GOVERNADOR VALADARES – Interditado totalmente desde o dia 25 de março de 2025, o Viaduto do Filadélfia, localizado na Rua Israel Pinheiro, em Governador Valadares, deverá completar um ano de bloqueio no próximo mês sem que as obras de recuperação tenham sido iniciadas. A interdição ocorreu após um laudo técnico apontar risco iminente de desabamento da estrutura. Desde então, o trecho da Avenida Brasil que passa por baixo do viaduto também permanece fechado.
Três meses após a interdição total, em 25 de julho de 2025, a Prefeitura Municipal anunciou o início da preparação do processo licitatório para a contratação da empresa responsável pela reforma. No entanto, até esta semana, não havia informações oficiais sobre a conclusão da licitação ou o início efetivo das obras. O bloqueio prolongado tem provocado impactos significativos na mobilidade urbana da região. O trânsito foi desviado para vias alternativas, como as ruas Afonso Pena, Sete de Setembro, Samuel Gamon e Carlos Eduardo Pereira, gerando congestionamentos frequentes. Diante da situação, moradores se reuniram na tarde desta quinta-feira (12) em uma manifestação realizada na rotatória do bairro São Pedro, na Praça Jacinto Cardoso da Cunha. O protesto teve como objetivo cobrar providências do poder público e dar visibilidade aos transtornos enfrentados diariamente.
À frente da mobilização, o jornalista Bruno Germano Rezende destacou o cansaço da população. “A gente está com o objetivo de chamar a atenção da opinião pública para o problema que a gente está vivendo aqui, que é um problema grave. Está atrapalhando vários bairros, a mobilidade da cidade, e ninguém toma uma atitude. O pessoal já está cansado”, afirmou. Segundo ele, os principais problemas envolvem o trânsito e os prejuízos econômicos. “Temos o problema da mobilidade, do desvio da Israel Pinheiro, que tinha um fluxo grande de veículos. Os empresários estão sendo prejudicados, muita gente está falindo. A situação é grave e eu não vejo vontade política para resolver. Se tivesse, já teria sido resolvido. A gente vê, por exemplo, a ponte do Vila Isa quase pronta, enquanto um viaduto pequeno dentro da cidade não sai do papel”, completou.



Moradora da região há mais de 20 anos, a professora de Educação Física Márcia Maria Santos relatou que o cotidiano se tornou caótico. “A Rua Afonso Pena, que é de mão dupla, está um caos. Não existe policiamento no dia a dia, só aparece em dia de manifestação. O transtorno atinge o comércio, os pedestres e os motoristas. Atravessar a rua é perigoso, não tem sinalização adequada”, disse. Ela também criticou a falta de respostas do poder público. “A gente precisa de trânsito seguro, de chegar em casa com vida. Pracinha bonita não resolve o nosso problema.” O comerciante e ex-engenheiro Célio Miguel Coelho questionou a demora para a solução. “Quase onze meses é muito tempo para um laudo e um projeto de uma obra simples como esse viaduto. A pergunta que fica é: é falta de vontade política ou existe algum impedimento político para resolver o nosso problema?”, indagou.
Já o morador Maurício Neves, da Rua Samuel Gamon — uma das vias utilizadas como desvio para acesso à Avenida Brasil — relatou que o tempo de deslocamento aumentou drasticamente. “Hoje eu gasto cerca de 40 minutos para andar meio quarteirão. Antes, eu fazia em cinco minutos. O trânsito na minha rua virou um inferno, já teve vários acidentes, batidas de carro, motociclistas passando e quebrando retrovisores”, contou. Ele também demonstrou preocupação com a segurança das residências. “O barranco do outro lado da rua está desmoronando. Daqui a pouco vai ser necessário um muro de arrimo para evitar que as casas sejam afetadas.” Maurício ainda criticou a ausência constante da fiscalização. “Guarda de trânsito e Polícia Militar só aparecem em dias como hoje. No dia a dia, nunca”, afirmou. Para ele, a demora é injustificável. “Valadares tem faculdade de engenharia, profissionais capacitados. Uma ponte enorme sobre o Rio Doce está quase pronta em poucos meses, e esse viaduto, que é muito menor, vai completar um ano sem sequer uma obra iniciada.”



Comunicado oficial da Prefeitura
Em nota divulgada também na tarde desta quinta-feira (12), pouco antes da manifestação, a Prefeitura de Governador Valadares informou que reconhece os transtornos causados pela interdição e afirmou que a obra é de “extrema complexidade”. Segundo o comunicado, o serviço exige alta especialização técnica e extrapola a capacidade operacional do município, sendo necessária a contratação de uma empresa com expertise comprovada. A administração municipal destacou ainda que os processos administrativos e legais para a contratação estão em fase final de elaboração e que, nos próximos dias, serão divulgadas informações sobre o cronograma de início das obras de recuperação definitiva do viaduto.







