GOVERNADOR VALADARES – A Justiça de Londres concluiu, nesta sexta-feira (14), que a mineradora BHP é responsável pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, ocorrido em 2015. A decisão, proferida pela juíza O’Farrell DBE, reconhece a empresa como poluidora segundo a legislação ambiental brasileira e afirma que o desastre foi causado por conduta culposa da companhia.
A ação coletiva é liderada pelo escritório internacional Pogust Goodhead e reúne milhares de atingidos que processam a BHP em uma jurisdição para onde a mineradora remete lucros provenientes de suas operações de minério no Brasil. Esta decisão é a primeira, dentro do caso, a afirmar formalmente a responsabilidade de uma das empresas envolvidas e representa um passo importante para o avanço da justiça ambiental em escala global.
A sentença indica que as reivindicações do processo inglês seguem válidas pelo menos até setembro de 2029, e autoriza o prosseguimento das ações movidas por municípios. Com isso, o caso avança para a fase de quantificação de danos, cuja agenda será definida em audiência marcada para 17 e 18 de dezembro de 2025, enquanto o julgamento da fase 2 está previsto para outubro de 2026.
A decisão também tratou do alcance das quitações assinadas por vítimas que aderiram aos programas de compensação da Renova ou da Repactuação. Segundo o Tribunal, a validade e a extensão dessas quitações dependem exclusivamente dos termos e das circunstâncias específicas de cada acordo, seguindo as regras de interpretação contratual previstas no Código Civil brasileiro. A Corte ainda concluiu que o Código de Defesa do Consumidor não se aplica a esse tipo de acordo.
Nos fundamentos que levaram à decisão, a corte determinou que a BHP, ao lado da Vale, exercia controle direto e indireto sobre a Samarco, responsável pela operação da barragem, e tinha participação ativa nas decisões estratégicas e operacionais. A juíza concluiu que a empresa assumiu o controle sobre a avaliação e a gestão dos riscos da estrutura e que, por ter financiado e obtido benefícios substanciais das operações, enquadra-se juridicamente como poluidora, sendo objetivamente responsável pelos danos ambientais.
A decisão também afirma que o rompimento decorreu de negligência, imprudência e imperícia. Segundo a corte, havia provas claras, disponíveis antes de 2015, de que a barragem apresentava alta suscetibilidade à liquefação, condição crítica que não foi adequadamente tratada. A magistrada rejeitou a tese da BHP de imprevisibilidade e concluiu que uma análise técnica adequada teria identificado a insegurança da estrutura, tornando “inconcebível” a decisão de elevar continuamente a barragem sem correções.
Outro ponto destacado foi o conhecimento prévio da empresa sobre falhas graves de drenagem interna e riscos associados ao barramento. Para a corte, havia sinais de alerta desde agosto de 2014, mas a BHP não adotou medidas corretivas necessárias, optando por manter o ritmo de operação e expansão. A atuação da mineradora, segundo a sentença, violou padrões reconhecidos da indústria, contribuindo diretamente para o colapso da estrutura.
BHP irá recorrer da decisão
Em nota postada em seu site oficial, a BHP afirma que irá recorrer da decisão. A empresa revela que “mais de 610 mil pessoas já foram indenizadas no Brasil, incluindo aproximadamente 240 mil requerentes da ação coletiva do Reino Unido que concederam renúncias relativas a reivindicações relacionadas”. Ainda no comunicado, a BHP “acredita que a ação coletiva no Reino Unido duplica medidas de reparação e compensação que já ocorreram no Brasil”.
A empresa ressalta que, juntamente com a Samarco e a Vale, segue executando o acordo firmado com autoridades públicas brasileiras e defensores públicos em outubro de 2024. O compromisso prevê R$ 170 bilhões (US$ 32 bilhões) destinados à reparação dos impactos do rompimento, incluindo investimentos em saneamento básico, fortalecimento do sistema público de saúde, recuperação econômica, obras de infraestrutura, indenizações coletivas para comunidades indígenas e tradicionais, compensações para municípios afetados e programas de apoio à renda para populações vulneráveis nas regiões atingidas.
A BHP afirma ainda manter confiança de que o acordo firmado no Brasil oferece os meios mais rápidos e eficazes para garantir a compensação às pessoas impactadas pelo rompimento da barragem da Samarco.








Comments 8
duvida?quem vai pagar por isto
Ate hoje a muita gente que não res3beu nada inclusive ainda familha
Mesmo com bilhões indo para governos, tem atingido que está abandonado, tem pescador sem renda, tem moradores sem renda, tem morador sem água, tem agricultura arruinada, tem comércio falido.E isso é justo.
Quem deve pagar por esse desastre quem o causou
As responsáveis foram
Samarco
Vale
Bhpbilliton
Eu preciso dessa indenização por ser idosa e só tenho uma pensão de um salário mínimo.. se for verdade eu preciso de muito deste dinheiro 💶
Barragem nos casou grandes problemas de saúde e mataram muitas pessoas queridas
Eu preciso dessa indenização para cuidar da minha saúde
Quem deve tem que pagar por esse desastre quem o causou
As responsáveis foram
Samarco