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Cooperativa reúne produtores para debater safra, clima e mercado no Café Rural

FOTO: Fred Seixas

Evento trouxe previsões climáticas e análise do mercado agrícola em momento de excesso de oferta e expectativa por chuvas

GOVERNADOR VALADARES – Em mais uma ação de fomento ao desenvolvimento sustentável no campo, a Cooperativa Agropecuária Vale do Rio Doce realizou, na última segunda-feira (15), mais uma edição do Café Rural, evento que se consolidou como um importante espaço de diálogo técnico entre cooperados e especialistas do setor agropecuário.

Realizado em frente ao Armazém da Cooperativa, o encontro teve como tema “Vou plantar, será que vai chover?”, alinhando o lançamento da safra 2025/2026 a debates sobre clima, mercado e práticas agrícolas inovadoras. A proposta da edição foi integrar produtores rurais das áreas de pecuária e agricultura para compartilhamento de conhecimento e planejamento estratégico para o novo ciclo agrícola.

Segundo o diretor-presidente da Cooperativa, João Marques, o evento reforça o papel da instituição na capacitação dos produtores locais.

“É um dia especial para a Cooperativa. É um dia em que a gente teve a oportunidade de bater um papo com o nosso produtor rural da região de Governador Valadares. A Cooperativa está sempre preocupada com o produtor, no sentido de que ele possa ser mais assertivo naquilo que ele faz. Então, hoje, nós vamos falar de alguns temas muito importantes. Dentre eles, vamos falar da Semente Digital, que é uma forma de o produtor se atualizar através da interação com o universo digital”, destacou.

Clima e previsões: o papel do La Niña

Um dos momentos mais aguardados do evento foi a participação especial do meteorologista Ruibran dos Reis, referência nacional em climatologia, com mais de 25 anos de atuação na Cemig. Em sua análise, ele alertou para as mudanças recentes no regime de chuvas e o impacto direto sobre a produção agrícola.

“Então, nós estávamos sob uma situação normal, não estávamos atuando em nenhuma linha do La Niña, isso desde o mês de março. Isso facilitou com que as fontes frias passassem com facilidade pelo litoral da região Sudeste até as marchas de apolar, que eram com forte intensidade, gerando muita ‘nevonidade’, temperaturas amenas também no leste do estado”, explicou.

Segundo Ruibran, agora o cenário mudou.

“Estamos entrando em uma fase de La Niña. O La Niña organiza muitas chuvas aqui na região leste. Então, devemos esperar já o início da primavera com chuvas. Outubro com chuvas muito acima da média histórica, novembro com chuvas isoladas, mas com temperaturas amenas devido à presença da ‘nevonidade’, e dezembro bastante chuvoso aqui na região”, afirmou.

O meteorologista Ruibran dos Reis – FOTO: Fred Seixas

O especialista destacou também o impacto positivo do fenômeno para o setor produtivo.

“Com as mudanças climáticas, o período chuvoso, que antes começava em outubro, foi desorganizado. Tivemos, por exemplo, em 2023, temperaturas de até 44,8 °C em Araçuaí, com atraso das chuvas. Isso atrapalha o agricultor. Então, com a presença do La Niña, as chuvas ocorrem na hora certa, como no passado. É muito bom quando acontece esse fenômeno, principalmente para os agricultores da região”, disse Ruibran, que ainda lembrou que em 2020, 2021 e 2022, anos marcados pelo La Niña, os produtores viveram momentos muito favoráveis.

Mercado em desequilíbrio

Além do clima, o encontro abordou também o cenário do mercado leiteiro. O gerente de política leiteira da Cooperativa Agropecuária, Alexandre Negri, fez uma análise sobre o atual desequilíbrio entre oferta e demanda no país.

“Agora é a hora em que ele tem que planejar o que ele vai fazer, quais os insumos que ele tem que adquirir, quando esses insumos têm que estar na propriedade dele e o que ele vai fazer dentro da propriedade. Então, ele precisa saber do clima, precisa saber do mercado, para poder dimensionar tudo que vai produzir — tanto boi, quanto leite, até mesmo a silagem para tratar do gado e dar suporte durante o ano agrícola”, explicou Alexandre.

Alexandre Negri, gerente de política leiteira da Cooperativa Agropecuária – FOTO: Fred Seixas

Ele destacou que o ciclo agrícola vai de julho de um ano a junho do outro, aproveitando a produção na primavera-verão e utilizando os recursos no outono-inverno.

“O produtor da nossa região já acostumou. Nesse início de setembro, a gente sempre faz esse evento para trazer essas informações de mercado e de clima, para ele poder fazer o planejamento dele”, completou.

Alexandre também alertou sobre o comportamento atípico do mercado em 2025:

“O Brasil está passando por um período em que a oferta está muito maior do que o consumo. A produção aumentou desde abril — não é normal. Normalmente isso ocorre só em setembro ou outubro. Isso é reflexo dos preços do milho e do farelo de soja, que estão muito favoráveis, e o produtor está animado, aumentando sua produção de leite. A produção deste ano está sendo bem maior do que a de 2024 e começou mais cedo. Com isso, a oferta aumentou, e os preços estão sendo forçados a cair para se adequar ao mercado”, concluiu.

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