Valadarense Ayr Freitas é vice-campeão mundial de downhill no Chile

FOTO: Arquivo pessoal

Competição no Chile reuniu elite do esporte e consagrou atleta mineiro entre os melhores da modalidade

GOVERNADOR VALADARES – O valadarense Ayr Freitas conquistou o vice-campeonato mundial de downhill no Campeonato Mundial de Mountain Bike Masters da UCI 2026, realizado em Nevados de Chillán, no Chile, entre os dias 26 e 29 de março. A competição reuniu os principais pilotos do mundo na modalidade, incluindo atletas dos Estados Unidos, Espanha e Itália, e marcou um dos maiores resultados da carreira do brasileiro, que soma mais de 30 anos de dedicação ao esporte.

A trajetória de Ayr no downhill começou de forma despretensiosa, ainda na juventude, a partir de um convite de um amigo. “Foi o Júlio Rosado quem me levou para conhecer o esporte. A gente subiu o pico da Ibituruna e, já na primeira vez, fui para entender como funcionava o downhill, que é uma atividade de descida de montanha”, relembra.

O impacto foi imediato. “Logo na primeira descida eu já me senti bem familiarizado, tive uma boa desenvoltura. Aquilo me chamou muita atenção”, conta. A partir daí, as idas frequentes à montanha ajudaram a consolidar a paixão. “Continuei indo outras vezes com ele e fui me tornando, como ele, um amante do esporte.”

A dedicação evoluiu para o alto rendimento. “Fui praticando cada vez mais, me empenhando mais, até começar a partir para o lado profissional e participar dos grandes eventos”, afirma. Com o passar dos anos, vieram os resultados: seis títulos brasileiros, dois pan-americanos e um sul-americano.

No Mundial disputado no Chile, Ayr chegou experiente, mas ainda assim viveu um momento de afirmação. “Quando vi os pilotos — americanos, espanhóis, italianos —, que são os favoritos, fiquei na expectativa de como seria”, diz.

Na classificatória, terminou em quarto lugar — resultado que mudou sua perspectiva. “Quando saiu o meu tempo, eu fiquei surpreso. Vi que estava competindo com os melhores do mundo. Ali eu pensei: dá para buscar o pódio”, relata.

A estratégia se confirmou na final e, com uma descida mais consistente, garantiu o segundo melhor tempo. “Foi uma glória. Um grande feito na minha carreira.”

Para o atleta, o resultado é consequência direta da preparação. “Não foi sorte, foi muita dedicação. Desde o ano passado eu já venho me preparando muito para isso”, enfatiza. “Trabalhei a parte mental, cuidei da alimentação, fiz exercícios e aperfeiçoei a técnica.”

Um dos principais aliados nesse processo foi o pico da Ibituruna, em Valadares. “É uma felicidade ter a Ibituruna. Ela nos proporciona tudo o que precisamos para treinar”, afirma. “Tem pistas íngremes, com saltos, curvas, buracos, raízes. A gente se acostuma com todos os obstáculos. Cada pista é um desafio, mas, como treinamos muito na Ibituruna, chegamos bem preparados”, destaca.

Mesmo com o resultado histórico, o foco já está no futuro. “Eu já estou treinando para o Mundial do ano que vem. Eu vi que posso estar perto dos campeões. Quem sabe eu não possa me tornar campeão mundial também? Agora é continuar os preparativos para chegar lá e incomodar os gringos.” E conclui: “Fiquei muito perto disso desta vez. Vamos trabalhar para que venha um campeão mundial valadarense.”

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