Secretária de Educação e testemunhas respondem questionamentos da defesa e da acusação
GOVERNADOR VALADARES – As oitivas no processo que investiga supostas irregularidades na contratação do transporte escolar em Governador Valadares seguiram nesta terça-feira (31), na sede da Câmara Municipal, marcando o segundo dia da fase de instrução. O depoimento da secretária municipal de Educação, Nair Maria da Cunha de Freitas, abriu a sessão, que contou com perguntas tanto da comissão de defesa do prefeito Coronel Sandro (PL) quanto da acusação.
Ao falar sobre o processo, Nair destacou a necessidade de diálogo desde o início e a motivação para as mudanças no transporte escolar. “Como eu mencionei aqui, eu penso que, como secretária da pasta, eu deveria ter sido consultada e deveria ter sido feita uma conversa comigo desde o início. De repente, a gente teria evitado muitos constrangimentos e evitado todo esse processo. Porque o processo diz respeito à Secretaria Municipal de Educação. O transporte escolar, como o próprio nome já diz, acontece através da Secretaria Municipal de Educação. E nós não temos — eu, particularmente, não tenho — nada a esconder”, afirmou.
O advogado de defesa do prefeito, Mauro Bonfim, ressaltou o cumprimento do rito legal. “O Decreto-Lei 201, que é uma lei federal, regulamenta o procedimento. Estamos na fase da instrução probatória, e teremos, como último ato da instrução, o depoimento pessoal do prefeito”, declarou.
O presidente da Comissão Processante, Amaral do Povo (Avante), reforçou o papel fiscalizador dos vereadores. “Não estamos acusando nem A nem B; estamos cumprindo o papel de 21 vereadores que assinaram e votaram para aceitar a denúncia e mostrar, de fato, o nosso compromisso com a população, que também vem nos cobrando”, disse.
O autor da denúncia, Fabiano Careca, detalhou as supostas irregularidades no transporte escolar. “A questão do transporte escolar aqui envolveu algumas irregularidades. Inicialmente, uma empresa que já prestava o serviço foi substituída por um consórcio, que contratou outra empresa, mas, pasmem, ficaram trinta dias sem contrato, transportando as crianças sem qualquer segurança prévia. Queremos esclarecimentos do prefeito; não estamos acusando que ele fez ou deixou de fazer algo, mas, como cidadãos, temos o direito — com base no Decreto 201/67 — de solicitar esclarecimentos ao nosso representante da administração de Governador Valadares.”, afirmou.
Evaldo Braga, advogado da acusação, explicou os documentos apresentados à comissão. “Nós apresentamos documentação comprobatória dessa alegação, e o que está acontecendo hoje é justamente a produção de provas a partir dessa documentação, tanto pelo denunciante quanto pela defesa do denunciado, para que a comissão processante possa analisar e chegar a uma conclusão. Houve um lapso de 30 dias em que ficou um vazio sem que houvesse um documento legal, formalmente elaborado, para autorizar a contratação da nova empresa. A empresa de Montes Claros não tinha sede em Governador Valadares e foi contratada, salvo engano, em 29/07/2025; no dia 3 de agosto, ela já estava operando na cidade, utilizando as mesmas vans e os mesmos motoristas. Isso gerou dúvidas, que estamos apresentando para que a comissão processante possa analisar e chegar a uma conclusão”.
As oitivas só irão terminar após o depoimento do prefeito Coronel Sandro (PL), que será o último a ser ouvido, em data a ser definida. Após a conclusão, a comissão elaborará relatório final, que será submetido aos 21 vereadores, responsáveis por decidir pelo arquivamento ou continuidade do processo, o que pode resultar em pedido de impeachment.









