Decisão partiu do Comitê Extraordinário Covid-19, que adotou novas medidas para funcionamento do comércio em cidades que estão classificadas na onda vermelha
Na reunião de ontem (9) do Comitê Extraordinário Covid-19 foi decidido que a região Leste permaneceria na onda vermelha, a fase mais restritiva do Minas Consciente. Na mesma reunião, também foram estabelecidas novas medidas de funcionamento do comércio das cidades que estão na onda vermelha neste mês dezembro, período em que o segmento fica bem movimentado. Comerciantes de Valadares já começaram a receber clientes nas lojas, de acordo com os novos protocolos, a partir da tarde desta quinta-feira (10).
Governador Valadares vai para a quarta semana seguida na onda vermelha e os serviços não essenciais só estavam funcionando com retirada de mercadoria na porta das lojas ou delivery. Dentre os novos protocolos estabelecidos pelo Comitê Extraordinário Covid-19 em relação ao comércio das cidades que estão na fase mais restritiva do Minas Consciente está o aumento da metragem referência (1 cliente/consumidor para cada 10 metros quadrados) e utilização de controle de acesso para comércio varejista.
Rui Maurício é sócio-proprietário de uma loja de roupas dos públicos masculino e feminino localizada na rua Israel Pinheiro, região central de Governador Valadares. Ele acredita que essa decisão foi um avanço, mesmo que tenha acontecido com um pouco de atraso. “Eu acredito que depois de certa experiência com o tratamento da pandemia, que vem desde março, o que foi decidido hoje é um grande avanço. Talvez a providência que poderia ter sido tomada desde março. Quando se fala em aglomeração, fala-se exatamente em quantidade de pessoas por metro quadrado. A decisão de deixar que as pessoas entrem no comércio, com limitação de quantidade, com uma pessoa a cada 10 metros quadrados, foi uma atitude muito sábia. Veio um pouco atrasada, mas ainda em tempo de salvar o nosso comércio”, disse.
O empresário ressalta que, se essa decisão tivesse sido tomada no início da pandemia, empresas menores que se encaixavam como serviço não essencial não seriam penalizadas como foram. “Acho que poderia ter sido adotado desde o início, não penalizando as pequenas empresas. As grandes empresas, os chamados essenciais, estavam com uma grande quantidade de pessoas, e as empresas pequenas, praticamente, sequer podiam trabalhar direito. Com esse controle de pessoas por metro quadrado, acho que pode se estender inclusive aos essenciais, pois supermercados que têm sim grande aglomeração de pessoas. Esse controle de uma pessoa a cada 10 metros quadrados acho que tem que ser respeitado em todas as empresas. Eu acredito na isonomia das empresas, que sejam iguais, tantos as essenciais quanto as não essenciais, para atender a quantidade de pessoas sem aglomeração, no caso essa metragem quadrada. Acho que a frase que resume o que a gente enfrentou e ainda estamos enfrentamos é o seguinte: todo emprego que garante o sustento da sua família é essencial. A economia tem que andar junto com a pandemia.”
Sobre a expectativa de vendas para o Natal, Rui Maurício revela que não deve ser como foi em anos anteriores, mas ainda assim garante que o que vier será lucro. “É lógico que com a pandemia existe uma baixa das vendas, mas a expectativa é das melhores, porque vender pouco é melhor do que não vender nada. Independente de qual for a onda, essa providência da quantidade de pessoas por metragem quadrada serviria para qualquer situação, seja na verde, amarela ou vermelha. Acho uma resolução espetacular para atender todas as frentes na medida do possível. O comércio ainda está sofrendo, mas a expectativa é boa e dá pra gente fazer pelo menos um pouco, salvar nosso comércio de verdade e evitar maiores prejuízos.”

Hely Deagostini tem duas lojas de calçados também na rua Israel Pinheiro, além de uma outra loja no bairro Ipê. Ele conta que recebeu o aviso da fiscalização que poderia receber os clientes nas lojas no início desta tarde, e acredita que a decisão foi um bom senso de quem trata o assunto. “Esse novo estágio começou no início desta tarde, quando a fiscalização passou avisando que poderíamos receber as pessoas dentro da loja, mas com os devidos cuidados. Antes disso, só entrega ou retirada na porta da loja, mas sem deixar aglomerar. Quero agradecer o bom senso daqueles que estão tomando essas medidas. Vamos tentar, a partir de agora, um novo tempo, pois tem sido um ano muito difícil, mas vamos esperar em Deus que as coisas possam melhorar, e trabalhar com fé.”
