Setembro marca transição para período chuvoso na Bacia do Rio Doce

FOTO: Ilustrativa/Freepik

GOVERNADOR VALADARES – O mês de setembro deve marcar o início da transição entre o período seco e o chuvoso na maioria das regiões da Bacia do Rio Doce. Segundo previsão climática elaborada com base em dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a expectativa é de aumento dos volumes de chuva em relação a agosto, embora a distribuição das precipitações varie entre os municípios. A previsão foi interpretada pelo professor doutor Fulvio Cupolillo e pela professora doutora Daniela Cunha, do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG) – Campus Governador Valadares.

A precipitação acumulada prevista para setembro varia de 20 a 100 milímetros, dependendo da localização dentro da Bacia do Rio Doce. Na região norte da bacia, uma faixa mais estreita deve registrar entre 20 e 40 milímetros de chuva. Já em áreas do norte, como Santa Maria do Suaçuí e Governador Valadares, e em uma pequena faixa do leste, na região de Aimorés, a previsão fica entre 40 e 60 milímetros.

A maior parte da bacia, abrangendo áreas das regiões central, sul e uma pequena faixa do sudoeste, deve receber entre 60 e 80 milímetros. Nessa faixa estão municípios como Serro, Guanhães, Conceição do Mato Dentro, Itabira, Galileia, Resplendor, Belo Oriente, Ipatinga, Caratinga, Manhuaçu, Ponte Nova, Mariana e Viçosa. No sul e em parte do sudoeste da bacia, incluindo Ouro Preto, Rio Esperança e Alto Rio Doce, os acumulados podem variar entre 80 e 100 milímetros. No Parque Estadual do Rio Doce (PERD), a previsão indica volume de chuva entre 20 e 40 milímetros.

Temperaturas variam conforme altitude e relevo

As temperaturas também apresentam diferenças significativas entre os municípios da bacia. De acordo com as Normais Climatológicas do Inmet, as temperaturas máximas variam de 26,8°C, em Viçosa, a 30,9°C, em Aimorés. Já as temperaturas mínimas ficam entre 13,7°C, em Conceição do Mato Dentro, e 19,3°C, em Aimorés. Para setembro, a temperatura média prevista para a Bacia do Rio Doce varia entre 17,5°C e 25°C.

Nas áreas do sul, sudeste e em parte do noroeste, que abrangem municípios como Alto Rio Doce, Rio Esperança, Manhuaçu, Viçosa e Serro, a média deve ficar entre 17,5°C e 20°C. Em municípios como Santa Maria do Suaçuí, Guanhães, Conceição do Mato Dentro, Caratinga, Ipatinga, Itabira, Ponte Nova, Mariana e Ouro Preto, a previsão aponta médias entre 20°C e 22,5°C. Já em parte do norte e no leste da bacia, incluindo Governador Valadares, Belo Oriente, Galileia, Resplendor e Aimorés, as temperaturas médias podem variar entre 22,5°C e 25°C.

No território do Parque Estadual do Rio Doce, as Normais Climatológicas indicam um padrão de temperaturas entre 22°C e 24°C, enquanto a previsão para setembro aponta média entre 20°C e 22,5°C. As diferenças de temperatura entre os municípios estão relacionadas principalmente às características naturais de cada região. A altitude e o relevo, incluindo a inclinação e a irregularidade das encostas, influenciam diretamente nas temperaturas. A passagem de frentes frias também pode provocar quedas nos termômetros.

Setembro inicia mudança no regime de chuvas

Segundo a análise climática, setembro é considerado um mês de transição entre o período seco e o período chuvoso para grande parte das bacias hidrográficas de Minas Gerais. Nesse período, os volumes de chuva começam a aumentar em comparação com agosto, enfraquecendo gradualmente a estação seca. As precipitações, no entanto, ainda podem ocorrer de maneira irregular e estão relacionadas à combinação de diferentes sistemas atmosféricos. Entre eles estão as frentes frias e as linhas de instabilidade, além das características geográficas de cada região.

A posição de cada município dentro da bacia, especialmente em relação à latitude, altitude e relevo, influencia na formação das chuvas e ajuda a explicar por que os volumes previstos são diferentes entre as localidades. Ao mesmo tempo, setembro ainda pode registrar a atuação de sistemas atmosféricos que favorecem o tempo seco. Entre eles está o Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul (ASAS), associado à Massa Tropical Atlântica, e a Massa Polar Atlântica (MPA), também relacionada ao chamado Anticiclone Polar Migratório. Esses sistemas provocam a descida do ar atmosférico, movimento conhecido como subsidência, que dificulta a formação de nuvens e, consequentemente, reduz as condições para ocorrência de chuva. Quando permanecem atuando por períodos prolongados, esses sistemas podem contribuir para a manutenção da estiagem, trazendo impactos para atividades agrícolas e para o abastecimento de água.

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