Audiência pública discute segurança no município e autoridades destacam redução de crimes nos últimos anos
GOVERNADOR VALADARES – A segurança pública foi tema central de uma audiência pública realizada na Câmara Municipal nesta quinta-feira (27). O encontro reuniu representantes das forças de segurança, autoridades municipais e sociedade civil para debater estratégias e soluções para a criminalidade no município. Apesar das preocupações levantadas por parlamentares e moradores, dados apresentados e consolidados pela Polícia Militar (PM) e pela Polícia Civil (PC) indicam uma queda significativa nos índices criminais nos últimos anos.
Em números
Durante a audiência, a Polícia Militar apresentou um comparativo dos últimos dez anos, destacando reduções expressivas em crimes violentos e contra o patrimônio. Segundo os dados, as mortes violentas (homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte) diminuíram 10,8%, passando de 101 casos em 2015 para 90 em 2024. Somente nos primeiros meses de 2025, a queda foi ainda mais acentuada: de 15 mortes violentas no mesmo período de 2020 para 10 casos neste ano, uma redução de 33%.
As tentativas de homicídio também registraram uma queda expressiva, passando de 224 em 2015 para 113 em 2024, uma redução de 49,5%. No recorte do início do ano, o número caiu de 26 (em 2020) para 9 (em 2025), representando uma queda de 65,4%.
Os roubos, que somavam 1.407 casos em 2016, caíram para 268 em 2024, uma redução de 80,9%. No período de janeiro a março de 2017, foram registrados 130 roubos, enquanto no mesmo intervalo de 2025 esse número caiu para apenas 25, queda de 80,8%.
Já os furtos, que atingiram seu pico em 2016, com 6.287 ocorrências, caíram para 3.470 em 2024, uma redução de 44,8%. Apenas no período de janeiro a março de 2016, foram 675 furtos registrados, enquanto em 2025 esse número caiu para 327, queda de 51,5%.
Comparativo da criminalidade em Valadares
Os dados apresentados pela Polícia Militar na audiência pública são um recorte histórico dos últimos 10 anos (2015-2024), comparando o ano com maior número de registros e o ano mais recente. Além disso, foram apresentados números do início de 2025 para análise da tendência atual.
Evolução dos índices de criminalidade
| Tipo de crime | Ano com maior registro | Número de casos | 2024 | Redução (%) | 1º jan. a 12 mar. (ano com maior registro) | Número de casos | 1º jan. a 12 mar. 2025 | Redução (%) |
| Mortes violentas | 2015 | 101 | 90 | ↓ 10,9% | 2020 | 15 | 10 | ↓ 33,3% |
| Tentativas de homicídio | 2015 | 224 | 113 | ↓ 49,5% | 2020 | 26 | 9 | ↓ 65,4% |
| Roubos | 2016 | 1.407 | 268 | ↓ 81% | 2017 | 130 | 25 | ↓ 80,8% |
| Furtos | 2016 | 6.287 | 3.470 | ↓ 44,8% | 2016 | 675 | 327 | ↓ 51,6% |
A Polícia Militar destacou que a redução nos índices criminais é resultado de ações estratégicas e operações integradas entre as forças de segurança. Entretanto, a corporação ressaltou a importância de continuar investindo em políticas públicas e no combate ao tráfico de drogas, que segue sendo um dos principais propulsores da violência na cidade.
Sensação de insegurança ainda preocupa
Apesar dos números positivos, a sensação de insegurança ainda é um desafio. A vereadora Kátia do Betinho Detetive (PSDB), proponente da audiência, destacou que a iniciativa teve o objetivo de esclarecer os índices da criminalidade. “A gente vê na mídia, todos os dias, notícias de homicídios, furtos. Mas será que é só uma matéria ou realmente esses índices estão altos? Queremos buscar esses resultados concretos para tomar providências”, afirmou.
