GOVERNADOR VALADARES – A previsão climática para o mês de abril de 2026 nos municípios da Bacia do Rio Doce indica um cenário típico de transição entre o período chuvoso e o início da estação seca. Os dados são do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), com interpretação dos professores Fulvio Cupolillo e Daniela Cunha, do IFMG – Campus Governador Valadares.
De acordo com o levantamento, o volume de chuvas previsto para abril varia entre 40 mm e 130 mm, distribuído de forma desigual ao longo da bacia. No extremo norte, os acumulados devem ser menores, entre 40 mm e 60 mm. Já em uma faixa que corta a região de norte a sul — incluindo municípios como Santa Maria do Suaçuí, Governador Valadares, Ipatinga, Caratinga, Ponte Nova, Mariana e Viçosa — os volumes ficam entre 60 mm e 80 mm. Outras áreas, localizadas a leste e oeste da bacia, como Serro, Guanhães, Itabira, Aimorés e Manhuaçu, podem registrar entre 80 mm e 100 mm. Os maiores acumulados estão previstos para o oeste da região, especialmente em Conceição do Mato Dentro e entorno, onde a chuva pode variar de 100 mm a 130 mm ao longo do mês.
Em relação às temperaturas, a média na bacia deve oscilar entre 20°C e 27,5°C. As regiões mais altas e ao sul, como Serro, Guanhães, Ponte Nova e Viçosa, tendem a registrar temperaturas mais amenas, entre 20°C e 22,5°C. Já áreas do norte e centro, como Belo Oriente, Ipatinga e Caratinga, devem ter médias entre 22,5°C e 25°C. No leste da bacia, onde estão cidades como Governador Valadares, Galiléia, Resplendor e Aimorés, o calor deve ser mais intenso, com temperaturas variando entre 25°C e 27,5°C.
Fatores que influenciam o clima
Segundo os especialistas, o comportamento do clima em abril é influenciado tanto por fatores geográficos quanto por sistemas atmosféricos. A posição da bacia, em diferentes latitudes, e o relevo — com áreas de maior altitude — ajudam a definir onde chove mais ou menos.
Além disso, alguns sistemas atmosféricos atuam diretamente sobre Minas Gerais neste período. Entre eles, destaca-se o Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul (ASAS), que tende a inibir a formação de nuvens e reduzir as chuvas. Outros fenômenos, como o Cavado do Nordeste (CN) e o Vórtice Ciclônico de Altos Níveis (VCAN), também contribuem para períodos mais secos. Por outro lado, a atuação de frentes frias, associadas à Massa Polar Atlântica, favorece a ocorrência de chuvas, especialmente quando esses sistemas passam pelo litoral do Sudeste e transportam umidade para o interior do continente.
Tendência para o período
A previsão indica que a frequência de frentes frias em abril deve ficar dentro ou ligeiramente acima do padrão normal, o que pode contribuir para a manutenção de chuvas regulares ao longo do mês. Esse cenário é considerado positivo, principalmente para a recomposição dos níveis de água em reservatórios e para o abastecimento.
Já em relação ao fenômeno climático conhecido como El Niño–Oscilação Sul (ENOS), ainda há influência de um resfriamento das águas do Pacífico Equatorial. No entanto, existe uma probabilidade de 62% de desenvolvimento do El Niño entre junho e agosto, podendo se estender até o fim de 2026. Com isso, abril deve marcar, de forma gradual, a transição para o período mais seco na Bacia do Rio Doce, mantendo ainda a ocorrência de chuvas, porém menos intensas e mais irregulares em comparação aos meses anteriores.









