Família Azul: como o autismo de Sara transformou a vida dos pais

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A pequena Sara ao lado dos pais, Wladmy e Kelly, antes de ser diagnosticada com Transtorno de Espectro Autista. FOTO:Divulgação.

Tornar-se mãe e pai, naturalmente, não é uma tarefa simples. E quando isso envolve aprender a lidar diariamente com uma condição única – e em alguns casos até um tanto instável -, o desafio dobra. Foi o que aconteceu com a família Wladmy Siqueira Pires e Kelly de Oliveira Pires, pais de Sara de Oliveira Pires, de três anos.

Há cerca de um ano e seis meses, o bombeiro militar Wladmy e a esposa Kelly saíram do consultório médico com uma perspectiva diferente da que tinham quando entraram. O diagnóstico confirmou o que as suspeitas já indicavam. A pequena Sara, na época com 1 ano e 6 meses, foi diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), ainda sem definição do grau, pela pouca idade. A notícia, a princípio, veio como uma bomba disparada contra todas as perspectivas que a mamãe e o papai de primeira viagem haviam projetado para a filha. “Não foi uma notícia fácil. Como eu e a Kelly não sabíamos muito sobre o autismo, bateu um certo desespero. Mas, ao invés de viver o luto, resolvemos buscar informações e tentar dar uma vida maravilhosa para nossa filha. Ficar em casa e chorar não iria ajudar em nada, e a Sara, mais do que nunca, precisava da gente.”

Depois de um ano e seis meses de tratamento e muita dedicação, os pais de Sara já começam a colher os frutos. “Sara hoje é uma menina que já interage com outras crianças, o relacionamento dela comigo e a minha esposa mudou muito. Antes a Sara estava perto de outra criança, mas estava longe ao mesmo tempo. Hoje ela brinca e se diverte. Não tem dinheiro que paga ver nossa filha tendo uma vida de alegria.”

A vida dos pais de Sara mudou completamente. Hoje eles tentam ajudar outras famílias que ainda não têm tanta experiência e mostrar que a vida não acabou, que a criança com autismo pode ter uma vida igual à das outras crianças. Eles acreditam que foram escolhidos por Deus para ser os pais da Sara e estão felizes com a missão. “Hoje dedicamos 100% a Sara. Decidi fazer parte da AMA para poder ajudar outras famílias, e isso tem sido gratificante. Eu e minha esposa fazemos acompanhamento psicológico, e isso tem sido essencial para o tratamento da Sara. Posso dizer, sem problema algum, que somos uma família mais unida e mais feliz depois do diagnóstico da Sara”.

Entenda o autismo

O autismo pertence a um grupo de doenças do desenvolvimento cerebral conhecido por Transtornos de Espectro Autista – TEA. Alguns dos sintomas do autismo são: fobia, agressividade, dificuldade de aprendizagem e dificuldade de relacionamento. No entanto, vale ressaltar que o autismo é único para cada pessoa. Existem vários níveis de autismo, até mesmo pessoas que apresentam o transtorno, mas sem nenhum tipo de atraso mental.

O autismo faz parte de um grupo de desordens do cérebro chamado de Transtorno Invasivo do Desenvolvimento (TID), também conhecido como Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD). Para muitos, o autismo remete à imagem dos casos mais graves, mas há vários níveis dentro do espectro autista. Nos limites dessa variação há desde casos com sérios comprometimentos do cérebro, além de raros casos com habilidades mentais, como a Síndrome de Asperger (um tipo leve de autismo), atribuído inclusive aos gênios Leonardo da Vinci, Michelângelo, Mozart e Einstein.

Mas é preciso desfazer o mito de que todo autista tem um “superpoder”. Os casos de genialidade são raríssimos. A medicina e a ciência, de um modo geral, sabem muito pouco sobre o autismo, descrito pela primeira vez em 1943 e somente em 1993 incluído na Classificação Internacional de Doenças (CID 10) da Organização Mundial da Saúde como um Transtorno Invasivo do Desenvolvimento. Muitas pesquisas ao redor do mundo tentam descobrir causas, intervenções mais eficazes e a tão esperada cura.

Atualmente, diversos tratamentos podem tornar a qualidade de vida da pessoa com autismo sensivelmente melhor. E vale destacar que o neurocientista brasileiro Alysson Muotri conseguiu um primeiro passo para uma possibilidade futura de cura, em seu trabalho na Califórnia (EUA). Ele curou um neurônio autista em laboratório e trabalha no progresso de sua técnica na Universidade de San Diego. Tão importante quanto descobrir a cura é permitir que os autistas de hoje sejam incluídos na sociedade e tenham mais qualidade de vida e respeito.

Audiência pública

Na quinta-feira, 27, foi realizada na Câmara de Vereadores uma audiência pública, proposta pela vereadora Iracy de Matos, que discutiu a inclusão social das pessoas especiais e os impactos na rede municipal de ensino. O auge da discussão foi o compartilhamento de monitores. De acordo com informações da AMA-GV, há casos de monitor acompanhando três alunos. Não bastasse o quantitativo de alunos por monitor, é válido ressaltar que cada aluno tem sua particularidade, portanto, o compartilhamento é impraticável, do ponto de vista pedagógico.

Programação da AMA

  • 2 de abril – Autismo em debate, a partir das 19h, na Univale.
  • 6 de abril – Dia azul, das 8h às 11h, marcando o encerramento da Semana de Conscientização do Autismo. O evento acontecerá na Praça de Esportes, com pula-pula, pipoca, algodão doce e corte de cabelo.