O árbitro, o atleta, o dirigente, a mídia e a “dona”

O futebol brasileiro vive momentos de ebulição em decorrência do acirramento das disputas envolvendo clubes maiorais e que se consideram os donos da verdade, de um absolutismo incomum e de desfaçatez que salta aos olhos e que provocam todos os tipos de reações.

 No centro das discussões, das agressividades e acusações de todos os tipos, algumas aceitáveis, outras tantas repugnantes, a ARBITRAGEM se apresenta como o calcanhar de Aquiles da balbúrdia impregnada no futebol que um dia foi o melhor do mundo e que hoje mais se assemelha a um moribundo.

Estamos prestes a alcançar o fundo do poço quando se fala em credibilidade, conceito, visibilidade e qualidade de espetáculos mostrados aos mundanos. Ao contrário, exibimos diuturnamente espetáculos vergonhosos, cheios de deslealdades e com resultados alterados em decorrência de condutas e procedimentos de alguns atores envolvidos.

Presente nos estádios ou de olho na celinha, despido da figura do torcedor apaixonado, constata-se com assiduidade e não em casos raros, figuras de ARBITROS despreparados, acuados, pressionados e cobrados, atirados ao picadeiro e entregues às próprias sortes, enfrentando pseudos atletas paparicados, sem o mínimo de formação, maldosos na maioria dos casos, com condutas reprováveis acobertadas por outros desqualificados.

O atleta de futebol no Brasil se julga intocável, está sempre de dedo em riste, reclama de tudo, cerca árbitros, ofende, provoca, ameaça, agride colegas, provoca confusões e badernas e. normalmente, como atleta, rende pouco, produz muito pouco. Mas é paparicado pela mídia e pela massa de torcedores. Acabam se achando.

0 dirigente de futebol em nosso pais ainda não se deu conta de que a período de amadorismo se foi e que condutas passionais, desprovidas de seriedade e falta de objetividade, a nada leva, nada constrói e não soma em nada. Pelo contrário, desanimam, desestimulam.

A mídia raivosa, descompromissada, cheia de ‘achismo e paixão clubística fecha os olhos ou toma partido dependendo da situação ou do clube envolvido. Não há imparcialidade. O ‘time” da massa, o ‘time’ da grana maior, o ‘time’ do esquadrão milionário, este tem preferência na análise, no comentário e no induzimento da opinião pública.

Como desgraça pouca é bobagem, acima de tudo e de todos, aparece a figura de ‘dona’ CBF – Confederação Brasileira de Futebol, preocupada com interesses não republicanos, fatiada e esquartejada, porque foi assim que seus atuais mandatários obtiveram o poder ou dele se apoderaram. Seus mandatários são incapazes de implementarem mudanças profundas que objetivem, minimamente, estirpar a podridão que se apoderou do futebol de nosso país.

Ramon ‘AJUDA’ Abel pode cometer erros absurdos na quinta e no domingo dependendo dos prejudicados; a Comissão Técnica e atletas suplentes do Palmeiras vão continuar invadindo gramados e agredindo quem encontrar pela frente; o VAR pode continuar escolhendo situações em que queira intervir; bola na mão e mão na bola fica na dependência do clube favorecido; estamos conversados.

Como tudo parece contaminado, corremos o risco de que determinados juizes sejam expulsos de campo quando na direção de partidas em que tenham pela frente atletas como o zagueirão Gustavo Gómez do Palmeiras, o goleiro Weverton, também do Palmeiras, Hulk e Lyanco do Galo, Kannemann do Grêmio, Léo Ortiz do Flamengo e inúmeros outros que se insurgem de formas arrogantes e desrespeitosas quando de marcações ou posições adotadas em campo pelos árbitros.

Se é verdade que a arbitragem no Brasil está uma droga, não menos verdade que ela está rodeada de mazelas de todos os tipos, com prevalência da indiferença e frieza próprias dos descompromissados e onde os dirigentes dos clubes são os maiores culpados porque visam unicamente interesses isolados e não coletivos.

No Brasil de hoje, pais e responsáveis de nossos menores, regra geral, não vêm na EDUCAÇÃO o objetivo maior a ser buscado. Em primeiro lugar, a vaga numa chamada “escolinha de futebol” que pouco ou quase nada ensina e educa. Vamos de mal a pior nos quesitos Cultua e Educação.

O que nos resta: Um sombrio quadro de perdas ou falta de valores positivos, indispensáveis para uma vida digna. No futebol brasileiro, todos os ATORES, sem exceção, carecem de bons propósitos, dignidade, respeito e valorização da vida em todos os sentidos. E o esporte é vida, saúde, cultura e educação…


(*) Ex-atleta

N.B.1 – não será medida de sabedoria e prudência não enviar arbitro algum de nosso país para a próxima copa do mundo? Vexames seriam evitados.

N.B.2 –  os Corneteiros de plantão não estão tendo sucesso com Carlo Angelotti. O nível do homem é por demais elevado. Por falar em “corneteiros”, lembramo-nos dos corredores do Mamudão de tempos passados. Houve mudanças?

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