
Evento foi o primeiro realizado após a conquista da Indicação Geográfica pela região, em fevereiro deste ano
CAPELINHA – Os melhores cafés produzidos na Chapada de Minas foram reconhecidos nessa quinta-feira (5), durante a 5ª edição do Prêmio Chapada de Minas, em Capelinha, no Vale do Jequitinhonha. O concurso recebeu cerca de 100 amostras e, durante o evento, um leilão dos cafés vencedores movimentou quase R$ 150 mil.

A edição deste ano foi a primeira realizada após a conquista do registro de Indicação Geográfica (IG) pela região, em fevereiro de 2026. A certificação reconhece a procedência dos produtos e amplia a visibilidade dos cafés da Chapada de Minas no mercado de especiais.
As amostras foram avaliadas por critérios técnicos, seguindo a metodologia de análise sensorial da Specialty Coffee Association (SCA). A escala da entidade vai até 100 pontos, e os cafés com notas a partir de 80 são classificados como especiais.
Na categoria Origens, destinada a propriedades com menos de 20 hectares, Anderson de Andrade Pires conquistou o primeiro lugar, com 87,42 pontos. Alessandro Moreira Santiago ficou na segunda posição, com 86,83, seguido por Isaque Ferreira de Souza, que obteve 86,58 pontos.

A categoria Tradições, voltada para propriedades com mais de 20 hectares, teve duas modalidades. Na Natural, Claudio Fujio Nakamura foi o vencedor, com 86,93 pontos. A Fazenda Agrofelício ficou em segundo lugar, com 86,54, e Sérgio Meirelles Filho em terceiro, com 85,82 pontos.
Já na modalidade Cereja Descascado, a Fazenda Primavera alcançou a maior pontuação, com 88,18. Luís Manuel Martins da Silva ficou em segundo lugar, com 87,04, enquanto Sérgio Meirelles Filho terminou em terceiro, com 87 pontos.
Para o produtor Cláudio Nakamura, a conquista representa também o compromisso de manter a qualidade dos grãos e buscar novos mercados. Ele destacou que a Indicação Geográfica pode ampliar as oportunidades de comercialização da produção.
Indicação Geográfica amplia reconhecimento da região
O gerente do Sebrae Minas na regional Jequitinhonha e Mucuri, Rogério Fernandes, ressaltou que o concurso incentiva os cafeicultores a aprimorar a produção e investir em novas tecnologias. Segundo ele, o processo contribui para elevar a qualidade dos grãos e fortalecer toda a cadeia produtiva.
O presidente do Instituto do Café da Chapada de Minas (ICCM), Francy Alves Santos, também destacou os reflexos do reconhecimento para o território. De acordo com ele, a Indicação Geográfica ajuda a projetar o Vale do Jequitinhonha entre as regiões produtoras de cafés de excelência e pode contribuir para o desenvolvimento de quem vive e trabalha no local.
Além dos produtores e organizadores, o evento contou com a participação de compradores do Distrito Federal, Goiás, Rio de Janeiro e São Paulo. Eles visitaram duas propriedades da região e participaram de encontros voltados à troca de experiências e à criação de oportunidades comerciais.
O Prêmio Chapada de Minas é realizado pelo Sebrae Minas e pelo ICCM. Na avaliação técnica, foram considerados dez critérios: fragrância e aroma, sabor, retrogosto, acidez, corpo, uniformidade, ausência de defeitos, doçura mínima, balanço e conceito final.
Produção chega a 900 mil sacas por ano
A Chapada de Minas está localizada entre os rios Doce, Mucuri e Jequitinhonha e reúne 22 municípios. A região produz, em média, 900 mil sacas de café por ano e conta com aproximadamente 5,8 mil cafeicultores.
As condições naturais do território, como solo rico em minerais, altitudes superiores a mil metros em algumas lavouras, clima úmido e temperaturas agradáveis, favorecem a produção de cafés especiais.
Parte dos produtores chegou à região após a “geada negra” de 1975, que atingiu cafezais no Paraná. Décadas depois, a Chapada de Minas passou a se destacar pelos grãos com características doces e achocolatadas, notas de caramelo e frutas vermelhas, além de aroma intenso, corpo aveludado e acidez equilibrada.
Em fevereiro de 2026, a região recebeu o registro de Indicação Geográfica na modalidade Indicação de Procedência (IP), concedida a territórios reconhecidos como centros de produção ou extração de determinado produto. O pedido foi apresentado ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em setembro de 2025, pelo ICCM e pelo Sebrae Minas.









