GOVERNADOR VALADARES – Durante entrevista coletiva realizada na Prefeitura de Governador Valadares, o prefeito Coronel Sandro anunciou que as obras de reforma do viaduto do Filadélfia devem começar nesta sexta-feira (27). A previsão é de que os trabalhos sejam concluídos em até três meses, com expectativa de liberação do tráfego de veículos e pedestres até o fim de maio. O investimento total na obra é de aproximadamente R$ 1,7 milhão. A maior parte dos recursos é proveniente de emenda parlamentar, enquanto o restante será custeado pelo município.
De acordo com o prefeito Coronel Sandro, a ordem de serviço já foi assinada pela Secretaria Municipal de Obras e Serviços Urbanos (SMOSU), o que permite o início imediato das obras a partir desta sexta-feira. Segundo o prefeito, do total de R$ 1,7 milhão previstos para a obra, cerca de R$ 1,364 milhão são provenientes de emenda parlamentar destinada pelo deputado federal Hercílio Diniz (MDB), enquanto o restante será custeado com recursos próprios do município.
Coronel Sandro reconheceu o atraso no início das obras, mas destacou que o viaduto não poderia ser liberado sem a conclusão de todos os reparos estruturais. Segundo ele, a decisão foi tomada com cautela para evitar qualquer medida precipitada, priorizando a segurança e a qualidade da intervenção.
“Nada nos faria tomar a decisão de liberar o viaduto sem que toda a obra estrutural e os reparos estivessem concluídos. Eu jamais me perdoaria se fizesse isso e algum acidente viesse a acontecer, colocando vidas em risco. Precisamos confiar no trabalho de quem elabora os laudos e conduz os processos técnicos. Manter o viaduto interditado, como foi feito, é uma decisão difícil, especialmente pelos transtornos que causa, mas era necessária. O mais importante é resolver o problema com segurança. Se vai levar um dia ou um ano, isso depende da complexidade do serviço, cada intervenção tem o seu tempo”, disse.
O prefeito de Governador Valadares ressaltou que a demora nem sempre está relacionada à gestão, mas aos próprios procedimentos exigidos no serviço público. “Enfrentamos algumas dificuldades internas, principalmente na definição técnica da intervenção que seria realizada. Também tivemos desafios na escolha da modalidade de contratação, e isso acabou impactando no prazo. Não é algo que a gente diga com satisfação, mas, de forma geral, os processos são mais demorados. Muitas vezes, não é falta de ação da administração, e sim etapas técnicas que precisam ser cumpridas, como acontece nas licitações”, destacou.
Demonstrando indignação ao comentar a situação estrutural do viaduto, Coronel Sandro indicou que os problemas são resultado de anos sem a devida manutenção. Segundo ele, a atual gestão tem buscado corrigir falhas acumuladas ao longo do tempo, dentro das condições financeiras do município.
“Nós pegamos uma cidade toda sucateada. Então, estamos fazendo o que é possível, dentro das condições que o município tem, para corrigir. Eu vou citar pelo menos os últimos 16 anos. Nesse período, sequer se falou em fazer essa manutenção que, segundo o engenheiro, deveria ter sido feita quando o viaduto completou 20 anos de inauguração. Se passaram 47 anos e nunca foi feito. Por isso que agravou desse jeito. Mas, pode ter certeza, nós vamos resolver”, afirmou.
Falta de manutenção ao longo dos anos agravou problemas na estrutura do viaduto
Com 47 anos de existência, o viaduto já deveria ter passado por intervenções de manutenção estrutural, conforme destacou o engenheiro Renato Dalessi, da empresa Terramares, responsável pela execução da obra. Segundo ele, esse tipo de serviço é comum em estruturas como pontes e viadutos e faz parte da manutenção necessária ao longo do tempo.
“Toda estrutura de concreto tem uma vida útil e, geralmente, entre 20 e 30 anos, passa por esse processo de substituição dos aparelhos de apoio. O que foge do padrão, neste caso, é o recalque que ocorreu. Mas nosso foco agora é recuperar a estrutura. Esse tipo de intervenção é comum e necessário para garantir a segurança e a durabilidade do viaduto”, explicou.
Segundo o engenheiro, a obra foi planejada para minimizar impactos no trânsito e garantir a recuperação completa da estrutura. A maior parte dos serviços será realizada na parte inferior do viaduto. “A primeira resposta que eu queria dar é que não haverá novos impactos no trânsito. Os fechamentos que já estão no local são suficientes para a execução da obra. Em linhas gerais, cerca de 80% dos serviços serão feitos por baixo do viaduto, com reforço dos pilares, troca dos aparelhos de apoio e o chamado macaqueamento da estrutura.”
Dalessi detalhou ainda que o principal problema identificado foi um deslocamento nas pistas, conhecido tecnicamente como recalque diferenciado, o que exige uma intervenção mais complexa para reposicionar a estrutura. “O que a gente observa hoje é que os tabuleiros, que são as pistas de subida e descida, sofreram movimentações. Os projetos recomendam que essa estrutura seja levada de volta à posição original. Para isso, vamos utilizar macacos hidráulicos, que vão elevar o viaduto até o nível correto. Esses equipamentos serão apoiados em estruturas que ainda precisam ser construídas, já que o projeto original é mais antigo.”
Após essa etapa, será feita a substituição dos aparelhos de apoio, peças emborrachadas que permitem a movimentação natural da estrutura. “Esses dispositivos estão danificados e serão trocados. Depois disso, os macacos são retirados e o viaduto retorna à posição adequada. Na sequência, serão realizados o recapeamento e o tratamento das juntas de dilatação”, completou.
Interdição por risco estrutural provocou impactos no trânsito e na rotina da população
Interditado desde 25 de março de 2025, o viaduto segue fechado após a identificação de problemas estruturais graves que colocam em risco a segurança de motoristas e pedestres. A interdição tem causado transtornos significativos no dia a dia da população, com aumento do fluxo de veículos em rotas alternativas, congestionamentos no entorno e dificuldades de deslocamento, além de impactos diretos no comércio local e na mobilidade urbana da região.
A decisão de bloquear a estrutura foi tomada com base em laudos técnicos que indicaram a necessidade de interdição imediata. Desde então, moradores e motoristas enfrentam dificuldades de acesso a bairros como Esplanada, Esplanadinha, São Pedro, Universitário, entre outros.
O relatório técnico apontou uma série de falhas, como deslocamento do tabuleiro, infiltrações nas juntas de dilatação, corrosão das armaduras de aço, deterioração do concreto e ausência de reforço adequado nos pilares. Com o fechamento, o trânsito precisou ser reorganizado, com desvios pelas ruas Afonso Pena e Sete de Setembro, além de mudanças em linhas do transporte coletivo urbano.








