Prefeitura de Valadares apresenta balanço dos primeiros 30 dias da nova gestão e aponta necessidade de equilibrar as contas públicas

Prefeitura de Valadares apresenta balanço dos primeiros 30 dias da nova gestão e aponta necessidade de equilibrar as contas públicas
FOTO: Fábio Velame/DRD

GOVERNADOR VALADARES – A Prefeitura de Governador Valadares apresentou, na manhã desta sexta-feira (12), um balanço dos primeiros 30 dias da atual gestão. O diagnóstico realizado pela administração municipal aponta um cenário com despesas superiores à arrecadação, aumento dos gastos nos últimos anos, folha de pagamento acima do limite legal e dívidas acumuladas com fornecedores e prestadores de serviços. Diante desse quadro, a principal meta da gestão é reequilibrar as contas públicas e recuperar a capacidade de investimento do município.

De acordo com o prefeito José Bonifácio Mourão (PL), a administração promoveu um amplo levantamento em todas as secretarias municipais para identificar a real situação da Prefeitura. O trabalho revelou desafios estruturais, administrativos, financeiros e operacionais que afetam diretamente a prestação dos serviços públicos.

Os relatórios elaborados pelas equipes técnicas apontam problemas acumulados ao longo dos últimos anos, incluindo fragilidades na gestão administrativa, limitações financeiras, deficiências estruturais, demandas reprimidas e perda de oportunidades de investimentos e geração de empregos. Além disso, os levantamentos servirão como base para o planejamento das ações da atual gestão, definindo prioridades e direcionando esforços para recuperar a capacidade operacional do município.

Gasta mais do que arrecada

Entre os principais desafios identificados está o crescimento das despesas municipais em 2025 e 2026. Atualmente, a folha de pagamento consome cerca de 57% da receita corrente do município, percentual acima do limite estabelecido pela legislação. Por isso, a Prefeitura estabeleceu como meta reduzir esse índice para 54% até o fim do ano.

Segundo o relatório, a folha de maio de 2026 registrava 5.864 servidores contratados, um dos maiores números dos últimos três anos para o período. Considerando todos os vínculos da Prefeitura, o total ultrapassa 10 mil pessoas.

Outro diagnóstico foi o aumento das despesas liquidadas a pagar, que cresceram cerca de 87%, passando de R$ 45,5 milhões em 2025 para R$ 85,3 milhões em 2026. O levantamento aponta impacto direto na capacidade financeira do município. Entre os principais compromissos estão gastos de diversas secretarias, com destaque para a SMOSU, que concentra mais de R$ 31,9 milhões. Também foram identificados precatórios que somam mais de R$ 45 milhões.

O prefeito de Governador Valadares explicou que foi identificado dificuldades relevantes na geração e arrecadação de receitas, em um cenário de desaceleração da receita própria e falhas no sistema tributário municipal. Os dados do balanço fiscal mostram queda no desempenho arrecadatório em diferentes períodos, o que compromete o fluxo financeiro da administração e pressiona o equilíbrio das contas públicas.

Conforme o diagnóstico, Mourão apontou que a situação decorre também de problemas operacionais no sistema tributário, que afetaram a emissão e o processamento de tributos municipais.

“A Prefeitura encontrou dificuldades importantes na geração e arrecadação de receitas. No primeiro quadrimestre de 2025, as receitas tiveram aumento de 16,46% em relação ao mesmo período de 2024. Já no primeiro quadrimestre de 2026, a arrecadação registrou queda de 0,51% em comparação ao ano anterior, no mesmo período. O problema no sistema tributário comprometeu a emissão e o processamento dos tributos de competência do município, provocando atrasos na arrecadação própria e impactando o fluxo financeiro da administração.”

Débitos com empresas

O diagnóstico também revelou débitos expressivos com empresas prestadoras de serviços. Mourão informou uma dívida de aproximadamente R$ 22 milhões com a Rio Novo, que presta serviço de limpeza urbana. Outro problema identificado pela administração é o atraso de nove meses no repasse dos subsídios à Mobi, empresa responsável pelo transporte coletivo urbano. Segundo o levantamento, os valores em aberto somam aproximadamente R$ 14 milhões. 

O levantamento identificou ainda servidores cedidos a outros municípios e situações que contribuíram para a perda de investimentos e oportunidades de desenvolvimento econômico.

Como parte das medidas de ajuste fiscal, a Prefeitura anunciou o desligamento de 621 servidores contratados que atuavam em diversas secretarias municipais. Segundo a administração, a maioria dessas contratações ocorreu nos últimos dois anos.

Transporte escolar

O contrato de prestação do serviço de transporte escolar, firmado com a empresa responsável pela operação no município, também foi pauta da coletiva. A situação resultou em desdobramentos administrativos e políticos, incluindo o processo de cassação do ex-prefeito Coronel Sandro (PL). Diante desse cenário, a atual gestão adotou medidas para apuração dos fatos e revisão contratual, com foco na garantia da continuidade do serviço aos estudantes.”

“Já passamos para a Procuradoria-Geral para que faça um estudo no sentido de notificar a defesa para ela apresentar manifestação, mas também para avaliar a possibilidade de decreto de rescisão do contrato com essa empresa e, em seguida, realizar um pregão para contratar outra, com transparência e responsabilidade”, disse o prefeito Mourão. 

Outro ponto citado como problema foi a indicação de falhas de planejamento na aquisição de materiais escolares, com 2.250 kits ainda sem destinação, evidenciando a necessidade de maior eficiência na aplicação dos recursos públicos. 

Questionado sobre se já havia identificado as situações apresentadas no relatório, o prefeito José Bonifácio Mourão afirmou que não tinha conhecimento dos problemas. Ele destacou ainda que, durante o período em que atuou como vice-prefeito, enfrentou dificuldades de diálogo com a gestão anterior.

“Eu fiquei 1 ano e 4 meses como vice-prefeito. Falei várias vezes com o prefeito, mas ele não me ouvia. Acho que tinha experiência bastante para opinar. Tive seis mandatos como deputado, fui prefeito em dois mandatos e comecei minha vida como vice-prefeito. Falei isso com ele várias vezes. Havia um conselho municipal composto por 13 pessoas da sociedade e, na última reunião, falei na frente de todo o conselho que o prefeito não me ouvia e que eu gostaria de ser ouvido em várias situações. Tudo isso que eu falei não era do meu conhecimento. Se fosse do meu conhecimento, eu teria, claro, tomado as providências em momento oportuno.”

Apesar das dificuldades encontradas, a gestão definiu uma série de prioridades para os próximos meses. Entre elas estão a conclusão do Viaduto do Filadélfia, a continuidade das obras de reforma do Hospital Municipal, a intensificação da operação tapa-buracos, a manutenção dos serviços de limpeza pública, a conclusão do guarda-corpo do Viaduto do Bairro de Lourdes, a regularização dos pagamentos aos fornecedores e as negociações para garantir o recebimento de recursos provenientes do acordo de reparação pelo desastre de Mariana.

FOTO: Fábio Velame/DRD

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

LEIA TAMBÉM