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Empreendedora transforma legado familiar da Ferrovia Bahia-Minas em pouso acolhedor no interior de Minas

FOTO: Divulgação

Em Carlos Chagas, Giovana Amorim aposta em receitas de família e turismo sustentável para receber visitantes

CARLOS CHAGAS – Na pacata comunidade de Francisco Sá, zona rural do município de Carlos Chagas, o passado e o presente se entrelaçam na história da professora aposentada Giovana Amorim, de 57 anos. Neta de José Joaquim de Amorim, um dos construtores da lendária Ferrovia Bahia-Minas — desativada em 1966 —, ela transformou a herança afetiva e territorial da família em um negócio de hospitalidade, que hoje atrai turistas em busca de experiências autênticas na Rota Bahia-Minas.

A iniciativa ganhou forma com a criação da Rocinha Pouso e Café, um empreendimento familiar que une hospedagem, culinária típica e histórias que resistem ao tempo. Ao lado do marido, Leonardo Schuffner, e do filho, Artur Amorim, Giovana viu no turismo de base comunitária uma forma de valorizar o território e gerar renda sustentável.

Um retorno às origens em meio à pandemia

Após se aposentar do magistério, lecionando Português em Teófilo Otoni, Giovana retornou para Francisco Sá em plena pandemia de Covid-19. O reencontro com a terra natal coincidiu com a reativação da Rota Bahia-Minas, projeto encabeçado pelo Sebrae Minas a partir de 2018, que vem promovendo o desenvolvimento turístico em seis municípios dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri.

“Passamos a integrar os empreendimentos que estão na Rota em um momento inesperado. Soube de um curso que seria ministrado pelo Sebrae Minas, voltado para interessados em investir na Rota. Participei por curiosidade e, pouco tempo depois, recebi hóspedes na minha casa”, relembra. O interesse espontâneo logo virou oportunidade: “Como tínhamos uma outra casa desocupada em nossa propriedade, resolvemos investir neste espaço acreditando nos incentivos que recebemos durante a capacitação”.

Tradição e afeto à mesa

Na “Rocinha Pouso e Café”, a hospitalidade começa ainda no quintal da casa. É ali que Giovana surge, trazendo em uma bandeja empadinhas de frango feitas segundo uma receita de família passada por gerações. “Minha avó preparava, e minha mãe vendia para os passageiros do trem. Hoje, eu mantenho a tradição servindo para os turistas”, conta, emocionada.

FOTO: Divulgação

A experiência vai além do paladar: quem visita o espaço escuta as histórias da antiga ferrovia, conhece a rotina da comunidade e se conecta com um modo de vida simples, mas cheio de significado. Em apenas um ano, o negócio já recebeu cerca de 100 visitantes, muitos deles atraídos pela autenticidade do local.

Inspiração que move a rota

Para Giovana, o trabalho coletivo promovido pela reativação da Rota Bahia-Minas ressoa de forma profunda. Ela compara sua jornada empreendedora à canção “Poxichá”, do compositor mineiro Marcílio Menezes, que narra a última viagem do trem pela antiga ferrovia:

“A música tem um trecho que diz: ‘avisa lá em casa que um dia eu volto’. Percebo que este trabalho realizado pelo Sebrae Minas foi responsável por motivar estas pessoas que vivem nas comunidades por onde passa a Rota”, destaca.

FOTO: Divulgação

A família segue firme na missão de promover o destino: investe em redes sociais, participa de capacitações — especialmente em atendimento ao cliente — e sonha com a consolidação da Rota como produto turístico sustentável. “Nosso sonho é ver a Rota com a governança plena. Quanto mais pessoas conhecerem e visitarem este destino, maiores serão nossas possibilidades de seguir investindo no nosso empreendimento, e de outras pessoas fazerem o mesmo”, afirma.

Rota Bahia-Minas

Com cerca de 350 km de extensão, a Rota Bahia-Minas liga os municípios de Araçuaí, Novo Cruzeiro, Ladainha, Poté, Teófilo Otoni e Carlos Chagas, e pode ser percorrida por carro, moto, bicicleta ou a pé. No caminho, o visitante encontra estações ferroviárias, igrejas, vilas operárias e construções centenárias, além de paisagens naturais exuberantes, como cachoeiras, lagoas, formações rochosas e túneis esculpidos ao longo de mais de um século.

FOTO: Divulgação

Desde 2018, o programa Check-in Turismo, do Sebrae Minas, tem atuado na qualificação de empreendedores da região, com foco em atrair visitantes, fortalecer a economia local e preservar o patrimônio histórico e cultural.

O reconhecimento desse esforço coletivo veio com a indicação da Rota à 13ª edição do Prêmio Braztoa de Sustentabilidade, promovido com apoio da Embratur. A iniciativa é finalista na categoria “Comunidades Locais”, que valoriza projetos que promovem o desenvolvimento sustentável respeitando as culturas e modos de vida das populações locais. A premiação acontecerá no contexto da COP-30, em Belém (PA), no dia 8 de dezembro.

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