Esposa e filhas abusadas sexualmente pelo pai são ouvidas pela Justiça

FOTO: Pexels

TEÓFILO OTONI – Nesta terça-feira (11), as vítimas de um crime hediondo, envolvendo os crimes de estupro, violência doméstica, violência psicológica, cárcere privado, aborto e ocultação de cadáver, prestaram depoimento em uma audiência em Teófilo Otoni. O caso, que aconteceu em Novo Oriente de Minas e se desenrolou entre 2001 e 2024, envolve um homem de 55 anos, sua esposa e três filhas do casal. O acusado encontra-se preso desde outubro do ano passado.

A denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) revela um cenário de terror e violência. Durante 23 anos, a esposa do acusado foi mantida em cárcere privado, impedida de se comunicar com familiares e terceiros. A mulher só podia sair de casa para receber benefícios sociais ou resolver questões escolares dos filhos.

O objetivo do réu era claro: evitar que a ex-companheira denunciasse os abusos que sofria. Segundo o processo, a mulher foi obrigada a abortar diversas vezes, em um total de dez gestações. Além do cárcere privado e dos abortos forçados, o MPMG denunciou o acusado por outros crimes: ocultação de cadáver, violência psicológica contra a companheira e as filhas, ameaças e estupro de vulnerável contra duas filhas menores de 14 anos.

A promotora de Justiça Renata Schlickmann, responsável pela denúncia, destaca a crueldade da violência psicológica sofrida pela vítima: “A então esposa viveu uma situação de violência psicológica por mais de 20 anos. O homem a ameaçava e a agredia na presença dos filhos. Além disso, a privava de liberdade e mantinha relações sexuais contra a sua vontade”.

Como o caso chegou ao MPMG

O caso chegou ao conhecimento das autoridades graças à uma das filhas do casal, que procurou a Polícia Civil (PC) para denunciar os crimes. A vítima, que também sofreu violência psicológica, inspirou outros membros da família a quebrarem o silêncio. Com medo do acusado, os filhos, alguns já adultos, começaram a fugir de casa. A mãe, acompanhada dos filhos que ainda eram crianças, também conseguiu fugir.

Após a coleta de depoimentos e provas, a PC solicitou a prisão preventiva do acusado, com parecer favorável do MPMG. A Justiça acatou o pedido, e a ação penal foi iniciada. A defesa do acusado se manifestou, mas o juiz do caso manteve a prisão preventiva, que segue em vigor.

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