Setembro é o mês de conscientização contra o suicídio

Tanto para o psicólogo Sérgio Fonseca quanto para o coordenador de divulgação do CVV, Ronaldo Loyola, o Setembro Amarelo é para conversar sobre o suicídio e principalmente falar das maneiras de preveni-lo

O suicídio deve ser tratado como questão de saúde pública e o foco das ações desenvolvidas no Setembro Amarelo deste ano será o público jovem, em meio ao qual vem aumentando o número de casos e de tentativas de suicídio

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o suicídio é a única causa de mortalidade que não teve redução no número de casos nos últimos 50 anos. Porém, mesmo que o assunto ainda seja tabu, a divulgação de informações sobre o tema é uma das principais formas de combater o problema. A campanha Setembro Amarelo, criada em 2014 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), tem o intuito de conscientizar sobre a prevenção do suicídio, com o objetivo de alertar toda a população sobre o assunto. Em Governador Valadares, o CVV não tem medido esforços para que a prevenção contra o suicídio seja tema de discussão durante todo o ano.

A cada 45 minutos um brasileiro tira a própria vida. Esse número já deveria ser suficiente para estimular as pessoas a se mobilizarem pela prevenção dessas mortes precoces, mas, apesar dos avanços, os tabus, preconceitos e vergonha ainda são adversários nessa luta. A morte em si já é um tabu. Morte por suicídio é ainda mais complicado, pois toca em questões de escolhas, crenças e barreiras sociais.

Durante todo o mês de setembro, diversas ações serão desenvolvidas em todo o Brasil, no movimento Setembro Amarelo, para despertar a atenção da população para esse problema. O suicídio é um assunto complexo, pois ninguém se mata por um único motivo, mas a prevenção é possível e algumas ações podem ser feitas por todas as pessoas. Permitir que as pessoas desabafem e falem sobre seus sentimentos sem receber críticas é um meio de evitar que se busque na morte a solução para suas dores.

O psicólogo Sérgio Fonseca explica que falar do suicídio é uma coisa muito delicada. Antes de tudo, vários tabus devem ser quebrados. “O Setembro Amarelo é importante para conversarmos sobre o suicídio e principalmente falar das maneiras de preveni-lo. Entre essas maneiras estão falar e receber a atenção as pessoas. Tem gente que dá alguns sinais e nós não observamos. Por exemplo: ‘se eu pudesse acabar com minha vida’, ‘gostaria de sumir’. Essas falas são comuns para alguém que tem o interesse em cometer o suicídio. Então, a família deve estar muito atenta com essas falas. Ter o mês de setembro voltado para a conscientização e prevenção ao suicídio é fantástico. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a cada 40 segundos uma pessoa morre por suicídio. Isso significa que 800 mil pessoas perdem sua vida através do suicídio no ano. Temos em Valadares e em todo o país o CVV, para onde as pessoas podem ligar. Temos o sistema de saúde com profissionais para ajudar. O fato é que temos que conversar, prevenir essas tragédias que vêm acontecendo. Essas pessoas não tiram a vida porque querem, mas porque têm uma doença. O objetivo delas é acabar com a dor e não com a vida.”

Em junho deste ano, o CVV lançou uma série de vídeos de prevenção ao suicídio entre jovens e adolescentes, faixas etárias em que mais cresceram os índices no país. É uma iniciativa para permitir que toda a população participe da causa e possa se capacitar para identificar sinais, pedir e oferecer ajuda. Os vídeos estão disponíveis no YouTube e para download no site do CVV.

Para Ronaldo Loyola, coordenador de divulgação do CVV em Valadares, esses vídeos lançados pelo CVV nacional, de jovens falando para jovens, vieram para conscientizar sobre o suicídio e a automutilação, crescente no meio de crianças e jovens. “Neste ano os voluntários do CVV já estão fazendo palestras nas escolas e nas empresas. No dia 10, que é o dia mundial da prevenção do suicídio, estaremos fazendo um trabalho de conscientização na praça dos Pioneiros, das 14h às 18h, junto com a Unipac e a Secretaria Municipal de Saúde. Temos que agradecer todos nossos os parceiros, que são parceiros pela vida. Sem eles, nosso trabalho não seria possível.”

Neste ano, diversos fatores levam a crer que o movimento Setembro Amarelo terá alcance recorde. As ações serão compartilhadas nas mídias sociais do movimento (Facebook e Instagram), identificados como @setembroamarelo. Fotos e vídeos de iniciativas por todo o país podem ser enviadas para esses canais, a fim de estimular mais pessoas a aderirem à causa.

por Angélica Lauriano | angelica.lauriano@drd.com.br