Tempestade provoca estragos em Valadares, com ventos de até 100 km/h

Tempestade provoca estragos em Valadares, com ventos de até 100 km/h
FOTO: Luiz Filho

GOVERNADOR VALADARES – A tempestade que atingiu Governador Valadares na tarde de domingo (18), com rajadas de vento de até 100 km/h, provocou alagamentos, destelhamentos, quedas de árvores e interrupções no fornecimento de energia elétrica. Além disso, moradores registraram chuva de granizo em diferentes pontos da cidade. Apesar dos estragos, a Defesa Civil informou que não houve registro de feridos.

No bairro Floresta, uma árvore caiu sobre um carro estacionado. Também houve registros de quedas de árvores nas proximidades do Fórum, no bairro Vila Bretas e na avenida Euzébio Cabral, no bairro Santa Rita, além de outros pontos da cidade.

Já no bairro Recanto dos Sonhos, a força do vento derrubou uma das bombas de um posto de combustíveis e algumas motocicletas. O temporal também provocou alagamentos em diferentes regiões. Além disso, moradores registraram granizo em alguns pontos da cidade, enquanto os bairros Altinópolis e Vila Ozanan tiveram destelhamentos.

Em nota oficial, a Prefeitura de Governador Valadares informou que equipes da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Urbanos (SMOSU) e da Defesa Civil trabalharam no atendimento às ocorrências provocadas pelo temporal. A administração municipal destacou que, apesar dos prejuízos materiais, não houve registro de pessoas feridas.

Professor explica o que provocou a tempestade

O professor Fulvio Cupollilo, do Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), campus Governador Valadares, explicou que a combinação entre a umidade vinda da Amazônia e o calor intenso no Vale do Rio Doce favoreceu a formação de nuvens de tempestade, responsáveis pela chuva forte e pelas rajadas de vento.

“Analisando a imagem de satélite, a gente observa que existe uma umidade vinda da Amazônia para a região, e com o calor intenso no Vale do Rio Doce, precisamente na região de Governador Valadares, formou-se o que nós chamamos de nuvem convectiva. É uma nuvem localizada, é muito comum nessa época do ano, esse tipo de chuva, chuva convectiva, onde as rajadas de vento são muito violentas e elas vêm de dentro da nuvem, porque são nuvens de tempestades, chamadas cumulus nimbus, que trazem a turbulência de dentro da nuvem para a superfície”.

Segundo o professor, esse tipo de formação também favorece a ocorrência de granizo, mesmo quando as pedras são pequenas, como aconteceu em Valadares.

Cupolillo ressaltou que a estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), instalada no campus do IFMG, registrou rajadas de vento de 87 km/h durante o temporal. Apesar da intensidade, esse não foi o maior índice registrado no local. Há cerca de quatro anos, a estação chegou a marcar ventos de 105 km/h.

Ainda assim, o professor destacou que a velocidade registrada no domingo é suficiente para provocar danos significativos.

“Mas 87 quilômetros por hora já é suficiente para destelhar casas, derrubar árvores, inclusive arrancando raízes, como ocorreu em algumas regiões, em algumas áreas da cidade”.

Cupolillo também avalia que as rajadas podem ter chegado a aproximadamente 100 km/h nas áreas próximas à calha do Rio Doce. Como o campus do IFMG fica mais afastado do rio, a intensidade dos ventos pode ter sido maior em regiões como a Ilha dos Araújos.

FOTO: IFMG – Campus GV

Chuva mais intensa ficou concentrada perto do Rio Doce

Além dos ventos fortes, a chuva também apresentou diferenças significativas de volume entre as regiões da cidade. A estação meteorológica do Inmet, no campus do IFMG, registrou 5,4 milímetros durante o temporal. No entanto, segundo Cupolillo, esse índice não representa o acumulado em todo o município, já que a precipitação se concentrou em áreas específicas.

De acordo com o professor, a região central, a Ilha dos Araújos e o bairro Elvamar, na outra margem do Rio Doce, estão entre as áreas que podem ter recebido volumes maiores de chuva.

Cupolillo estima que algumas regiões tenham acumulado entre 30 e 40 milímetros. A diferença em relação ao registro da estação meteorológica reforça o caráter localizado da tempestade, que atingiu com mais intensidade as áreas próximas ao rio.

Cemig reforça equipes para restabelecer energia

A tempestade também comprometeu o fornecimento de energia elétrica em diversas regiões de Governador Valadares. Em nota oficial, a Cemig informou que reforçou as equipes para reparar os danos na rede, provocados por quedas de árvores, quebra de postes, rompimento de cabos e queda de quatro torres de uma linha de transmissão de alta tensão.

Até a manhã desta segunda-feira (19), a companhia já havia restabelecido a energia para cerca de 85% dos clientes afetados. A previsão é concluir a maior parte dos atendimentos ao longo do dia, embora as ocorrências mais complexas possam exigir mais tempo devido à extensão dos danos.

Ainda há pontos sem energia nos bairros Braúnas, Santos Dumont, Cardo, Sítio das Flores, Planalto, Mãe de Deus, Santo Antônio e São Paulo.

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