Super El Niño coloca Vale do Rio Doce em alerta para seca, calor extremo e impactos no agronegócio

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Governador Valadares mobiliza produtores, especialistas e Defesa Civil para enfrentar possíveis efeitos do fenômeno climático previsto para 2026

GOVERNADOR VALADARES – O possível avanço de um Super El Niño em 2026 já acende o alerta em Governador Valadares e em todo o Vale do Rio Doce. Centros meteorológicos internacionais indicam que o fenômeno pode provocar temperaturas mais altas, redução das chuvas, estiagens prolongadas e eventos climáticos extremos, com reflexos diretos na agricultura, pecuária e economia regional.

Para discutir estratégias de prevenção, a Prefeitura de Governador Valadares reuniu produtores rurais, pesquisadores, cooperativas e representantes da Defesa Civil em um encontro no Café do Sindicato dos Produtores Rurais de Valadares. O principal consenso foi a necessidade de planejamento para reduzir possíveis prejuízos.

O presidente do Sindicato Rural, Edberto Rezende, ao lado do secretário de Meio Ambiente, Guilherme de Castro, do prefeito Bonifácio Mourão, do presidente do Sicoob Crediriodoce, Cantídio Ferreira, do presidente da União Ruralista Rio Doce, Marcelo Teixeira, e do presidente da Cooperativa, João Marques.

O que é o Super El Niño?

O El Niño ocorre quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial apresentam aquecimento acima da média, alterando a circulação atmosférica global.

Segundo a professora Daniela Cunha, do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), os modelos climáticos apontam para um evento de forte intensidade em 2026.

“O aquecimento das águas do Pacífico altera os padrões de chuva e temperatura em várias regiões do planeta, impactando diretamente a produção agrícola”, explica.

El Niño em números

  • Fenômeno monitorado há mais de 60 anos;
  • Associado ao aquecimento das águas do Pacífico Equatorial;
  • Pode causar secas severas e chuvas intensas, dependendo da região;
  • Especialistas classificam 2026 como um ano de risco elevado para eventos climáticos extremos.

Agricultura pode sofrer perdas

O agronegócio está entre os setores mais vulneráveis aos efeitos do El Niño. No Vale do Rio Doce, culturas como a cana-de-açúcar podem registrar queda de produtividade devido ao calor excessivo e à escassez hídrica.

De acordo com Daniela Cunha, o estresse térmico reduz o desenvolvimento das plantas e compromete a qualidade da produção.

Além das lavouras, a pecuária também enfrenta desafios. Temperaturas elevadas afetam o conforto dos animais, diminuindo o ganho de peso e os índices produtivos.

Principais riscos para o campo

  • Ondas de calor mais frequentes;
  • Redução da produtividade agrícola;
  • Escassez de água para irrigação;
  • Maior risco de incêndios rurais;
  • Aumento dos custos de produção;
  • Dificuldade no planejamento das safras.

Produção de leite também preocupa

A cadeia leiteira depende diretamente das condições climáticas. Segundo Alexandre Negri, gerente de Política Leiteira da Cooperativa Agropecuária Vale do Rio Doce, a irregularidade das chuvas afeta a produção de pastagens, milho e cana utilizados na alimentação do rebanho.

“A incerteza climática aumenta os custos, reduz investimentos e compromete a eficiência da produção”, afirma.

A redução da oferta também pode impactar os preços dos produtos lácteos.

Pequenos produtores são os mais vulneráveis

Especialistas destacam que pequenos produtores enfrentam maiores dificuldades para investir em irrigação, reservatórios e tecnologias de adaptação climática.

Para o diretor de Meio Ambiente da Prefeitura, Carlos Lucidi, a cooperação entre produtores fortalece a capacidade de enfrentar períodos críticos.

“Informação, organização e trabalho conjunto aumentam a resistência do produtor diante dos desafios climáticos”, destaca.

Como se preparar para o El Niño

Especialistas recomendam:

  • Acompanhar previsões meteorológicas;
  • Buscar orientação técnica especializada;
  • Planejar o uso da água com antecedência;
  • Investir em cultivares mais resistentes ao calor e à seca;
  • Participar de associações e cooperativas;
  • Evitar investimentos de alto risco enquanto o cenário climático estiver indefinido.

Defesa Civil alerta para incêndios e eventos extremos

Apesar da preocupação com a estiagem, o El Niño também pode provocar chuvas intensas em determinados períodos.

Segundo o sargento Igor Martins, da Defesa Civil Estadual, os eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes.

Entre os principais riscos estão:

  • Incêndios florestais;
  • Queda de árvores;
  • Danos em pontes e bueiros;
  • Interdição de estradas rurais;
  • Prejuízos ao transporte da produção agrícola.

A orientação é evitar queimadas e adotar medidas preventivas durante os períodos de seca.

Governador Valadares aposta na prevenção

A Prefeitura informou que acompanha os prognósticos climáticos e trabalha para ampliar a preparação do município.

Segundo Carlos Lucidi, a prioridade é disseminar informação e fortalecer a cultura de prevenção entre produtores e moradores.

O prefeito Bonifácio Mourão também ressaltou a importância da troca de experiências entre técnicos e agricultores para reduzir impactos econômicos e produtivos.

Cenário exige planejamento

Embora ainda exista incerteza sobre a intensidade do fenômeno, especialistas defendem que o momento é de preparação. Para o Vale do Rio Doce, antecipar ações, preservar recursos hídricos e fortalecer a cooperação entre produtores podem ser medidas decisivas para enfrentar os efeitos de um possível Super El Niño em 2026.

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