Aos 86 anos, político retorna ao cargo defendendo união e reconstrução da cidade
GOVERNADOR VALADARES – José Bonifácio Mourão (PL) tomou posse na manhã desta sexta-feira (15) como novo prefeito de Governador Valadares, após a cassação do mandato de Coronel Sandro (PL), aprovada pela Câmara Municipal na noite anterior. Ele havia sido eleito vice-prefeito nas eleições de 2024 e agora assume oficialmente o comando do Executivo municipal.
A cerimônia, realizada na Câmara Municipal e aberta ao público, reuniu centenas de apoiadores e foi marcada por aplausos e homenagens ao novo prefeito, que foi ovacionado durante o evento. Aos 86 anos, completados na quinta-feira (14), Mourão retorna pela terceira vez ao comando da Prefeitura de Governador Valadares, cargo que ocupou pela última vez em 2008.
Durante entrevista após a posse, Mourão afirmou que pretende conduzir uma administração voltada às principais demandas da população. Segundo ele, as prioridades incluem a melhoria da infraestrutura urbana, com atenção ao viaduto próximo ao bairro Filadélfia, à redução dos buracos nas ruas e à limpeza da cidade. O prefeito também destacou a necessidade de investimentos na saúde, especialmente nas obras do Hospital Regional e na melhoria das condições do Hospital Municipal.
“O prefeito tem que ter essa sensibilidade. Governar não pode ser só com as ideias da gente; tem que ser com a essência das ideias do povo de Governador Valadares”, declarou.
O novo chefe do Executivo afirmou ainda que buscará recursos fora do município para viabilizar investimentos. Mourão citou a necessidade de parcerias com a Sudene, Banco do Nordeste e Vale, além da busca por recursos relacionados ao desastre de Mariana. Segundo ele, uma viagem a Brasília já está prevista para a próxima semana com o objetivo de tratar do assunto junto a deputados e senadores. “Na próxima semana mesmo, se Deus quiser, estarei em Brasília atrás desses recursos para trazer para Governador Valadares”, disse.
Sobre a relação com o ex-prefeito Coronel Sandro, Mourão afirmou que não participou do processo de cassação conduzido pela Câmara Municipal e disse manter o mesmo relacionamento pessoal com o antigo companheiro de chapa.
“Não tive o menor envolvimento no processo de cassação. Era competência da Câmara, e eu disse a ele, desde o início, que não iria me envolver”, afirmou.
Questionado sobre o secretariado, o prefeito informou que ainda não definiu nomes, mas disse que pretende montar uma equipe de confiança, formada por pessoas “trabalhadoras, honradas e dignas”. Mourão também defendeu uma relação institucional próxima com a Câmara Municipal, destacando a importância do Legislativo para a aprovação de projetos e captação de recursos.
“O prefeito precisa se relacionar com a Câmara porque a Câmara é o órgão fiscalizador, é o órgão legislativo, é um dos poderes do município”, disse.
Mourão ainda falou sobre a relação com os servidores municipais e afirmou que pretende manter diálogo com a categoria dentro dos limites orçamentários da Prefeitura. Segundo ele, reajustes e investimentos precisam respeitar a capacidade financeira do município para evitar atrasos nos pagamentos.
Fiscalização
O presidente da Câmara Municipal, Alê Ferraz (NOVO), também comentou a mudança no comando do Executivo e classificou o processo de cassação como “muito triste para a cidade”. Segundo ele, a Câmara exerceu o papel fiscalizador diante de denúncias consideradas graves envolvendo contratos da administração municipal.
“O papel dela é fiscalizar, e a gente teve que fazer esse papel. Faz parte do Estado Democrático de Direito”, afirmou.
Ferraz citou questionamentos relacionados a contratos de prestação de serviços, apontando aumento nos custos e quilometragem contratada, além de investigações envolvendo notas fiscais, recursos públicos e outras denúncias em apuração pela Câmara.
O presidente do Legislativo afirmou ainda que a relação com o novo prefeito deve ocorrer de forma institucional, mantendo a independência entre os poderes. Segundo ele, a Comissão Processante aprovada pela Câmara deve ter continuidade, mesmo após a cassação do ex-prefeito.
“O nosso trabalho continua sendo fiscalizatório ao Executivo”, declarou.
Ferraz também disse que Coronel Sandro buscou judicialmente o adiamento da reunião que resultou na cassação, mas que os pedidos foram negados tanto em Governador Valadares quanto em Belo Horizonte. Segundo ele, a Câmara seguirá apurando denúncias que chegarem ao Legislativo.










