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Minas Gerais dobra a cobertura vacinal contra a covid-19

De acordo com os dados de ontem (3) do Painel Vacinômetro, foram 22.344.609 doses enviadas aos municípios mineiros, com 81,85% de cobertura vacinal de primeira dose na população acima de 18 anos. Considerando-se a segunda dose e dose única, o percentual é de 36,67%. Para o Governo de Minas, esse é uma importante melhora nos índices de cobertura vacinal, considerando os dois últimos meses.

Em relação à completude de registro no Sistema de Informação do Programa Nacional de Imunizações (SIPNI), os índices também melhoraram. De 88,5% para 91%, no final de agosto. O avanço nos indicadores coincide com a implementação do Grupo de Análise e Monitoramento da Vacinação (Gamov), que completou dois meses de atuação na última quarta-feira (1º).

Marcela Lencine Ferraz, diretora de Vigilância de Agravos Transmissíveis da SES-MG, explica a importância do grupo no avanço da imunização no estado “Por ser um instrumento capaz de modificar a governança nas regionais e os processos de trabalho, o Gamov tem sido um dos responsáveis pela qualificação destes dados e pela evolução da vacinação no estado”. 

Ainda segundo ela, a criação do grupo se deu em um contexto desafiador para a campanha de vacinação contra a covid-19, sendo necessário empreender análise e monitoramento, com objetivo de aumento da cobertura, homogeneidade vacinal e democratização do acesso à informação nos serviços da ponta, com dados confiáveis para tomada de decisão.

Desafio 

A implementação do Gamov coincidiu com a grande pressão trazida pela própria pandemia, considerada o maior desafio de saúde pública do século. A SES-MG identificou a necessidade de criar mecanismos capazes de acompanhar todo o processo que envolve o planejamento, distribuição e aplicação das vacinas e ter o conhecimento sobre o ritmo e o impacto da vacinação nos territórios mineiros.

Além dissofoi necessário realizar aproximação do nível central e regional junto aos gestores e profissionais de saúde dos municípios, entendendo suas dificuldades e apoiando no que fosse necessário. Marcela Ferraz ressalta que, “neste contexto, a tomada de decisão precisa ser ágil e assertiva, com base em informações confiáveis que permitem a análise dos municípios sob óticas diversas”. Minas Gerais possui 853 municípios com especificidades territoriais distintas, o que demanda um desafio ainda maior para conclusão da maior campanha de vacinação da história.

Metodologia e resultados

O Gamov utiliza seis indicadores para avaliação do avanço da vacinação, por município: notificação (registro no Vacinômetro e SIPNI); aplicação de doses recebidas e cobertura de D1, D2 e Dose Única e um indicador de efeito, que acompanha a taxa de mortalidade por covid-19 nos municípios nos últimos 28 dias. Além disso, semanalmente é preenchido um relatório de acompanhamento que compila as demandas reportadas para apresentação no Centro de Operações em Emergência de Saúde (COES).

Desde a implantação do grupo, no dia 1º de julho, o alinhamento das informações e o trabalho integrado tem gerado importantes resultados. 

Os Gamovs regionais realizam as reuniões semanais com a participação da Atenção Primária à Saúde dos municípios, representantes do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Minas Gerais (Cosems) e Vigilância Sanitária. Todos os grupos fazem uso dos indicadores propostos para avaliação dos seus municípios em relação ao avanço da vacinação. 

Desde então, é perceptível a melhora na análise de situação de saúde e reconhecimento das dificuldades enfrentadas pelos municípios após a implantação da estratégia.

A expectativa é a de que, após a realização da Campanha Nacional de Vacinação contra Covid-19, o Gamov poderá atuar de forma permanente, avaliando a ocorrência de riscos de surtos por doenças imunopreveníveis. 

A atuação do grupo possibilita sensibilização e discussão entre os profissionais de saúde. “Inclusive trata-se de uma estratégia que poderá ser implementada também nos municípios, com a criação dos Gamov Municipais. O objetivo é que a nova estrutura de governança se transforme em um legado para a política de imunização do estado de Minas Gerais, e que a estrutura criada e conhecimentos adquiridos auxiliem no monitoramento e avaliação das campanhas no estado”, reforçou a diretora.

Exemplo para o Brasil

Atualmente, o trabalho desenvolvido pelo Gamov tem sido referência para outros estados brasileiros que estão interessados em conhecer melhor a estratégia para implantação, entre eles o Paraná.

O grupo tem apoio também do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Cosems-MG, que reconhecem e apoiam o trabalho desenvolvido. Marcela Ferraz reforça que “a participação ativa desses atores e também das Regionais de Saúde é fundamental para o alinhamento e fortalecimento das ações”.

*Com informações da Agência Minas

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