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Especial em homenagem ao Dia Internacional da Mulher

Nos 90 anos do direito ao voto, mulheres reforçam importância da presença feminina na política

Por Carolina Moreira

O que hoje é uma função obrigatória para todo cidadão brasileiro, há 90 anos era um dever apenas dos homens. Somente após uma luta de anos e sob duras penas é que as mulheres conquistaram o direito de participar das decisões eleitorais no Brasil. A população feminina alcançou esta vitória em 1932, por meio do Decreto Nº 21.076.

Entretanto esta participação ainda não é suficiente. Pelo menos não mediante os desafios que, diariamente, as mulheres enfrentam neste país. Desafios estes que vão desde relações afetivas à ocupação de espaços no mercado de trabalho e no poder público. No âmbito afetivo, vemos os casos de violência física e psicológica. Já no mercado de trabalho e na política, a desvalorização e o desrespeito por parte de alguns colegas.

Teodolina Vitório é professora de direito e traduz essas falhas como “condicionamento, preconceito e discriminação”. Ela ainda explica que, na política, o número de candidatas é sempre muito desproporcional ao de mulheres eleitas:

Teodolina Vitório ressalta a disparidade entre o número de mulheres candidatas e eleitas – VÍDEO: DRD

Existe o lugar do homem e o da mulher na sociedade?

Segundo a professora, diante da predominância masculina nos lugares de poder, ter mulheres no cenário político é visto por muitos como algo incomum ou até mesmo incorreto:

“A sociedade condicionou que existe o lugar do homem e existe o lugar da mulher. Então, quando alguma mulher ousa não estar no seu espaço, ela incomoda e, infelizmente, ela é calada ou quem sabe torturada psicologicamente para que ela possa, no caso, desistir”, comenta.

A profissional da Justiça destaca, ainda, que o direito ao posicionamento e a lugares importantes de fala não retiram da mulher o seu papel de zelo com a família, como muitas pessoas acreditam: “O homem está condicionado a entender que a esfera pública foi feita para o homem e a esfera privada feita para a mulher (diga-se a cozinha, fogão, cuidar da família), o que é tão prazeroso para nós mulheres”, acrescenta.

“Um papel não anula outro”

Além de professora do curso de Direito, Teodolina Vitório é esposa e mãe. Ela esclarece que nas esferas pública e privada cabem homens e mulheres. Segundo a professora, assim como a mulher tem o direito de exercer cargos de importância a nível público, os homens também podem participar das atividades familiares e domésticas. Afinal, ambos não se anulam, mas cooperam entre si.

“Não tem nada mais lindo do que nós [mulheres] podermos realmente cuidar das conquistas afetivas que nós fizemos. Entretanto, é importante nós sabermos que para além das conquistas afetivas, além do espaço privado que nós ocupamos, o espaço público também é nosso, assim como o espaço privado também é dos homens. Isso para ele [homem] não deve ser tido como um desafio ou afronta, mas como uma oportunidade. Isso não retira dele a dignidade, não tira dele o valor de homem. Muito pelo contrário. Só o torna protagonista”, ressalta.

Empoderamento

A palavra empoderamento se tornou bastante popular nos últimos anos. Mas a expressão também gera dúvidas quanto ao seu significado, o que a professora Teodolina Vitório faz questão de esclarecer:

“O empoderamento feminino é no sentido de fazer com que ela [mulher] possa sentir a confiança necessária de saber que ela é capaz. O que tem que nos definir é a nossa condição de gente, de pessoa, de seres humanos. Não há qualquer tipo de reservas ou de acepção. Na verdade, essa acepção é feita ao longo de uma história milenar. Inclusive, nós mesmas, mulheres, somos conduzidas a entender que o homem pode e a gente não pode.”

Muito além de um corpo - tantas vezes objetificado - as mulheres são fontes ricas em conhecimento e sabedoria, capazes de solucionar questões importantes na sociedade. Para Teodolina Vitório, elas na política são como porta-vozes:

"Se nós não estivermos nos espaços de decisão, nos espaços de poder, seguramente os direitos que nos são cabíveis para que a nossa dignidade, igualdade e liberdade sejam preservadas, não serão lembrados. Não estaremos lá para fazer com que, de alguma forma, o Direito possa nos proteger, se nós, enquanto mulheres, não emprestamos o nosso coração, a nossa mente, a nossa vida e todos os nossos sentidos para que eles efetivamente se tornem reais".

A professora finaliza incentivando as mulheres a permanecerem ousadas e corajosas na busca por seus direitos.

“Marielle Franco dizia que nós somos como rosas que florescem no asfalto. Nosso nome é resistência. Resistamos. Que nada e ninguém nos diminua”, conclui.

Teodolina Vitório, professora do curso de Direito na Fadivale – FOTO: DRD

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A deputada estadual Celise Laviola (MDB) está em seu segundo mandato como integrante do legislativo estadual. Ela vem de uma família de políticos e se inspirou no pai. Confira o recado especial da deputada a todas as mulheres neste Dia Internacional da Mulher.

VÍDEO: Arquivo pessoal