EUA revoga certificação do programa de vistos internacionais da Universidade de Harvard; instituição contesta decisão

EUA revoga certificação do programa de vistos internacionais da Universidade de Harvard
FOTO: Divulgação/ Harvard

WASHINGTON – O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) anunciou nesta quinta-feira (22) a revogação da certificação da Universidade de Harvard no Programa de Estudantes e Visitantes de Intercâmbio (SEVP). Com a medida, a universidade perde o direito de matricular estudantes estrangeiros e de patrocinar vistos F e J a partir do ano acadêmico de 2025-26.

Segundo o comunicado oficial, assinado pela secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, a decisão foi motivada por supostas falhas da universidade em responder a ordens legais para fornecer informações sobre estudantes estrangeiros envolvidos em “atividades ilegais, antissemitas e de apoio a organizações terroristas”, além de alegações de conivência da administração com ações coordenadas por entidades ligadas ao Partido Comunista Chinês (PCC).

“Este governo está responsabilizando Harvard por fomentar a violência, o antissemitismo e a coordenação com o Partido Comunista Chinês em seu campus. […] Que isso sirva de alerta para todas as universidades e instituições acadêmicas do país”, afirmou Noem.

A decisão ocorre após o DHS já ter cancelado, no mês passado, US$ 2,7 milhões em subsídios federais destinados à universidade. A medida afeta diretamente milhares de estudantes e pesquisadores internacionais que atualmente estão em Harvard ou que planejavam iniciar seus estudos no próximo ano.

Universidade se posiciona contra a decisão 

Em resposta nesta sexta-feira (23), a Universidade de Harvard classificou a medida como “ilegal e injustificada” e anunciou que entrou com uma ação judicial contra o governo federal, além de protocolar uma moção para obter uma ordem de restrição temporária que suspenda os efeitos da revogação.

“Essa ação coloca em risco o futuro de milhares de estudantes e acadêmicos em Harvard e serve como um alerta para inúmeros outros em faculdades e universidades em todo o país. […] Condenamos essa ação ilegal e injustificada”, afirmou a instituição em comunicado.

Harvard também contestou a alegação de que teria ignorado pedidos do governo, afirmando que respondeu “conforme exigido por lei” às solicitações do Departamento de Segurança Interna.

A universidade destacou ainda o impacto humano da decisão e reafirmou seu compromisso com os alunos estrangeiros:

“Vocês são membros vitais da nossa comunidade. […] Nós os apoiaremos enquanto fazemos o máximo para garantir que Harvard permaneça aberta ao mundo.”

A controvérsia intensifica a tensão entre instituições acadêmicas e o governo federal estadunidense sobre a autonomia universitária, políticas migratórias e liberdade acadêmica, em um contexto de crescente polarização política no país.

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