GOVERNADOR VALADARES – O mês de janeiro de 2026 promete ser típico de verão para os municípios da Bacia do Rio Doce, com aumento significativo das chuvas e temperaturas elevadas. A previsão climática foi elaborada com base em dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e conta com a interpretação da professora doutora Daniela Martins Cunha, do IFMG – Campus Governador Valadares.
De acordo com o Inmet, a precipitação total prevista para janeiro poderá variar entre 100 mm e 300 mm, distribuída em seis territórios pluviométricos ao longo da bacia:
- Norte da bacia, como Santa Maria do Suaçuí: volumes entre 100 mm e 130 mm;
- Faixa de norte a leste, incluindo Governador Valadares, Galiléia e Resplendor: entre 130 mm e 160 mm;
- Faixa de noroeste a sudeste, abrangendo municípios como Guanhães, Manhuaçu, Caratinga, Ipatinga, Belo Oriente, Viçosa e Ponte Nova: entre 160 mm e 200 mm;
- Faixa de oeste a sul, com Serro e Conceição do Mato Dentro, e uma faixa estreita no leste, em Aimorés: entre 200 mm e 230 mm;
- Outra faixa de oeste a sul, incluindo Itabira, Mariana, Rio Esperança e Alto Rio Doce: entre 230 mm e 260 mm;
- Faixa mais a oeste até o sul da bacia: os maiores volumes, variando de 260 mm a 300 mm.
Segundo a professora Daniela Cunha, o aumento das chuvas em relação aos meses anteriores é esperado para este período e está relacionado ao enfraquecimento da massa de ar seco, associada ao Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul (ASAS). Com o afastamento desse sistema em direção ao oceano, há maior favorecimento para a formação de nuvens de chuva e elevação da umidade do ar.
Sistemas que influenciam o clima
Ainda conforme a análise, as chuvas de janeiro são influenciadas principalmente pela passagem de frentes frias, que atuam especialmente sobre o oceano próximo ao litoral do Sudeste, transportando umidade para o continente. Outro sistema importante são as Linhas de Instabilidade (LI), áreas de baixa pressão associadas ao intenso aquecimento diurno e ao deslocamento dos sistemas frontais.
A partir da primeira metade do mês, também se torna mais frequente a atuação das zonas de convergência, como a ZCOU (Zona de Convergência de Umidade) e a ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul). Esses fenômenos, típicos do verão, são responsáveis por períodos prolongados de chuva. Enquanto a ZCOU costuma durar até dois dias, a ZCAS pode persistir por três dias ou mais, provocando altos volumes de precipitação e desempenhando papel fundamental no regime de chuvas do Sudeste brasileiro.
Temperaturas elevadas
Além da chuva, o calor também marca o mês de janeiro na Bacia do Rio Doce. Os registros indicam temperaturas máximas variando entre 33,6°C em Aimorés e 28,9°C em Viçosa. Já as temperaturas mínimas ficam entre 22,9°C em Aimorés e 18,9°C em Conceição do Mato Dentro. Essas diferenças, conforme explica a professora Daniela Cunha, estão relacionadas a fatores como altitude e relevo, que influenciam diretamente o comportamento térmico dos municípios.
Para janeiro de 2026, a temperatura média em toda a bacia deve variar entre 20,0°C e 27,5°C, distribuída em três territórios térmicos:
- Noroeste, parte do sudoeste, centro e sul da bacia (Serro, Alto Rio Doce e Rio Esperança): entre 20,0°C e 22,5°C;
- Parte do norte, oeste, centro e sul (Santa Maria do Suaçuí, Conceição do Mato Dentro, Guanhães, Itabira, Ipatinga, Caratinga, Manhuaçu, Viçosa, Mariana e Ponte Nova): entre 22,5°C e 25,0°C;
- Parte do norte, centro e leste da bacia, incluindo Belo Oriente, Governador Valadares, Galiléia, Resplendor e Aimorés: entre 25,0°C e 27,5°C.







