Rio Doce: a história que corre pelas veias de Valadares

FOTO: Flávio Mota/TV Leste

GOVERNADOR VALADARES – Foi às margens do rio que surgiu o antigo Porto das Canoas, pequeno vilarejo que, anos depois, daria origem à cidade. Desde então, a história de Valadares se mistura às águas que cortam o município e seguem por centenas de quilômetros até o Espírito Santo.

Com mais de 850 quilômetros de extensão, o Rio Doce nasce em Minas Gerais, na divisa entre os municípios de Ponte Nova, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado, e percorre também o Espírito Santo, até encontrar o Oceano Atlântico, em Regência (ES). Pelo caminho, alimenta comunidades, movimenta atividades econômicas e faz parte da paisagem de milhões de brasileiros.

IMAGEM: @riversurfgv

Um rio que reúne vidas

A bacia hidrográfica do Rio Doce reúne cerca de 3,5 milhões de habitantes, distribuídos por 228 municípios — 200 em Minas Gerais e 28 no Espírito Santo.

Em Governador Valadares, o rio ganhou ainda outras vocações. Para além da pesca, da contemplação e das atividades agropecuárias, suas águas também se transformaram em espaço para o esporte e a aventura.

É no Rio Doce que atletas praticam o surfe de rio, modalidade que ganhou destaque com nomes como Paulinho Guido, e onde gerações de canoístas encontraram um cenário para treinar e competir.

Entre esses atletas está Sebastian Cuattrin, que levou o nome de Governador Valadares para o cenário olímpico. Hoje, William Huck representa a cidade em competições internacionais.

De Minas ao Espírito Santo

O Rio Doce nasce em território mineiro e percorre os dois estados até desaguar no litoral capixaba, onde é o maior rio do Espírito Santo.

Em Minas Gerais, é o quinto maior rio do estado, atrás dos rios São Francisco, Grande, Paranaíba e Jequitinhonha.

Seu tamanho ajuda a explicar a importância que ele possui para as comunidades instaladas ao longo de seu curso.

Mas a grandiosidade do Rio Doce também o tornou testemunha de um dos maiores desastres ambientais da história brasileira.

A lama que mudou o rio

Em 2015, o Rio Doce enfrentou sua maior tragédia.

O rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, lançou uma enorme quantidade de rejeitos de mineração no sistema do rio. A lama percorreu seu curso e provocou impactos ambientais, sociais e econômicos que chegaram até o Espírito Santo.

Quase 11 anos depois, as marcas daquela tragédia ainda fazem parte da história do Rio Doce.

Mas o rio também é uma história de resistência.

Recuperação é palavra de ordem

A recuperação do Rio Doce é gradual e envolve ações de saneamento, recuperação ambiental e monitoramento da qualidade da água.

Entre as expectativas para os próximos anos está a ampliação do tratamento de esgoto. A meta é que, até 2033, todo o esgoto que hoje é lançado no rio seja tratado.

É um desafio gigantesco, mas também uma oportunidade de transformar a relação das cidades com o rio.

Muito mais do que água

Para quem nasceu ou vive em Governador Valadares, o Rio Doce não é apenas um elemento da paisagem.

Ele está na história da cidade, nas lembranças de infância, no esporte, nas fotografias, nas histórias de pescadores e na própria imagem de Valadares.

O mesmo rio que viu surgir o Porto das Canoas atravessa hoje uma cidade completamente diferente daquela de seus primeiros tempos. E continua ali, testemunhando as mudanças e carregando consigo uma pergunta que diz respeito a todos nós: que rio queremos entregar às próximas gerações?

Falar do Rio Doce é falar de passado, presente e futuro. É reconhecer os erros cometidos, valorizar sua recuperação e entender que preservar o rio também significa preservar parte da nossa própria história.

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