GOVERNADOR VALADARES – O prefeito de Governador Valadares, Coronel Sandro, protocolou na manhã desta segunda-feira (11) uma denúncia contra o vereador Amaral do Povo, presidente da comissão processante que apura possíveis irregularidades na contratação de uma empresa de transporte escolar no município. Além do parlamentar, o prefeito afirmou que a representação também cita outras pessoas, embora não tenha revelado os nomes durante coletiva de imprensa realizada em frente ao prédio do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
A denúncia foi feita logo após a comissão processante aprovar o parecer conclusivo relacionado ao processo que investiga o chefe do Executivo. Durante a coletiva, Coronel Sandro reafirmou que a acusação surgiu a partir do relato de uma testemunha que estaria presente no local onde ocorreu a gravação de um suposto áudio envolvendo uma proposta de corrupção.
“Estou aqui para protocolar a denúncia contra o vereador Amaral do Povo, presidente da comissão processante sobre o meu impeachment, pois ele apresentou uma proposta de corrupção de R$ 300 mil, sendo R$ 200 mil em dinheiro e um carro no valor de R$ 100 mil, para que o vereador Lei do Mãe de Deus, relator da comissão, apresentasse um relatório favorável à minha cassação. Juntamos todas as provas materiais, entre elas um áudio estarrecedor em que ele faz a proposta, além de uma prova testemunhal que confirma o conteúdo do áudio e acrescenta outras informações sobre momentos em que a proposta de corrupção teria sido apresentada”, declarou o prefeito.
Ainda durante a entrevista, Coronel Sandro afirmou que considera comprometida a atuação da comissão processante e disse acreditar que os atos praticados pelo grupo não possuem validade jurídica. Segundo ele, outras pessoas também aparecem na representação encaminhada às autoridades. O prefeito também declarou confiar no trabalho do Ministério Público e do Poder Judiciário para conduzir a investigação a partir da denúncia protocolada.

“Não posso falar pelo Ministério Público. Fiz a minha parte, meu dever como cidadão e também como vítima. Acredito no trabalho do Ministério Público e do Poder Judiciário. Meu papel se encerra aqui: protocolei a denúncia, e agora compete ao Ministério Público e ao Judiciário fazerem o que cada um faz muito bem aqui em Minas Gerais”, disse.
O advogado Thiago de Castro, que integra a defesa do prefeito, afirmou que a representação apresentada possui elementos considerados consistentes pela equipe jurídica. Segundo ele, além da gravação, a defesa reuniu documentos e depoimentos que reforçam a autenticidade do material entregue às autoridades.
“Nós, da defesa do prefeito Coronel Sandro, protocolamos na manhã de hoje essa representação, e não se trata de uma representação baseada em ilações ou possibilidades. É uma representação que pede a prisão e o afastamento do vereador Amaral do Povo, porque as provas são contundentes. Temos a pessoa que fez a gravação, a cadeia de custódia da prova muito bem consubstanciada, o aparelho apresentado perante pessoa competente, que relatou tudo por meio de ata notarial, além da declaração da testemunha sobre a situação. Não há qualquer ilicitude na gravação desse áudio, que aconteceu de modo público. Também chegaram outras provas no fim de semana. Estamos certos e seguros de que as provas são incontestáveis e de que providências precisam ser tomadas. E, sim, podemos ter a qualquer momento a reunião marcada para quinta-feira.”
Acerca dos vereadores citados pelo prefeito Coronel Sandro do PLna reportagem: a assessoria do vereador Amaral do Povo, do Avante, explicou que não vai se pronunciar sobre o assunto.
A assessoria do vereador Lei do Mãe de Deus, do PMB, disse “que, neste momento, não irá se pronunciar publicamente sobre o assunto e diz que está aguardando a devida apuração dos fatos pelas autoridades competentes e reitera o respeito à transparência, ao devido processo e à responsabilidade na condução de qualquer manifestação oficial.”
Reunião extraordinária sobre a votação do impeachment
A Câmara Municipal de Governador Valadares convocou uma reunião extraordinária para a próxima quinta-feira (14), às 9h30, para julgamento do processo político-administrativo nº 037/2026, que apura suposta infração político-administrativa atribuída ao prefeito Coronel Sandro.
Conforme o comunicado oficial, a convocação ocorre nos termos do artigo 146 do Regimento Interno da Câmara e seguirá o previsto nos incisos V e VI do artigo 5º do Decreto-Lei 201/1967. Durante a sessão, os vereadores irão analisar o parecer final da comissão processante responsável pela investigação.
Para que ocorra a perda do mandato do prefeito, são necessários votos favoráveis de dois terços dos parlamentares da Câmara, o equivalente a 14 votos.









