De acordo com o médico reumatologista Estevão Gonçalves, fortes dores nas articulações podem acompanhar a vítima desta doença por anos.
A febre chikungunya é uma das arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti e tem assolado a vida dos valadarenses, desde os primeiros meses deste ano. É o que constata o boletim epidemiológico do município. De acordo com o boletim, até o dia 27 do mês de abril já havia 936 casos prováveis da doença.

Dentre os valadarenses acometidos pela chikungunya está a servidora pública Cláudia Pimenta. O diagnóstico veio no dia 22 de fevereiro. E, a partir de então, a vida dela mudou. “Para tomar banho, tive que precisar da ajuda de um filho (uma criança de 11 anos) para pentear os cabelos, vestir uma roupa”.
E todas estas dificuldades no cotidiano da servidora são em razão das fortes dores que ela sente. Dores estas que limitam o movimento dos braços, das mãos, além de joelhos e pés. “Estou perdendo movimento dos dedos, das pernas, está atrofiando. Porque a doença vai corroendo seus ossos, a articulação“, relata.

Entretanto Cláudia Pimenta relata que, ao ser diagnosticada, não a orientaram a buscar atendimento com um reumatologista. Então a valadarense acredita que isso pode ter sido um dos motivos do agravamento. “Você fica, ali, à mercê da doença. Aí chega ao ponto de perder o controle, porque eu não sabia que teria que procurar esta especialidade médica. Como todo mundo fala ‘vai doer um ano’, ‘vai doer dois anos’, não, não é assim. Então, hoje, estou sofrendo com isso porque não tive orientação“.
Se os sitomas persistirem, consulte um médico reumatologista
Por isso, o especialista em reumatologia pela Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) e médico reumatologista do Ambulatório Médico da Univale (AME), Estevão Gonçalves, afirma que as consequências da chikungunya são extremante ligadas à sua função. Portanto o paciente que receber este diagnóstico deve observar se os sintomas persistem e, neste caso, procurar um médico reumatologista para dar início ao tratamento.
“As dores mais prevalentes, que ocorrem nos 14 primeiros dias (na fase aguda da doença) acometem mais mãos, punhos, tornozelos e pés. O paciente também tem inchaço nessas articulações, calor, febre nas juntas. Geralmente ocorre dentro de 14 dias e há a resolução deste quadro. Caso o paciente persista com estes sintomas, ele evolui para a fase subaguda e crônica. Aí sim é o momento de procurar o especialista, no caso, o serviço de reumatologia”, explica Estevão Gonçalves.

Além das dores nas articulações, o médico explica que a pessoa acometida pode apresentar dores de cabeça e manchas vermelhas pelo corpo. Contudo o especialista ressalta que a doença não possui cura definitiva. Diante disso, é necessário constância no tratamento.
“A chikungunya, a gente não considera que há uma cura. Depende da resposta individual de cada paciente. Ela pode perdurar por semanas, meses ou até anos. Estudos comprovam que a chickungunya pode permanecer num indivíduo até 6 anos após a enfermidade“, destaca. No entanto Estevão Gonçalves esclarece que, com o tratamento precoce à base de medicamentos, o paciente obtém alívio dos sintomas, podendo até mesmo ficar livre das dores no dia a dia.
Febre chikungunya pode ocasionar outras doenças
Ainda de acordo com o especialista em reumatologia da SBR, esta arbovirose acaba tornando-se um “gatilho” para o surgimento de outras doenças reumatológicas. Desse modo, se o paciente não estiver ciente das sequelas deixadas pela chikungunya, pode pensar que tem outras doenças e não sentir melhora com os tratamentos.“Tem que haver avaliação de um reumatologista para saber diferenciar”, pontua. No vídeo abaixo, o médico nos dá mais detalhes sobre como proceder para evitar erros durante o processo de tratamento da doença. Confira:
As três fases da chikungunya
Então como citado anteriormente pelo profissional, a febre chikungunya se apresenta em 3 fases: a fase aguda, a fase subaguda e a fase crônica.
“A fase aguda é compreendida entre 0 a 14 dias; a subaguda, é de 14 dias a 3 meses; e a fase crônica, a partir dos 3 meses. Falando especificamente sobre a fase crônica e as sequelas que a chikungunya pode ocasionar, nós podemos citar, basicamente, o quadro de artralgia [dores intensas nas articulações], que pode evoluir de forma persistente ou rescidivante [que retorna]. Às vezes o paciente nos apresenta se queixando de que as dores aparecem e desaparecem ao longo de um tempo”, explica.
Ele também dá destaque a outros sintomas, como a fadiga. “O cansaço inexplicável pelo paciente. Ele fala que está sempre cansado. Não consegue executar suas atividades físicas ou trabalhistas”, relata Gonçalves.
Problemas neuropáticos
Já como um exemplo de outras manifestações da doença, desta vez, de forma neurológica, o médico cita a síndrome do túnel do carpo, que afeta punho e mãos: “A gente pode citar as neuropatias periféricas, que o maior exemplo delas é a síndrome do túnel do carpo, que acomete um nervo mediano do punho, ocasionando parestesias, que é a sensação de dormência, formigamento e queimação nas mãos”.
Portanto o médico reumatologista Estevão Gonçalves reforça que o correto é procurar atendimento médico o quanto antes para que se inicie um tratamento com o uso de anti-inflamatórios.
Conforme o Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), feito em abril, Valadares apresenta índice em “alto risco”, com 4,3%.