O comandante da 8ª Região da Polícia Militar, coronel Paulo Henrique Cardoso, ressaltou a importância de analisar a segurança pública sob diferentes perspectivas. “A segurança objetiva, que é a redução dos índices criminais, está sendo alcançada, mas a principal preocupação da população é a sensação de segurança. A presença da polícia, o tempo de resposta das ocorrências e a confiança da sociedade no trabalho das forças de segurança são fatores essenciais para melhorar essa percepção”, explicou.
O coronel também destacou que um dos principais desafios no município é o combate ao tráfico de drogas. “O crime de homicídio, por exemplo, muitas vezes está diretamente ligado à disputa entre gangues pelo controle do tráfico. Nosso foco é tirar os traficantes das ruas e reduzir os impactos desse crime na cidade”, afirmou.
Violência doméstica: um desafio na região
Durante a audiência pública, o coronel Paulo Henrique Cardoso, chamou a atenção para um problema característico da região: a violência doméstica. Segundo ele, esse tipo de crime ocorre com mais frequência em Governador Valadares e em cidades do Leste de Minas em comparação com outras regiões do estado.
“Eu tenho 30 anos de Polícia Militar e trabalhei em 14 cidades diferentes. A gente verifica que tem algumas questões que acontecem muito aqui e não são comuns em outros lugares. Pela cultura da região, há uma incidência elevada de crimes contra as mulheres e de violência doméstica”, afirmou o coronel.
Ele explicou que muitos crimes passionais ocorrem devido à “cultura local”, onde há uma visão deturpada de força do homem sobre a mulher. “Muitos crimes são resolvidos por meio de tiros, facadas ou garrafadas, quando poderiam ser resolvidos de outra forma”, destacou.
Diante desse cenário, a Polícia Militar reforçou que tem intensificado o combate a esse tipo de violência e trabalha para conscientizar a população sobre a importância da denúncia e da proteção às vítimas.
Integração entre forças de segurança
O chefe do 8º Departamento da Polícia Civil, Vinícius Sampaio, reforçou que a atuação conjunta das forças de segurança tem sido fundamental para os resultados obtidos. “Trabalhamos diariamente com operações integradas para combater o tráfico de drogas e os homicídios. Nos últimos anos, cumprimos todas as metas estabelecidas e seguimos atuando para manter a criminalidade sob controle”, destacou.
Além das forças policiais, representantes da sociedade civil também apresentaram propostas durante a audiência. A vereadora Kátia do Betinho informou que uma carta de intenções será elaborada com sugestões que serão entregues ao governador de Minas Gerais, ao prefeito e ao secretário de segurança pública. “Nosso objetivo é buscar, junto às autoridades competentes, soluções concretas para os problemas enfrentados pela nossa cidade”, concluiu.
Sobre a audiência pública
A audiência reuniu representantes das polícias Militar, Civil e Federal, além de entidades como a OAB-GV e Aadvog (Associação dos Advogados de GV). Também estiveram presentes o comandante do 6º BPM, tenente coronel Wellington Campos, o tenente do Corpo de Bombeiros, Lucas Trindade, o chefe do Tiro de Guerra, Evandro Aquino Santos, o delegado do 8° Departamento de Polícia Civil, Vinícius Sampaio da Costa, o delegado regional Luciano Cunha de Lima, o delegado da Polícia Federal, Pedro Carneiro, e o secretário Municipal de Governo, Wilson Santos de Oliveira.















Comments 1
É o que foi dito acima: sensação de insegurançs, ainda que os numeros oficiais indiquem queda nas ocorrencias. Na verdade, a meta que a população almeja sao numeros proximos de zero, ainda que
Seja improvavel sua efetivação, o que nao impede que seja permanentemente buscada. A Policia Mikitar tem
Que ser efetiva no policiamento ostensivo, visamdo à prevenção dos crimes. É evidente que a simoles presença dos militares inibe a açao dos bandidos. Volto a dizer que LUGAR DE POLICIA (MIIITAR) É NAS RUAS!