Três anos depois do desastre ambiental de Mariana, desta vez a vítima é Brumadinho

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FOTO: Divulgação

Quando a barragem de Fundão se rompeu em Mariana,no dia 5 de novembro de 2015, a lama levou tudo o que tinha pelo caminho. O povoado de Bento Rodrigues desapareceu do mapa. Paracatu de Baixo e Gesteira também estavam no caminho. Mais de 50 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro vazaram, atingiram o Rio Doce, até chegar ao mar, causando a maior tragédia ambiental do país. O saldo: 19 pessoas mortas.

Três anos, dois meses e 20 dias depois do primeiro acidente, os distritos devastados ainda estão debaixo de lama. Os moradores continuam em casas alugadas. A construção de um novo distrito para substituir Bento Rodrigues estava prevista para terminar em 2019, mas foi adiada para 2020. Processos e acordos das vítimas se acumulam na Justiça.

Agora a catástrofe atinge o córrego do Feijão, distrito de Brumadinho, a menos de 200 quilômetros de Mariana. Em uma coletiva de imprensa na noite de sexta-feira, 25, o presidente da Vale, Fábio Schvartsman, disse que a prioridade no momento é o atendimento às vítimas. “A maioria dos atingidos são nossos próprios funcionários. Nós tínhamos, no momento do acidente, aproximadamente 300 funcionários, próprios e de terceiros, trabalhando no local. Os funcionários da Vale tiveram seu restaurante soterrado; isso aconteceu na hora do almoço. E o prédio administrativo também.”

De acordo com Schvartsman, existem laudos atestando que o risco de desabamento era baixo: “No dia 10 de janeiro foi feita a última leitura dos monitores; tudo normal. O último relatório enviado de auditoria externa foi no dia 26 de setembro de 2018, que atestava a perfeita estabilidade do sistema. Surpresa porque nós temos atestados de auditorias externas, feitas por empresas especializadas – inclusive alemãs -, que atestam a estabilidade dessa mina”.

Fábio Schvartsman ressaltou que o dano ambiental será menor, se comparado à tragédia de Mariana, mas a perda de vidas não: “Desta vez é uma tragédia humana, porque nós estamos falando de uma quantidade provavelmente grande de vítimas. Nós não sabemos quantas são, mas sabemos que será um número grande. E, possivelmente, o dano ambiental desta vez será menor. Como eu disse, como a barragem era inativa, o material dentro dela já era razoavelmente seco e, consequentemente, ele não tem esse poder de se deslocar por longas regiões. Então, a parte ambiental deve ser muito menor, e a tragédia humana, terrível”.