Duelo no Mineirão coloca frente a frente os maiores rivais do estado em mais uma disputa pela taça do Campeonato Mineiro
GOVERNADOR VALADARES – O maior clássico de Minas Gerais volta a colocar frente a frente Cruzeiro e Atlético em uma disputa que promete mais um capítulo marcante na rivalidade centenária. Neste domingo (8), os rivais entram em campo no Mineirão, em Belo Horizonte, para decidir o título do Campeonato Mineiro de 2026, naquela que será a 27ª final direta entre os clubes.
A história das decisões entre Galo e Raposa começou em 1931, há quase um século. Na ocasião, o Atlético ficou com a taça após vitória por WO — episódio que ajudou a acirrar ainda mais uma rivalidade que atravessa gerações no futebol mineiro.
Mesmo com o triunfo alvinegro no primeiro encontro decisivo, o retrospecto das 26 finais diretas disputadas até hoje aponta vantagem celeste. A equipe estrelada levantou a taça 14 vezes, contra 11 conquistas do Atlético, além de uma decisão compartilhada em 1956, em um dos capítulos mais polêmicos do clássico.
A final deste ano carrega ingredientes extras. Do lado cruzeirense, a missão é interromper a hegemonia recente do rival. O Atlético chega embalado por seis títulos consecutivos e pode alcançar o heptacampeonato estadual — marca inédita na Era do Profissionalismo do futebol mineiro, iniciada em 1933.
Já o Galo também mira um feito histórico. Caso confirme o título, o clube igualará uma marca raríssima no estado: sete conquistas seguidas do Mineiro. O único time a alcançar tal seqüência foi o América, que faturou sete campeonatos consecutivos entre 1916 e 1922, durante a trajetória do chamado “deca americano”, concluído em 1925.
Além da taça, a decisão também pode mexer com outra estatística importante do clássico. O Atlético tem a chance de vencer o Cruzeiro em três finais diretas consecutivas pela primeira vez na história. O Alvinegro levou a melhor nas duas últimas decisões entre os rivais: em 2022, em jogo único no Mineirão, e em 2024, quando virou o placar e venceu por 3 a 1 diante de mais de 60 mil torcedores celestes no Gigante da Pampulha.
Até hoje, apenas o Cruzeiro conseguiu emplacar três vitórias seguidas sobre o rival em finais diretas — e por duas vezes. A primeira sequência veio com os títulos de 1987, 1990 e 1998, mesmo com um intervalo de mais de uma década entre o primeiro e o terceiro troféu. Já a segunda ocorreu em ritmo mais acelerado, com as conquistas de 2008, 2009 e 2011.
A decisão de 2011, inclusive, teve um cenário atípico. Foi a única final direta entre os rivais disputada no interior do estado. Na ocasião, a Arena do Jacaré, em Sete Lagoas, recebeu os dois jogos decisivos.
Agora, em 2026, o clássico volta ao Mineirão para mais uma disputa de taça. De um lado, o Cruzeiro tenta frear a sequência do rival e recuperar o protagonismo estadual. Do outro, o Atlético entra em campo de olho na história, buscando ampliar sua hegemonia e transformar mais uma final em capítulo inesquecível da rivalidade mineira.
Artilharia em foco
Outra disputa à parte no Mineiro movimenta a reta decisiva do torneio: a corrida pela artilharia, travada entre dois dos principais protagonistas da competição, Kaio Jorge e Hulk.
Pelo lado do Cruzeiro, Kaio Jorge aparece no topo da lista de goleadores do Estadual, com seis gols. Dono de um estilo explosivo e muita mobilidade no ataque, o camisa 19, de 24 anos, vive grande fase. O centroavante também está entre os jogadores mais bem pagos do futebol brasileiro, com salário na casa dos R$ 3 milhões mensais. O Flamengo chegou a sondar o atacante, mas a diretoria celeste foi firme e não abriu negociação. Na última temporada, Kaio Jorge terminou como artilheiro da Copa do Brasil, com cinco gols, e do Campeonato Brasileiro, com 21. Agora, o objetivo é claro: disparar na artilharia do Mineiro e conquistar o primeiro título com a camisa celeste.
Na cola do cruzeirense está um velho conhecido das redes adversárias. Ídolo do Atlético, Hulk segue mostrando que a idade não diminuiu sua fome de gols. Aos 39 anos, o atacante combina força física, qualidade técnica e um chute potente — seja com a bola rolando ou nas cobranças de falta, uma de suas marcas registradas. O camisa 7 foi o goleador das últimas quatro edições do Estadual, sequência iniciada em 2022. Nesta temporada, Hulk já marcou quatro vezes e segue firme na briga.







