BELO HORIZONTE – Trabalhadores da educação básica de Minas Gerais reivindicaram a recomposição salarial de 41,83% durante audiência pública realizada nesta terça-feira (17) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Representados pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais, os servidores foram recebidos pela Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia e reforçaram a necessidade de negociação com o governo estadual.
Em greve há duas semanas, a categoria defende que o reajuste contemple todos os níveis e carreiras. Segundo os representantes, o índice solicitado corresponde às perdas salariais acumuladas entre 2019 e 2025. “É muito duro um processo de negociação que não acontece. Isso é violento e não pode ser normalizado”, afirmou a coordenadora-geral do sindicato, Denise Romano.
Durante a audiência, Romano apresentou dados que apontam que, em cerca de seis anos, a gestão do governador Romeu Zema teria deixado de arrecadar quase R$ 100 bilhões em função de renúncias fiscais, o que, segundo ela, teria impactado diretamente os investimentos em áreas como a educação. “A gente vive uma sangria por causa dessa escolha política de favorecer o mais forte em detrimento do povo, dos trabalhadores”, criticou. A coordenadora também alertou para o desestímulo à carreira docente. “As pessoas estão preferindo rodar em aplicativos de transporte a dar aula. Isso não é um problema?”, questionou.
Outro ponto de crítica foi o leilão de 95 escolas estaduais, previsto para ocorrer na próxima quarta-feira (25), na B3, em São Paulo. As unidades estão distribuídas em 34 municípios mineiros e atendem cerca de 70 mil estudantes. Para o diretor da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, Luiz Fernando Oliveira, a política salarial do Estado agrava a desvalorização dos profissionais. “É um acinte viver no Estado que paga os mais baixos salários para profissionais da educação e um dos mais altos salários para governador, no Brasil”, declarou. Ele também ressaltou que o Executivo não estaria cumprindo integralmente o pagamento do piso nacional do magistério.

Reajuste anunciado é considerado insuficiente
O debate ocorre após o Governo de Minas anunciar reajuste de 5,4% para o funcionalismo público estadual. Segundo nota oficial, a medida deve beneficiar cerca de 673 mil servidores ativos, inativos e pensionistas, com efeitos retroativos a 1º de janeiro de 2026. A deputada estadual Beatriz Cerqueira, que preside a Comissão de Educação e solicitou a audiência, avaliou o índice como insuficiente diante do cenário. “A gente chega a um nível de precarização tão estrutural que 5,4% não faz diferença”, afirmou. Ela também criticou o que classificou como substituição de políticas de valorização dos profissionais por ações de marketing.
Representantes do governo participaram da audiência, mas não assumiram compromisso com a abertura de negociação. A subsecretária de Gestão de Recursos Humanos da Secretaria de Estado de Educação, Gláucia Cristina Ribeiro, reconheceu o esforço dos professores e mencionou a realização de novos concursos, mas não apresentou propostas concretas. Já o subsecretário de Gestão de Pessoas da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), Caio Campos, afirmou que o governo busca alternativas, mas também não definiu prazo para receber representantes sindicais e discutir as reivindicações da categoria.










