Jovem cafeicultor de Manhuaçu ganha destaque em cafés especiais

A cafeicultura faz parte da vida da família Diniz, de Manhuaçu, há quatro gerações. Mas a proposta de investir em cafés especiais chegou pelos mais jovens. A primeira a se interessar pelo novo processo foi Josiane Diniz, de 21 anos, depois o irmão mais velho, Fabiano Diniz, de 26 anos, trocou o emprego de caminhoneiro pelo sonho do café especial.

A comercialização dos grãos de qualidade superior, do café Alto da Serra, começou em 2019, mas desde 2016 os irmãos estão focados nesta missão. Os pais, Josias e Claudineia Diniz, e o avô, Adão Diniz, apoiam e incentivam o trabalho.

“Nasci no meio do café. Meu pai era comprador, na época. Eu saí porque a atividade não me interessava muito. Trabalhei no caminhão por três anos carregando café e insumos para café. Um dia pensei: ‘se for para trabalhar com café, que seja com o meu’. E voltei para casa com a intenção de fazer algo diferente, que foram os cafés especiais”, explicou Fabiano.

O café Alto da Serra foi o segundo colocado no Torneio Melhor Café Fairtrade do Brasil – Golden Cup, com nota 86,95. Além disso foi o quarto melhor café do Estado da região das Matas de Minas, no concurso de qualidade realizado pela Emater, com 89,79 de pontuação.  

“Fiquei bem colocado e este ano quero ser o campeão”, afirmou Fabiano. Após as vitórias, o café Alto da Serra começou a ser comercializado para o Japão, Dinamarca e Alemanha.

Mas grande parte dessas vendas foram feitas pelas redes sociais. Fabiano usa as plataformas para divulgar o produto e os bastidores da agricultura familiar, referência da região das Matas de Minas. Assim, o jovem consegue alcançar potenciais compradores, aproximá-los da família Diniz e fazer bons negócios.

Três gerações da família Diniz/ Arquivo pessoal

Capacitação

Fabiano é estudante de Cafeicultura no IF Sudeste e realiza treinamentos do Sistema FAEMG, oferecidos em parceria com o Sindicato dos Produtores Rurais de Manhuaçu. Já participou de cursos de Classificação e Degustação de Café, Torra e Barista. De acordo com ele, os cursos o ajudam em todas as etapas, desde o manejo na lavoura até o café chegar na xícara.

“Se eu não soubesse classificar, eu não saberia qual café é o melhor; se eu não soubesse torrar, estragaria um bom café nesse processo; e, se eu não soubesse preparar, com os ensinamentos de barista, estragaria tudo na hora de servir a bebida. Por isso aproveito todo o conhecimento que o SENAR nos traz”, disse.

ATeG

Desde o final de 2021, a família faz parte do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Café+Forte. Quem os acompanha é a técnica de campo Jéssica do Carmo. Para ela, o programa vai fortalecer o viés empresarial de Fabiano ao ajudá-lo a conhecer seus custos, e alavancar a qualidade dos cafés que eles já produzem.

“O Fabiano tem um grande potencial porque trabalha tanto nos tratos culturais quanto na comercialização. Essa característica tem feito a diferença para ele. Já estabelecemos algumas metas, que são: aprimorar o sensorial, para melhorar as notas do café, e trabalhar a nutrição e o controle de doenças, comuns na área devido à altitude”, pontuou Jéssica. 

Aliás o jovem cafeicultor já está vendo as mudanças positivas que o programa proporciona. Ainda de acordo com ele, o ATeG o auxilia a conhecer os custos de produção e administrar o negócio. 

“Organização é algo que, infelizmente, eu não tinha. Gerenciar melhor a fazenda, me ajuda a saber realmente quanto eu estou ganhando e quanto eu posso investir. Fizemos, com a técnica de campo, o resgate do custo de produção da última safra, e descobri que tiveram lotes de R$406 de custo que eu consegui vender por R$5 mil. Essa informação me animou a investir mais”, afirmou Fabiano.

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