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Por trás das lentes, uma diva

FOTO: Isabela Duarte

Gabriela Duarte superou crises ao longo da vida e, hoje, levanta a autoestima de mulheres por meio da fotografia

Extrair o lado mais íntimo, sensual e, por vezes, oculto de uma mulher para transformar em fotografia não parece ser um trabalho simples. Mas ela consegue. Aliás quando se fala em Gabriela Duarte, um mundo de possibilidades se abre para a autoestima feminina.

A valadarense é mãe de três filhos, atua no ramo da fotografia há 11 anos e se descobriu ajudando outras mulheres a se descobrirem.

“Eu estava saindo de uma depressão, desempregada, naquela fase bem ‘punk’. Eu tenho uma irmã que é fotógrafa, em Guanhães, especializada em casamentos, família e gestantes. E ela falou assim: ‘Irmã, vem passar uns dias aqui’. Eu fui e acompanhei alguns ensaios femininos. Pensei: ‘Gente, é a minha cara esse negócio’. Sempre gostei de gente, amo me relacionar e sempre gostei de moda”, lembra.

Antes do despertar para a profissão que mudou a vida dela, a fotógrafa trabalhou como gerente de loja de moda feminina e também foi supervisora de call center. “Hoje eu falo [com a dona do call center], ‘nossa, amiga, ainda bem que você me demitiu!”, brinca Gabriela, que hoje é amiga da ex-chefe.

Em busca de conhecimento

Então após uma temporada acompanhando a irmã, em Guanhães, Gabriela decidiu ir em busca de conhecimento e se especializar.

“Eu nem sabia que o universo da fotografia existia. Fui assistente dela nesse ensaio feminino e falei: Vou estudar fotografia’. Só que era uma situação muito difícil, eu morava no bairro Vila dos Montes, tinha um recurso muito limitado, não tinha internet em casa para estudar e nem tinha câmera. Comprei um cabo e dividi a internet com a vizinha. Comecei a estudar tudo no youtube. Não tinha dinheiro nem para fazer o curso on-line”, recorda a fotógrafa.

Após um tempo de estudos em casa, Gabriela foi para a capital mineira, onde conseguiu se aperfeiçoar para oferecer seu trabalho. “Fui para Belo Horizonte fazer alguns cursos. Tem uma escola de imagem lá. Comecei a estudar, a fazer cursos, workshops e me ofereci para trabalhar de assistente, de graça, para alguns fotógrafos com quem eu me identificava”.

Persistência

Desse modo, Gabriela trabalhou como assistente por um ano, entre críticas e aprendizados, sem desistir do sonho inicial: ser uma fotógrafa profissional. “Quando você vê outro fotógrafo trabalhando, você aprende muito. Um dia fiz as fotos de um evento com uma fotógrafa, um aniversário infantil. No outro dia, ela me ligou e disse: ‘Gabriela, preciso te falar uma coisa. Esquece a fotografia. Você não leva jeito nenhum, suas fotos estão horrorosas, desfocadas, você não nasceu para isso’”, conta.

Mas apesar do recado nada motivador, Gabriela Duarte persistiu. “Eu falei: ‘Mas o que ficou ruim? Em que eu posso melhorar? O que preciso estudar? Porque eu não vou desistir’”. Para melhorar a qualidade do trabalho, a fotógrafa investiu mais tempo nos estudos. “Eu estudava uma média de 15 a 16 horas por dia”.

Além de se aprofundar em técnicas, Gabriela também se arriscou nas diferentes áreas da fotografia. Até perceber que os ensaios femininos eram, de fato, seu maior dom.

“Um dia eu fiz um workshop com um fotógrafo de Valadares e chamei a Débora Cury, que é maquiadora, para ser minha modelo. Fomos para uma pedreira e fizemos o ensaio da Débora, que é um ensaio que eu amo até hoje. Ficou atemporal”, comenta.

A maquiadora Débora Cury foi a primeira modelo que se tornou diva – FOTO: Gabriela Duarte

No entanto, o que, inicialmente, seria um ensaio de moda feminina fez Gabriela ter um novo olhar sobre o próprio trabalho. “Quando vi, estava fazendo um ensaio sensual. Falei: ‘Gente, isso é um ensaio sensual, não é moda. Mas ficou tão bonito’! Descobri um feeling que eu não sabia que tinha”.

‘Todas nós somos divas’

Assim a fotógrafa deu vida ao projeto Diva Por Gabriela Duarte. Um trabalho que vai muito além de poses ou flashes. Para Gabriela, cada ensaio é uma oportunidade de proporcionar à modelo um dia inesquecível e cheio de mimos que a façam sentir-se especial.

“Eu me vi apaixonada por este universo. Todas nós somos divas. Toda mulher tem o potencial de fazer uma foto sensual, um retrato, se ver linda, maravilhosa. Sair um pouco desse rótulo engessado que a sociedade coloca. Todas nós podemos nos revelar. E acho que o nome pegou porque me chamam de ‘Diva’”, brinca.

Para que as modelos sintam-se bem à vontade durante os ensaios e consigam lidar com a timidez, Gabriela as faz se sentirem em casa. “Elas chegam muito nervosas, ficam muito tensas, algumas parecem que vão se casar. É toda uma preparação. Mas eu falo que minha habilidade maior não é a fotografia, isso é técnica. Minha habilidade maior é conseguir deixar a cliente chegar e, com dez minutos, estar andando sem roupa pela casa. Ela esquece. Essa conexão que consigo ter com a cliente faz com que ela se sinta à vontade”.

Casa Diva

Para isso, ela providenciou uma casa para a realização dos ensaios, a Casa Diva, que fica na Ilha dos Araújos. Assim, o termo ‘sentir-se em casa’ faz ainda mais sentido para ela e as clientes. Sem contar que a modelo é tratada como uma verdadeira Diva. “É uma casa estúdio. A intenção é que ela se sinta acolhida. Eu já coloco a playlist favorita dela, porque faço uma entrevista antes, faço uma massagem nos pés, nos joelhos, a gente toma um café, eu visto um roupão nelas, a gente conta um pouco de caso, separamos os looks, a gente toma um espumante… Só depois de uns quarenta minutos que pego na câmera”, detalha a profissional.

Atualmente, Gabriela conta com uma equipe de seis profissionais e já realizou, ao longo da carreira, mais de dois mil ensaios femininos. Somente no ano passado, Gabriela fez mais de 350 ensaios. Além disso, a profissional ministra cursos de fotografia. “Acho que nem tenho dimensão da evolução do meu trabalho. Eu me sinto realizada”, define.

Para acompanhar o trabalho de Gabriela Duarte basta seguir o perfil da fotógrafa no Instagram, o @divaporgabrieladuarte.

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