Mesmo com a proximidade do Natal, Deagostini prevê que as vendas serão baixas, devido ao contexto de pandemia e restrição, mas destaca que, se continuasse do jeito que estava, ficaria difícil. “O fluxo menor de pessoas na rua certamente diminuirá o número de vendas, mas não posso deixar de ser grato pelo que for vendido, porque, se continuasse do jeito que estava, não conseguiria fechar a conta. Vamos apostar nessa nova proposta que essa comissão autorizou e acreditar que possa dar certo, apesar de daqui pra frente ser tudo especulação.”
O presidente da ACE-GV, Jackson Lemos, entende que a onda vermelha e restrições que o comércio teve prejudicarão as vendas no Natal, mas compreende que a fase atual é de muito cuidado, e lembrou os cuidados que devem ser tomados pelas pessoas que trabalham e pelas que vão frequentar o comércio para comprar. “É fato que a continuidade na onda vermelha em muito prejudica as vendas nesta data mais importante para o nosso comércio, mas o momento exige prudência. Estamos atravessando uma fase em que não podemos nos descuidar, até porque, se não fizermos a nossa parte, agora a situação não ficará estável e as restrições podem aumentar na data mais próxima ao Natal. Buscando o equilíbrio entre a segurança sanitária e a economia, o Comitê Extraordinário Covid-19 aprovou novos protocolos para funcionamento do comércio em dezembro, entre eles a liberação do comércio atacadista e varejista, desde que sejam adotadas medidas adicionais. Pedimos também para quem tem a necessidade de frequentar o comércio local que acolha as regras de distanciamento e os protocolos sanitários.”
A gerente da CDL-GV, Célia Menezes, espera que as pessoas tenham atitudes equilibradas em meio a essa situação de onda vermelha, e que todos cumpram as orientações do Minas Consciente, enquanto existirem as restrições. “Neste período, nossos ânimos estão à flor da pele e precisamos de muito equilíbrio em nossas decisões. Estamos em um momento muito delicado e aconselhamos os lojistas a cumprirem o que o Programa Minas Consciente orienta. Em nosso perfil no Instagram (@cdlgv) disponibilizamos informações e o próprio protocolo do Governo do Estado para auxiliar na busca. Inclusive, enviamos ao Comitê Extraordinário Covid-19, responsável por fazer as análises das macrorregiões, um ofício, em conjunto com o MP e as entidades ligadas ao comércio, apresentando a real situação de Valadares e solicitando uma análise mais apurada para nossa cidade. Enquanto isso, sugerimos que os comerciantes explorem as redes sociais, para realizarem vendas e observarem sempre os cuidados sanitários. É bom lembrar que a população é um agente fundamental para contermos a contaminação do vírus e para reerguermos nossa economia. Precisamos agir em conjunto para sair da onda vermelha e ter maior capacidade de atendimento nos hospitais. Faça sua parte!”.
Prefeitura de Valadares informa novo decreto
No fim desta tarde, a Prefeitura Municipal de Valadares anunciou no Diário Eletrônico Oficial o novo decreto baseado nas decisões do Comitê Executivo Covid-19, que atribuiu aos municípios a competência para permitir, sob determinadas condições, o funcionamento do comércio varejista e atacadista durante o mês de dezembro de 2020, mesmo que esteja sob a vigência da onda vermelha do Plano Minas Consciente.
No decreto consta que o funcionamento do comércio será com intensa fiscalização para que se cumpram os protocolos do Minas Consciente, e os lojistas terão que cumprir as exigências, como ter controle de acesso nos estabelecimentos e obrigatoriedade de uso de máscara para todas as pessoas que estiverem no ambiente.
Além da metragem de referência ser de uma pessoa por cada 10 metros quadrados, o lojista tem que assegurar o distanciamento de 1,5 metro entre as pessoas, inclusive em filas, ainda que externas ao estabelecimento.
Também se destaca a ampliação do horário de atendimento do comércio varejista e atacadista, o shopping center, os bancos e estabelecimentos similares e as agências lotéricas, que estão autorizados a funcionar entre 6 horas e meia-noite. Já os bares e restaurantes poderão funcionar no horário das 6 às 22 horas, devendo observar todas as regras previstas no protocolo do Plano Minas Consciente, ficando vedado o consumo em pé.















