Cerâmica produzida por artesãos mineiros é apresentada em exposição e na Maison & Objet, uma das principais feiras internacionais de design e decoração
JEQUITINHONHA – O artesanato do Vale do Jequitinhonha ganha espaço em Paris a partir desta quarta-feira (9), durante a Paris Design Week. Obras produzidas por artesãos da região são apresentadas ao público e ao mercado internacional em uma exposição exclusiva e, a partir de quinta-feira (10), também poderão ser conhecidas na Maison & Objet Paris 2026, feira que reúne compradores, galeristas, arquitetos, designers, curadores e formadores de opinião de mais de 130 países.
A exposição “La terre façonnée par l’art” (“A terra moldada pela arte”) segue até o dia 18 de setembro na Ricardo Fernandes Gallery, no bairro Marais, região conhecida pela intensa movimentação cultural e artística da capital francesa. Com curadoria do galerista Ricardo Fernandes, a mostra aproxima o artesanato do Vale do Jequitinhonha de profissionais e instituições ligadas à arte, ao patrimônio, à criação e à inovação.
Na Maison & Objet, cerca de 150 obras produzidas por artesãos das comunidades de Campo Alegre, Coqueiro Campo, Santana do Araçuaí e Cachoeira do Fanado serão apresentadas ao mercado internacional.
Negócios e valorização cultural
Considerada uma referência mundial nos segmentos de design, decoração, arquitetura e lifestyle, a Maison & Objet é realizada duas vezes por ano em Paris e reúne milhares de expositores e visitantes de diversos países. O evento também funciona como espaço para lançamento de produtos, geração de negócios e aproximação entre criadores e compradores.
Para Anísia Lima, artesã e representante do Conselho das Artesãs do Vale do Jequitinhonha (CAVJ), a participação em Paris representa um momento importante para a produção da região.
“A vinda para Paris é importante para o reconhecimento e valorização, além de ser um grande avanço para toda a comunidade”, afirma.
A iniciativa é uma parceria entre o Sebrae Minas e o Governo de Minas Gerais, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede). A proposta é ampliar o potencial do artesanato como fonte de desenvolvimento econômico, geração de renda e valorização da identidade cultural mineira.
“A arte do Vale do Jequitinhonha dialoga com a tendência do mundo das artes, preserva nossa identidade cultural, fortalece o sentimento de pertencimento nas comunidades, gera renda para centenas de famílias e, consequentemente, desenvolvimento para os municípios”, afirma o diretor técnico do Sebrae Minas, Douglas Cabido.
A missão reúne cinco artesãos de quatro associações do Vale do Jequitinhonha, além de representantes do Sebrae e do Governo de Minas. Durante a passagem pela França, o grupo participa de visitas técnicas e encontros com compradores, além da feira e da exposição.
Recepção na Embaixada
Na terça-feira (8), a comitiva foi recebida na Embaixada do Brasil na França, em Paris. O encontro marcou o início da missão internacional, que leva a cerâmica produzida na região para as duas exposições na capital francesa.
A iniciativa também reforça a presença dos artesãos mineiros na economia criativa e a busca por novos mercados e maior visibilidade para a produção do estado.
O serviço cultural da Embaixada do Brasil em Paris atua na promoção cultural brasileira e na realização de projetos em áreas como arquitetura e design, artes visuais, audiovisual, gastronomia, literatura, música, patrimônio e memória.
“A internacionalização do artesanato mineiro, com valorização da origem, tem muito potencial de sucesso, e esperamos poder trabalhar a longo prazo com os artesãos e o Sebrae Minas”, afirmou Matheus Carvalho, chefe do Setor de Promoção Comercial, Investimentos e Turismo da Embaixada do Brasil em Paris.
Mais de duas décadas de trabalho
A presença do artesanato do Vale do Jequitinhonha em Paris é resultado de um trabalho desenvolvido pelo Sebrae Minas na região há mais de 20 anos. A atuação inclui ações voltadas para a governança local, gestão dos negócios, empreendedorismo, presença digital, desenvolvimento de produtos, design e acesso a mercados.
Nos últimos anos, segundo estimativa apresentada pelo Sebrae Minas, as ações voltadas à valorização do saber local, da origem e ao acesso a novos mercados contribuíram para um aumento médio de 30% no faturamento dos artesãos, fortalecendo a economia local e ampliando as oportunidades para centenas de famílias.
Entre as iniciativas está o Projeto Identidade e Origem, criado em 2019, e a marca Território Vale do Jequitinhonha, lançada em 2021. Ao todo, 120 artesãos foram atendidos nas quatro principais comunidades beneficiadas: Campo Alegre, Coqueiro Campo, Santana do Araçuaí e Cachoeira do Fanado.
Nos últimos anos, aproximadamente R$ 2,5 milhões foram movimentados em vendas. Já a edição de 2025 da “Viagem para a Origem”, que leva compradores nacionais ao Vale do Jequitinhonha, gerou mais de R$ 450 mil em compras diretas e encomendas.











