Quando chegou ao Senado, em 1974, o gaúcho Pedro Simon estreou sob o signo da dúvida: como se deveria pronunciar corretamente o seu sobrenome? A pergunta interessava até as taquígrafas. Logo no primeiro dia Simon fez um discurso, já sublinhando as frases com gestos marcantes, até teatrais. Atacava corajosamente a ditadura. O senador Jarbas Passarinho, governista, com ar grave, pediu um aparte. “Ouço o nobre senador Passarinho”, aquiesceu o gaúcho. “Gostaria que V. Exa. esclarecesse, de uma vez por todas, afinal, como devemos chamá-lo? Símon ou Simón? Seu acento é na frente ou atrás?” O plenário caiu na gargalhada. E Simon não respondeu.
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Com André Brito e Tiago Vasconcelos
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