Expedição técnica avança na criação de nova área protegida na Bacia do Rio Doce

FOTO: Divulgação/IEF

CONCEIÇÃO DO MATO DENTRO – A criação de uma nova Unidade de Conservação (UC) na Bacia do Rio Doce deu um passo importante na última semana com a realização de uma expedição de campo coordenada pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF). A iniciativa busca identificar e delimitar uma área estratégica para a preservação da biodiversidade aquática na região do Rio Santo Antônio.

A ação integra as medidas previstas no Acordo de Reparação do Rio Doce e concentrou atividades nos municípios de Conceição do Mato Dentro, Ferros e Itambé do Mato Dentro. Durante a expedição, a equipe técnica realizou o reconhecimento detalhado do território, com o objetivo de mapear trechos prioritários que poderão compor a futura unidade de conservação. O trabalho envolve a identificação de habitats preservados, como remanescentes de mata nativa e áreas com leito rochoso — ambientes considerados ideais para a manutenção da biodiversidade local. Esses espaços são essenciais para o equilíbrio ecológico, especialmente para espécies que dependem de águas limpas e correntes para completar seus ciclos de vida.

Fauna aquática ameaçada

Um dos principais critérios para a delimitação da nova UC é a presença de espécies de peixes criticamente ameaçadas de extinção. Entre as prioridades estão a Piabanha, o Surubim-do-doce e o Andirá. A região do Rio Santo Antônio ainda preserva trechos de águas correntes e leitos rochosos. Esses ambientes se tornaram raros na calha principal do Rio Doce após os impactos ambientais registrados nos últimos anos.

Além da relevância ecológica, o Rio Santo Antônio se destaca por apresentar um dos melhores índices de qualidade da água em toda a bacia, contribuindo diretamente para a recuperação ambiental do Rio Doce, do qual é um importante afluente. Segundo o gerente de Conservação e Restauração de Fauna Aquática e Pesca do IEF, Leandro Guimarães, o levantamento técnico realizado na região possui alto valor ecológico para o estado. “Essa etapa de campo foi fundamental para consolidar os dados técnicos necessários ao plano de recuperação da bacia do Rio Doce, conforme previsto no acordo judicial em vigor”, destacou.

De acordo com o especialista, o monitoramento contínuo e o aprofundamento dos estudos são medidas essenciais para garantir a preservação ambiental e o equilíbrio de todo o ecossistema regional.


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