TRE/MG divulga nota sobre mútuas agressões durantea diplomação dos eleitos

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O Tribunal Regional Eleitoral (TRE/MG) divulgou nota oficial sobre o tumulto ocorrido durante a cerimônia de posse dos candidatos eleitos realizada na tarde de quarta-feira, 19, no auditório do Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Durante o evento, o deputado federal Rogério Correia (PT) exibiu uma placa com os dizeres “Lula livre” e foi questionado pelo também deputado federal eleito Cabo Junio Amaral (PSL).

Sem diálogo, o deputado do partido do presidente eleito Jair Bolsonaro arrancou a placa das mãos de Rogério e esse reagiu dando um soco no rosto do militar. Cabo Junio reagiu de imediato e acertou um forte murro no rosto de Rogério. A situação só não se descontrolou mais ainda porque houve intervenção dos demais parlamentares e da segurança da Casa.

De acordo com a nota, o TRE assume uma falha na condução dos trabalhos que deu vazão para os fatos. A confusão aconteceu quando a plateia viu a placa que estava sobre o colo da deputada eleita Beatriz Cerqueira (PT), que teria sido orientada por funcionários do TRE a não levar o cartaz pedindo Lula livre para o palco do Palácio das Artes, apesar do TRE não ter feito nenhuma proibição em relação à manifestações políticas durante a cerimônia, em meio aos gritos da plateia, que pedia Lula livre, e os contrários ao ato. A cerimonialista deixou o púlpito e foi até a deputada, retirou a faixa e retornou ao púlpito. Nesse momento foi que Rogério Correia se levantou e exibiu uma placa idêntica a da deputada e tudo aconteceu sob a histeria da plateia de mais de 600 pessoas.

Pedido de prisão

Ao meio da confusão formada, o deputado eleito de Governador Valadares Sandro Lúcio Fonseca (PSL) saiu em defesa do colega de partido e pediu ao presidente do TRE, desembargador Pedro Bernandes de Oliveira, que determinasse a prisão do deputado petista, alegando que Junio é policial militar e a instituição estava sendo agredida naquele momento. Ao comentar a agressão sofrida, Cabo Junio disse que “está na PM há 11 anos e sempre enfrentou bandidos e que agora não será diferente”. Já o deputado Rogério Correia disse que vai analisar o caso para saber se vai solicitar a abertura de um processo na Justiça tendo como justificativa a infração ao Código do Idoso, do qual ele entende que está enquadrado.

Viaturas policiais

A cerimônia que começou tranquila e de muita cordialidade entre os políticos e a mesa diretora terminou parecendo como caso de polícia. Ao final da cerimônia, ainda nas dependências do Palácio das Artes, houve uma confraternização entre os políticos, autoridades, convidados e familiares dos diplomados, mas, no entanto, ao sair do Palácio das Artes, o lugar em que se cultua a cultura mineira, mais parecia final de bailes populares realizados em praças da periferia devido a grande quantidade de viaturas das Polícias Militar e Civil, com os giroflex acessos e vários policiais apostos. As pessoas que passavam pela avenida Afonso Pena ficaram curiosas e até assustadas com o aparato policial, mas a tranquilidade havia sido contornada e nenhum outro fato anormal foi registrado.

Confira a nota

“A propósito dos episódio socorridos durante a Sessão Solene de Diplomação dos Eleitos em Minas Gerais, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais esclarece: Desde o princípio, o processo eleitoral de 2018 foi marcado por tensões e acirramentos de ânimos que fugiram aos padrões de eleições anteriores. Magistrados e servidores da Justiça Eleitoral mineira tiveram extrema dedicação e zelo na condução do pleito, para que tudo transcorresse dentro da normalidade desejável, embora seres humanos sejam passíveis de falhas e erros.”

Parte desse processo, a Cerimônia de Diplomação foi pensada como um momento solene de encerramento das Eleições, como um ato da Corte Eleitoral, e também de celebração de vitórias para os que estavam presentes. No entanto, fatos inesperados e contrastantes com a tradição de Minas Gerais constrangeram a todos.

Diante disso, o Tribunal lamenta os incidentes ocorridos durante a Sessão, a partir de ações ou posturas inadequadas por parte dos envolvidos nos episódios, que agiram sem maior reflexão.

A Justiça Eleitoral de Minas Gerais espera que o fato seja superado em respeito às próprias instituições queestavam, direta ou indiretamente, representadas no evento, na expectativa deque o ano de 2019 seja marcado pela busca por plena civilidade e pelo respeitoà pluralidade de pensamentos”.

Por Raimundo Santana – Editor