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Aula integrada na Univale discute repercussões multidisciplinares do incêndio na Boate Kiss

FOTO: Divulgação Univale

A cidade gaúcha de Santa Maria ainda vive o trauma do incêndio na Boate Kiss, em 27 de janeiro de 2013, que deixou mais de 600 vítimas, incluindo feridos e 242 mortos. Uma década depois, a tragédia volta a ser comentada, impulsionada pela data e pelo lançamento da série “Todo dia a mesma noite”, disponível na Netflix e que reconstitui o episódio. O incêndio e a série foram debatidos na noite de segunda-feira (17) na UNIVALE, em uma aula integrada que reuniu professores de diversos cursos da instituição.

A aula integrada faz parte da programação da Semana Jurídica, do curso de Direito, mas teve a participação também de docentes das Engenharias, Enfermagem, Comunicação, Fisioterapia, Psicologia e Medicina. O primeiro a falar foi Vinícius Sampaio da Costa,  professor do Direito e delegado de Polícia Civil. Ele apontou que 16 pessoas foram indiciadas por diversos crimes, entre eles o de homicídio qualificado. Quatro réus foram condenados, mas o processo ainda está em fase recursal e, em agosto de 2022, o júri foi anulado, causando a revogação das prisões.

“Com a tragédia desta dimensão, a cidade de Santa Maria foi exposta ao mundo. Agora inclusive, com a série, e sofre até hoje. A sociedade brasileira espera até hoje por uma resposta definitiva, ou ao menos uma resposta com trânsito em julgado, para que sejam esclarecidas as condutas das pessoas que concorreram diretamente para aqueles crimes ou que às vezes foram negligentes na fiscalização”, pontuou Vinícius.

Preparo para prevenir e socorrer

Professora do curso de Enfermagem, Aline Valéria de Souza destacou as políticas públicas para urgências vigentes na época, e as mudanças que o incêndio provocou em medidas de prevenção e na atenção à saúde. Aline enfatizou que é necessário treinar equipes e pessoas para atendimento e socorro em situações como o incêndio na Boate Kiss. “Santa Maria não estava preparada, e nenhum outro lugar estaria”, avaliou.

Professor dos cursos de Jornalismo e de Publicidade e Propaganda, André Manteufel fez uma reflexão sobre o papel da mídia na cobertura do incêndio, mostrando dados de busca pelo termo “Boate Kiss” feitas no Google. “Não são os aniversários da tragédia da Boate Kiss que chamaram a atenção. É um trabalho midiático de trazer à tona a tragédia. Não é por conta dos dez anos da tragédia que as pessoas começaram a intensificar suas buscas na internet. É por conta, primeiramente, do livro da jornalista Daniela Arbex [também chamado “Todo dia a mesma noite”], que é utilizado na roteirização da série da Netflix e também no documentário da Globo Play. Essas mobilizações midiáticas é que trazem à tona e colocam em relevância a tragédia ocorrida há dez anos”, afirmou André.

“Não temos a iminência do perigo”

Arthur Campos Coelho é professor das Engenharias e falou sobre a importância de ter conhecimentos sobre como lidar com situações de emergência, e, como exemplo, questionou as pessoas presentes se elas notaram, ao chegar para a aula, onde ficam as saídas de emergência do auditório. O professor também listou 18 erros e omissões elencados no processo.

“Esse é um problema, essa carência de visão sistêmica. Nós não temos a iminência do perigo. Não consideramos que ao entrar em um auditório, um local que possa ter não necessariamente um incêndio, mas qualquer fator que possa gerar pânico e debandada de pessoas, e muitos de vocês estariam desnorteados, sem saber onde procurar a saída. E quantos naquela noite tiveram dificuldade de se orientar?”, indagou.

Professora de Psicologia, Tandrécia Cristina de Oliveira abordou a dificuldade de reação em um evento crítico, o socorro psicológico às pessoas afetadas e as deficiências na gestão da crise. “Ali, naquele momento, a gente não tem a capacidade de reagir àquele evento de forma adequada, fornecendo as condições de minimizar aquele impacto e interferir positivamente. Naquela situação, nenhuma cidade, do Brasil ou do exterior, conseguiria trazer a contento uma resposta satisfatória. Por isso é considerado um evento crítico, com a evolução de toda a situação de sofrimento que se desencadeia no momento do incêndio, e termina ainda nos dias de hoje no tribunal, isso vai agravando essa situação”, observou a professora.

Fazer o melhor por mais vidas e em menor tempo

Coordenador do curso de Medicina, o professor Romeo Lages Simões enfatizou que, em situações de eventos com vítimas em massa, os atendimentos devem buscar fazer o melhor para o maior número de vidas no menor tempo possível. O professor também diferenciou os conceitos de catástrofes (eventos de ordem natural, como um tsunami) e desastres (desencadeados por ação humana, como os atentados de 11 de setembro de 2021).

“Naquela noite, nós percebemos que foi uma sucessão de falhas. Desde a prevenção, que não foi realizada, ao vocalista que usa fogos de artifício para fazer uma brincadeira. São sucessões de falhas, desencadeadas pelo erro do ser humano”, argumentou Romeo.

A aula integrada também teve um debate moderado pela pró-reitora de Graduação, Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão, professora Adriana Coelho, com participações ainda dos professores Guilherme Dutra Marinho Cabral (Direito), Hélica Contin (Engenharias) e Anaile Toledo (Fisioterapia).

FOTO: Divulgação Univale

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