GOVERNADOR VALADARES – Dez anos após o rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Doce (CBH Doce) faz um balanço das ações desenvolvidas para restaurar os cursos d’água e recuperar os territórios atingidos. Mesmo com os esforços empreendidos ao longo da última década, o cenário ainda é marcado por desafios ambientais, sociais e econômicos.
Desde 2015, os comitês afluentes das porções mineira e capixaba da bacia uniram forças para implementar iniciativas de preservação, monitoramento e restauração ambiental. De acordo com o presidente do CBH Doce, José Carlos Loss Junior, o processo de recuperação do rio segue em ritmo lento, principalmente por conta da presença persistente dos rejeitos de minério depositados após o rompimento. “Como comitê, acompanhamos de perto a situação do Rio Doce e constatamos que ainda há uma quantidade significativa de rejeitos em seu leito. Se houve remoção, ela foi muito limitada. Trata-se, portanto, de um problema crônico, que deve se estender por muitos anos, enquanto o rejeito permanecer no rio”, afirma Loss.
Além dos danos ambientais, o desastre deixou impactos profundos na vida das populações ribeirinhas. “O rompimento da barragem alterou as características físicas do rio e afetou pescadores, povos indígenas e diversas comunidades que dependiam dele. O Termo de Transação e Ajustamento de Conduta (TTAC) foi firmado em 2015 e 2016, mas o que se observou ao longo desses anos foi um avanço tímido nas ações. Esse processo de recuperação precisa ser acelerado”, destacou.
Ao longo da última década, mais de R$ 240 milhões foram investidos em ações voltadas à proteção de nascentes, saneamento básico, segurança hídrica e gestão de eventos críticos. Segundo Loss, esses projetos já vinham sendo planejados antes da tragédia, diante dos problemas recorrentes de seca, erosões e enchentes na região. “Os Comitês do Rio Doce seguem comprometidos com a continuidade das ações de revitalização e governança da bacia, buscando integrar políticas públicas e projetos voltados à recuperação dos territórios atingidos”, ressaltou. Entre os avanços recentes, o presidente destaca a atualização e aprovação, em 2023, do Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia do Rio Doce (PIRH). “É um documento robusto, que traça um diagnóstico detalhado da realidade ambiental e define estratégias de curto, médio e longo prazos para solucionar os problemas identificados”, explicou.
Em outubro de 2024, nove anos após o desastre, um novo acordo de reparação da Bacia do Rio Doce foi firmado, com foco na recuperação ambiental, retomada econômica e atendimento aos atingidos. As negociações foram conduzidas no âmbito do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6). Entretanto, o CBH Doce e os comitês afluentes não foram incluídos nas discussões. “Esperamos que os recursos provenientes da repactuação sejam aplicados de forma eficaz em toda a bacia. Neste momento, estamos buscando estabelecer um diálogo mais próximo com os Ministérios Públicos de Minas Gerais e do Espírito Santo, a fim de acompanhar a execução das ações”, pontuou Loss.







