desse processo. Eu quero dizer que, depois, sobretudo do desprendimento do PDT e do meu partido, PSDB, da Federação PSDB-Cidadania, eu quero anunciar aqui hoje que mudei de rota”, declarou.
Frente por Minas
Aécio inicia a campanha por Belo Horizonte e deve retomar, a partir da próxima semana, encontros com prefeitos, vereadores, deputados e outras lideranças políticas.
Entre os principais temas apontados pelo ex-governador está a situação da dívida de Minas Gerais com a União e as negociações relacionadas ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
Aécio afirmou que pretende atuar no Senado para fortalecer a articulação política de Minas durante as negociações com o Governo Federal.
“O Senado é mais vital do que nunca para que nós possamos rediscutir a negociação da dívida do estado. É no Senado Federal que vamos enfrentar uma imposição que já se apresenta como a valorização ou a avaliação dos ativos colocados à disposição do governo federal na negociação do Propag, que naturalmente o Governo Federal buscará subavaliá-los. Se nós não tivermos uma articulação sólida e forte no Congresso Nacional, já começaremos esse debate inferiorizados”, afirmou.
Segundo ele, os valores pagos pelo estado poderão aumentar nos próximos anos, comprometendo recursos que poderiam ser destinados a áreas como saúde, educação e segurança pública.
“Já pagamos hoje pouco mais de 100 milhões de reais mensais, a partir da negociação do Propag. Em cinco anos, isso vai chegar a 500 milhões. Se eleito senador, no dia seguinte, estarei articulando as bancadas de todos os outros estados para pressionarmos o governo federal para uma negociação que respeite a necessidade de Minas continuar investindo na saúde, na educação e na segurança pública”, disse.
Campanha respeitosa
Ao falar sobre a disputa eleitoral, Aécio declarou que pretende realizar uma campanha de respeito aos demais candidatos.
“Tenho enorme respeito por todos os candidatos que estão colocados ao Senado, ao Governo, à Câmara nessa eleição. Simplesmente se colocar como candidato já é um gesto de muita coragem e eu cumprimento a todos”, afirmou.
O ex-governador disse ainda que não considera os demais concorrentes seus adversários pessoais e apontou os problemas enfrentados por Minas Gerais como o principal desafio da campanha.
“Olho para o lado, não vejo nenhum dos nomes colocados para o Senado adversários meus, nenhum deles, nem aqueles colocados mais à esquerda ou mais à direita. Nosso adversário maior é a situação gravíssima porque passa Minas Gerais e temos, independentemente de partidos políticos, que estar à disposição da solução desses problemas.”







